Estados Unidos incluem Alibaba, BYD e Baidu em 'lista de risco'

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos ampliou sua lista de empresas chinesas supostamente vinculadas às forças armadas do país e incluiu nomes de peso como Alibaba, BYD, Baidu, Nio e Unitree. As informações são do Nikkei Asia.
A atualização reforça o endurecimento da política sobre tecnologias consideradas estratégicas e amplia a investigação sobre companhias que atuam em áreas como inteligência artificial, semicondutores, robótica, drones, baterias e sistemas autônomos.
A nova versão da chamada lista Section 1260H foi divulgada na noite de segunda-feira, 8, pelo Pentágono. As empresas adicionadas operam, direta ou indiretamente, nos EUA enquanto apoiam os esforços da China para fortalecer e modernizar suas capacidades militares.
O analista da Jefferies, Edison Lee, ressaltou que a inclusão na lista funciona como um "sinal de alerta" para órgãos reguladores pelos EUA, mas não implica, por si só, a adoção de sanções.
A medida pode, assim, aumentar o risco de restrições em contratos com o governo estadunidense, ampliar a fiscalização sobre investimentos e elevar a pressão regulatória e reputacional sobre os grupos afetados.
Lista foi ampliada após revisão do Pentágono
A atualização ocorre após uma versão preliminar da relação ter sido publicada em fevereiro e retirada posteriormente por omissões identificadas pelo Departamento de Defesa.
Na nova edição, 16 empresas controladoras foram adicionadas, enquanto outras dez deixaram a lista ativa.
Gigantes chinesas como Huawei, Tencent, CATL, ChangXin Memory Technologies (CXMT) e Yangtze Memory Technologies (YMTC), que já haviam sido classificadas antes, permanecem no documento.
Empresas contestam decisão dos Estados Unidos
A Alibaba afirmou que não há fundamentos para sua inclusão na lista e declarou que a empresa não faz parte de qualquer estratégia de fusão entre atividades civis e militares da China. A companhia informou que adotará medidas legais para contestar a decisão.
A Baidu também rejeitou as acusações. Em comunicado enviado ao Nikkei Asia, a empresa afirmou que não existe justificativa confiável para classificá-la como uma companhia militar e disse que utilizará todos os recursos disponíveis para buscar sua retirada da relação.
A WuXi AppTec, outra empresa adicionada na atualização, declarou que não atende aos critérios previstos na legislação estadunidense para receber essa designação e classificou sua inclusão como um erro. Ela também informou que pretende agir imediatamente para reverter a decisão.
Tensão entre EUA e China continua
A divulgação da lista ocorreu menos de um mês após o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim. O evento havia alimentado expectativas de uma redução das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Fontes citadas pelo Nikkei Asia apontam que parte dos analistas acreditava que a administração estadunidense poderia ter adiado a divulgação do documento até a realização da reunião entre os dois líderes.
Os ADRs da Alibaba encerraram o pregão de segunda-feira, em queda de 0,82%, cotados a US$ 120,07, em Nova York, mas mostravam recuperação no pré-mercado desta terça-feira, 9, avançando 0,57%, para US$ 120,75. Em Hong Kong, as ações da companhia encerraram a sessão com recuo de 1,43%, cotadas a HK$ 117,10.
