'EUA estão mais abertos do que nunca ao capital brasileiro', diz cônsul em SP

Kevin Murakami, cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, disse a uma plateia de empresários que o mercado americano está aberto às companhias brasileiras, apesar do momento de crise na relação entre os dois países.
"As portas dos Estados Unidos estão, mais do que nunca, abertas para o capital brasileiro. E não são só palavras. Nos Estados Unidos, a gente tem uma frase: 'money talks'", disse Murakami, em discurso no Seminário Econômico Lide EUA-Brasil, em São Paulo, nesta terça-feira, 9.
Em seguida, ele deu exemplos de investimentos e afirmou que as agências de fomento americanas estão atuando com mais intensidade. "Essas agências de desenvolvimento estão muito agressivas em gerar novos incentivos para o capital brasileiro", afirmou.
"Uma das principais prioridades do presidente Trump é atrair investimento estrangeiro. Então, temos uma tempestade perfeita para o capital brasileiro", disse.
O cônsul listou vários investimentos recentes de empresas brasileiras nos EUA, como um investimento de US$ 500 milhões da CBC Global Ammunition, em Oklahoma, e outro da JBS, com uma fábrica de linguiça em Iowa, no valor de US$ 135 milhões.
Murakami ressaltou que a JBS opera em 31 estados americanos, emprega 78 mil pessoas e trabalha com 10 mil produtores rurais americanos.
Desafio das tarifas
Em seu discurso, Murakami não falou diretamente sobre as tarifas que os EUA têm imposto ao Brasil, mas disse que as relações enfrentam "tempos um pouco difíceis".
"Pude ver de perto, ser testemunha do poder subnacional, da diplomacia subnacional, de todas as relações que acontecem fora das capitais, fora de Brasília e de Washington e sobretudo o poder do setor privado", afirmou.
"As relações entre nossos países estão mudando tão rápido. Hoje é bem diferente do que era quando cheguei, há apenas nove meses. Claro, desafios existem. A gente não pode negar isso, mas ao mesmo tempo, não devemos superestimar esses desafios. Mas, sobretudo, existem oportunidades e não devem subestimá-las", afirmou.
O governo Trump tem deixado claro, desde o ano passado, que espera mais investimentos estrangeiros nos Estados Unidos, e outros países, como o Japão, fecharam acordos para reduzir tarifas comerciais americanas em troca de investimentos de grandes empresas de seus países nos EUA.
Na semana passada, o governo americano concluiu duas investigações sobre o Brasil, conduzidas pelo Escritório do Representante do Comércio (USTR). O órgão recomendou a aplicação de duas tarifas contra o país, de 25% e 12%, mas abriu espaço para negociações até julho. Há também exceções para diversos itens.
Uma audiência sobre o tema foi proposta para o dia 6 de julho, que será aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país.
Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderão implantar novas tarifas contra o país, além das que já estão em vigor.
