Apple adia Siri com IA na Europa e culpa regras do bloco

A Apple decidiu não lançar sua nova assistente virtual, Siri, baseada em inteligência artificial na União Europeia (UE) após não conseguir uma isenção das exigências de interoperabilidade previstas pela legislação do bloco.
A informação foi comentada nesta terça-feira, 9, pela Comissão Europeia, que responsabilizou a empresa pela decisão de adiar a chegada da ferramenta ao mercado europeu, segundo a Reuters.
A companhia optou por não disponibilizar a ferramenta na UE depois de solicitar uma dispensa das obrigações regulatórias aplicáveis à tecnologia, pedido que não foi aceito pelas autoridades europeias.
As ações (AAPL) caem 0,49% no pré-mercado nesta terça-feira, 9, em Nova York.
Comissão Europeia diz que decisão partiu da Apple
Em entrevista a jornalistas em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, afirmou que "a decisão de não lançar a Siri na UE é da Apple e somente da Apple", de acordo com a agência.
O representante da Comissão afirmou ainda que a fabricante do iPhone não conseguiu desenvolver soluções de interoperabilidade compatíveis com os padrões de privacidade e segurança exigidos pela UE.
"A Apple simplesmente não conseguiu desenvolver soluções de interoperabilidade que atendessem aos padrões essenciais de privacidade e segurança da UE", acrescentou Regnier.A empresa tentou obter uma isenção das obrigações previstas pelas regras europeias em vez de apresentar uma solução considerada adequada pelas autoridades do bloco, ainda conforme o porta-voz.
"Em vez de tentar encontrar uma solução de conformidade adequada, a Apple simplesmente fez um pedido à Comissão Europeia para ser isenta de suas obrigações de interoperabilidade. Isso não é uma opção", declarou.
A Apple ainda não anunciou quando pretende disponibilizar a nova Siri para consumidores da União Europeia.
Nova Siri é peça central da estratégia de IA da Apple
A polêmica envolve justamente uma das principais apostas da Apple em IA. Anunciada na segunda-feira, 8, a nova Siri combina modelos de IA desenvolvidos pela própria empresa com o Gemini, do Google, e marca a maior reformulação da assistente desde seu lançamento, em 2011.
A Apple afirma que a nova versão é capaz de compreender o contexto pessoal dos usuários, interpretar conteúdos exibidos na tela dos dispositivos e executar tarefas em diferentes aplicativos. A companhia também promete respostas mais contextualizadas, acesso ampliado a informações da internet e uma interação por voz mais natural.
Prometida desde 2024, a ferramenta é vista como peça-chave da estratégia da empresa para disputar espaço no mercado de IA, onde concorre com nomes como Google, OpenAI, Microsoft e Anthropic, dona do Claude.
*Com informações de Tamires Vitorio
