'Fora das manchetes, relação entre Brasil e EUA é a melhor possível', diz Ricardo Faria

Para Ricardo Faria, CEO da Global Eggs, uma das maiores produtoras globais de ovos, a relação entre Brasil e Estados Unidos possui "faíscas", mas tem fluído bem nas relações empresarias.
Faria disse que a empresa investiu US$ 1,2 bilhão nos EUA, adquiriu empresas americanas e, com isso, seu grupo se tornou o segundo maior produtor de ovos nos Estados Unidos.
A gente precisa de ações com o Estado americano o tempo inteiro. Fora dessas manchetes de jornais, fora das capitais, essa relação é a melhor possível", disse Faria, no Seminário Econômico Lide EUA-Brasil, em São Paulo, nesta terça-feira, 9.
"Todos os executivos que a gente teve que trazer do Brasil, a gente conseguiu trazer, digamos, os vistos, super bem-vindos aqui e todos os executivos brasileiros que a gente teve que expatriar da mesma forma", afirmou.
"A quantidade de capital que existe nos Estados Unidos é uma coisa impressionante. A gente acabou de receber um acordo de um fundo americano de 1 milhão de dólares. Quando a gente foi passar isso pelo Departamento de Justiça americano, foi uma operação que demorou apenas 12 dias", disse.
Carga tributária menor
Faria afirmou que as mudanças feitas pelo governo americano feitas pela Big Beautiful Bill (BBB), um pacote aprovado no ano passado pela gestão Trump, facilitou ainda mais os negócios.
"Tudo aquilo que a gente faz como investimento, a gente consegue fazer com depreciação já no primeiro ano. Por exemplo, compra um avião para a companhia e deprecia no primeiro ano. Isso faz com que, enquanto no Brasil a gente tenha uma carga tributária de 34,5%, nos EUA a gente tenha 21%. Com o BBB, a carga tributária real cai para abaixo de 10%", afirmou.
Sobre a relação bilateral entre os governos, Faria disse que "existe faísca e ruído". "O papel da diplomacia brasileira é que a gente não pode e não deve deixar isso escalar mais do que já está", disse. "É hora de jogar água nessa faísca, que claramente existe."
