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NegóciosMPOL
09/06/2026
5 min

Claro lança aluguel de GPU para PMEs usarem inteligência artificial

Claro lança aluguel de GPU para PMEs usarem inteligência artificial

A corrida pela inteligência artificial criou uma nova barreira para pequenas e médias empresas: acesso a poder computacional.

Para testar uma ferramenta de IA, uma empresa até consegue começar com soluções prontas. Mas, quando precisa rodar modelos próprios, analisar dados internos ou usar aplicações mais pesadas, a conta muda.

Foi esse problema que a Claro escolheu atacar no Web Summit Rio 2026. A operadora anunciou uma oferta de GPU as a Service, ou GPU como serviço, voltada a empresas de todos os tamanhos, com foco em pequenas e médias.

Na prática, a companhia passa a vender acesso fracionado a GPUs, os chips usados para processar grandes volumes de dados em aplicações de inteligência artificial.

“Uma startup pode precisar de meia GPU por duas horas para fazer um teste”, afirma Mário Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Claro.

O lançamento faz parte do plano anunciado pela companhia no ano passado, quando a Claro informou um investimento de R$ 1 bilhão na plataforma Claro Cloud.

“Quando uma empresa de telecomunicações investe R$ 1 bilhão em cloud, há uma visão clara de que uma parte crescente das operações das empresas estará na nuvem”, diz Roberta Godoi, CEO da Claro empresas para PME.

O que é uma GPU

GPU é a sigla em inglês para unidade de processamento gráfico. Em termos simples, é um chip capaz de realizar muitos cálculos ao mesmo tempo, algo fundamental para aplicações de inteligência artificial.

A CPU, processador tradicional de computadores e servidores, foi criada para tarefas gerais. Já a GPU foi desenvolvida para lidar com grandes volumes de processamento simultâneo, tornando-se uma peça central para a IA.

Segundo a Claro, o principal problema é o custo. Hoje, muitas ofertas exigem a contratação de grandes blocos de capacidade computacional.

“Na maior parte dos fornecedores, é necessário contratar muitas unidades de GPU. Trata-se de uma capacidade muito acima da necessidade de uma PME que está iniciando seus projetos”, afirma Roberta.

O modelo de contratação

Em vez de contratar grandes pacotes, o cliente poderá utilizar apenas a capacidade necessária. A lógica é semelhante à de outros serviços em nuvem: a empresa acessa uma estrutura hospedada em um data center da Claro e paga conforme o uso.

Para uma PME, isso significa a possibilidade de testar aplicações, validar uma prova de conceito e ampliar o consumo gradualmente, sem comprar infraestrutura própria.

Segundo a empresa, esse formato busca reduzir uma das principais barreiras para a adoção de inteligência artificial.

Cobrança em reais e suporte local

A Claro destaca três diferenciais da oferta: cobrança em reais, suporte em português e uma plataforma aberta para diferentes modelos de IA.

Em serviços contratados em dólar, a variação cambial pode alterar o custo de um projeto. Com faturamento local, a empresa afirma oferecer maior previsibilidade financeira.

A companhia também diz que a plataforma é agnóstica. Isso significa que o cliente pode utilizar diferentes modelos de inteligência artificial sem ficar preso a um único fornecedor.

Mais de 80 serviços integrados

A oferta chega dentro de um portfólio que reúne mais de 80 serviços corporativos. Entre eles estão conectividade, mobilidade, segurança, nuvem e ferramentas digitais.

Segundo Rachid, informações de sistemas como ERP, câmeras de segurança e plataformas de vendas podem ser utilizadas em aplicações de IA.

ERP é um sistema que integra áreas como compras, estoque, vendas, financeiro e faturamento em uma única plataforma.

“Tudo que gera dado pode ser usado aqui”, afirma o executivo.

Uma operadora vendendo tempo

O lançamento também mostra uma mudança no posicionamento da companhia. A Claro quer ir além da venda de conectividade e oferecer serviços ligados à operação das empresas.

“O que a gente está tentando fazer é vender tempo para o cliente”, afirma Roberta.

Segundo ela, o objetivo é permitir que empresários concentrem seus esforços na gestão dos negócios enquanto a infraestrutura tecnológica fica sob responsabilidade da operadora.

A parceria com a Nvidia

A iniciativa foi construída em parceria com a Nvidia, fabricante dos chips mais utilizados em aplicações de inteligência artificial.

A Claro afirma ter se tornado uma Nvidia Cloud Partner (NCP), selo destinado a empresas que operam infraestrutura de computação acelerada baseada na tecnologia da companhia.

Segundo a operadora, ela é a primeira NCP da América Latina.

A parceria permite oferecer capacidade de processamento para empresas que desejam criar ou rodar modelos de IA, incluindo LLMs, sistemas treinados com grandes volumes de texto para responder perguntas, resumir documentos e executar tarefas de linguagem.

O lançamento no Web Summit

O anúncio foi feito durante o Web Summit Rio 2026, evento que reúne mais de 40 mil participantes, cerca de 1.500 startups e mais de 600 investidores no Riocentro.

A discussão sobre inteligência artificial domina boa parte da programação deste ano. O foco dos debates saiu das aplicações e passou para a infraestrutura necessária para sustentar esses sistemas, incluindo chips, servidores e data centers.

Entre os participantes estão representantes da OpenAI, Nvidia, Google, Microsoft, Huawei e outras empresas ligadas ao avanço da IA.

A história do Web Summit

Criado em Dublin, na Irlanda, em 2009, o Web Summit começou como um encontro com cerca de 400 participantes. O crescimento acelerado levou o evento a mudar para Lisboa em 2016.

Em 2023, a conferência chegou ao Rio de Janeiro, que passou a sediar a edição voltada para a América do Sul.

AutorLeo Branco
FonteExame
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