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EmpresasACS
09/06/2026
4 min

Braskem (BRKM5) troca CEO e CFO em meio à turbulência financeira; veja quem assume o comando

Braskem (BRKM5) troca CEO e CFO em meio à turbulência financeira; veja quem assume o comando

Sob a pressão de um caixa mais apertado e de crescentes questionamentos sobre sua liquidez, a Braskem (BRKM5) decidiu promover uma reestruturação da alta cúpula. 

A petroquímica anunciou nesta terça-feira (9) uma nova diretoria estatutária e uma nova composição para o conselho de administração, redesenhando parte relevante da equipe que ficará responsável por conduzir a empresa nos próximos anos. 

As mudanças foram aprovadas em assembleia geral extraordinária (AGE) realizada na segunda-feira (8) e levam executivos ligados à IG4 Capital a posições-chave da companhia 

A reformulação acontece em um momento delicado para a petroquímica. Enquanto avalia alternativas para fortalecer sua estrutura financeira, a companhia luta para recuperar a confiança dos investidores e reorganizar sua trajetória financeira.  

  • Veja também: Alívio do exterior, perigo no caixa: por que o UBS BB elevou o preço-alvo da Braskem (BRKM5) agora 

A nova dupla que assume o comando da Braskem 

A principal mudança ocorre na presidência da companhia. Helcio Tokeshi foi eleito novo diretor-presidente (CEO) da Braskem, substituindo Roberto Prisco Paraiso Ramos. 

Com experiência em projetos de infraestrutura, reestruturação empresarial e gestão pública, Tokeshi atuava como managing director na IG4 Capital e já ocupou cargos como CEO da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura) e secretário da Fazenda do Estado de São Paulo. 

Ao seu lado estará Carlos Augusto Machado Pereira de Almeida Brandão, escolhido para assumir simultaneamente as funções de diretor financeiro (CFO) e diretor de relações com investidores (DRI), posto anteriormente ocupado por Felipe Montoro Jens. 

Brandão também chega da IG4 Capital, onde era sócio-gerente, e acumula passagens pela presidência da Iguá Saneamento e por posições executivas na Oi. 

A chegada da dupla ao comando da Braskem sinaliza um perfil de gestão focado em reestruturação e eficiência operacional, possivelmente mirando o equacionamento das dívidas que têm assombrado o balanço da petroquímica. 

Vale destacar que a reestruturação alcançou também o conselho de administração. A atual presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi eleita presidente do colegiado, enquanto Hélio Baptista Novaes assumirá a vice-presidência. 

Quem fica e quem sai do alto escalão 

A limpeza promovida pela nova gestão resultou na saída de executivos que haviam assumido postos-chave há pouco mais de um ano. Deixam a companhia: 

  • Roberto Prisco Paraiso Ramos (ex-CEO); 
  • Felipe Montoro Jens (ex-CFO); 
  • Geraldo Magela de Moraes Vilaça Netto (ex-Jurídico); e
  • Stefan Lanna Lepecki

Por outro lado, alguns nomes foram mantidos para garantir a continuidade operacional. 

Permanecem na estrutura Nir Lander, à frente dos Assuntos Corporativos; Carlos Plachta, responsável pelo Mercado Consumidor e Logística; e Raphael Franco de Campos, diretor de Operações. 

A novidade no time de apoio é Camilla Tedeschi de Toledo Tápias, que assume a Diretoria Jurídica. 

O desafio hercúleo da nova gestão da Braskem 

A Braskem continua pressionada por margens apertadas no setor petroquímico, além de carregar passivos importantes relacionados ao desastre geológico em Maceió, que segue impactando o caixa da companhia. 

A Braskem terminou o primeiro trimestre de 2026 com cerca de US$ 1,06 bilhão em caixa, mas tem US$ 1,46 bilhão em dívidas vencendo ainda este ano. 

Sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, já está negociando separadamente o processo de entrada em recuperação judicial nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11).  

Nas últimas semanas, a Braskem voltou ao centro das discussões após notícias de que a companhia estaria avaliando alternativas para reorganizar seu passivo financeiro e buscando apoio de credores para uma eventual reestruturação extrajudicial. 

Segundo o Valor Econômico, havia inclusive a possibilidade de postergação de aproximadamente US$ 150 milhões em pagamentos de juros de bonds com vencimento a partir de julho. 

A notícia provocou forte repercussão entre investidores e pressionou as ações da companhia. 

Em resposta, a Braskem informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que ainda não tomou qualquer decisão formal sobre uma eventual reestruturação de dívida. 

A empresa confirmou que, desde setembro de 2025, trabalha com assessores financeiros e jurídicos especializados na avaliação de alternativas para otimizar sua estrutura de capital. 

Segundo a companhia, as análises continuam em andamento e incluem diferentes possibilidades, desde reprogramações de obrigações financeiras até mecanismos de proteção contra credores. 

Apesar disso, a petroquímica enfatizou que nenhuma alternativa foi formalmente aprovada até o momento. 

A missão de Tokeshi e Brandão, cujos mandatos se estendem até a assembleia geral ordinária (AGO) de 2028, será navegar em meio ao ciclo de baixa petroquímico e convencer os investidores de que a Braskem pode, finalmente, reencontrar o caminho da geração de caixa.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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