Bitcoin cai 2,1% e volta a preocupar com saída de capital nos ETFs

O bitcoin opera em queda nesta terça-feira, 9, voltando a sofrer com pressão vendedora depois da tentativa de recuperação no dia anterior. Na véspera, houve a segunda retirada líquida de capital consecutiva de fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista nos Estados Unidos.
Isso demonstra que os investidores continuam cautelosos com a criptomoeda mesmo depois da queda até os US$ 59 mil ocorrida no final da semana passada. Especialistas ouvidos pelo site Coindesk dizem que todos os movimentos de alta do BTC até voltar aos US$ 80 mil serão vistos apenas como “repiques de alívio” e não como uma recuperação sustentada.
Às 10h55 (horário de Brasília), o bitcoin cai 2,1% em 24 horas, a US$ 62.353.
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Usado para medir o sentimento do mercado, o índice Fear & Greed das criptomoedas apurado pelo CoinMarketCap oscilou novamente para baixo, aprofundando-se na zona de “medo extremo”, aos 15 pontos. Ontem, o valor do indicador estava em 16 pontos.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
Segundo Gil Herrera, diretor de estratégia e expansão da Bitget para a América Latina, o bitcoin segue pressionado no curto prazo após encontrar uma forte resistência na região dos US$ 64 mil e os sinais gráficos não são animadores para o criptoativo.
“O fato do ativo continuar negociando abaixo das médias móveis de 50, 100 e 200 dias reforça um viés mais pessimista no mercado neste momento”, afirma Herrera. Para ele, a faixa dos US$ 64 mil será o primeiro grande teste para o BTC. Se superar, pode aliviar a pressão baixista e melhorar o sentimento do mercado. Do contrário, será difícil acreditar em altas mais fortes até os patamares de maio.
ETFs
Ontem foi mais um dia de saída de capital dos ETFs de bitcoin à vista que são negociados nas bolsas de valores dos EUA. Foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 91,4 milhões neste tipo de fundo, depois da retirada líquida de US$ 325,7 milhões no pregão da sexta-feira, 5.
O único alvo da retirada de recursos foi o IBIT, ETF de bitcoin da BlackRock, com US$ 232,9 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.
Fabricio Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, destaca que com o saldo negativo de ontem o mercado inicia a quinta semana consecutiva de fluxos líquidos de saída de capital, acumulando mais de US$ 5,4 bilhões em retiradas nas últimas quatro semanas. Isso significa que este é o pior período desde o lançamento desses produtos nos EUA.
Por outro lado, Tota aponta que a intensidade das saídas parece estar diminuindo. “Nas últimas semanas, vimos diversos dias com retiradas entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões. Comparativamente, o fluxo mais recente foi significativamente menor, o que pode indicar um enfraquecimento gradual da pressão vendedora nesses instrumentos”, avalia.
Altcoins
Do lado das criptomoedas menores do que o bitcoin, a correlação com o benchmark do mercado continua elevada, mas o desempenho tem sido levemente superior no curto prazo, destaca Tota.
“Isso pode ser observado pela dominância do bitcoin [comparação do valor de mercado do ativo em relação à capitalização total de todos os outros criptoativos], que recuou de 58,93% para 58,6%”, diz.
Hoje, o ether cai 0,7%, a US$ 1.675; o BNB (token da Binance Smart Chain), tem queda de 0,8%, a US$ 596,03; o XRP registra perdas de 0,3%, a US$ 1,16; e a solana recua 1%, a US$ 66,08.
