Israel amplia ofensiva no Líbano após ameaça do Irã; entenda

Ao menos oito pessoas morreram nesta terça-feira, 9, em um ataque aéreo israelense contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano.
Horas depois, o Exército de Israel determinou a evacuação total da cidade, em mais um capítulo da ofensiva contra o Hezbollah que ameaça comprometer os esforços diplomáticos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A escalada ocorre apenas um dia após o Irã anunciar a suspensão dos ataques contra Israel e advertir que poderá voltar a agir militarmente caso os bombardeios israelenses contra o Líbano continuem.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, outras 32 pessoas ficaram feridas no ataque. Equipes de resgate seguiam trabalhando entre os escombros em busca de sobreviventes.
Após o bombardeio, o Exército israelense pediu que todos os moradores deixassem imediatamente Tiro e se deslocassem para áreas localizadas ao norte do rio Zahrani, cerca de 30 quilômetros distante.
"Por sua segurança, pedimos que saiam imediatamente de suas casas (...) e se dirijam ao norte do rio Zahrani", informou a força militar em comunicado.
Um correspondente da AFP relatou intenso fluxo de veículos deixando a cidade logo após a emissão do alerta.
Israel já havia atacado Tiro diversas vezes desde o início da ofensiva contra o Hezbollah. No entanto, segundo a agência estatal libanesa NNA, esta foi a primeira vez que a área cristã da Cidade Velha foi incluída em uma ordem formal de evacuação.
O Exército israelense declarou toda a região ao sul do rio Zahrani como zona de combate.
Hezbollah segue no centro da crise
A ofensiva acontece em meio à tentativa dos Estados Unidos de preservar o cessar-fogo firmado entre Israel e Irã em abril.
Na segunda-feira, Teerã anunciou a suspensão dos ataques após uma breve troca de bombardeios com Israel, o primeiro confronto direto entre os dois países desde a entrada em vigor da trégua mediada pelo presidente americano Donald Trump.
Apesar da pausa nos ataques, o governo iraniano deixou claro que considera o Líbano peça central de qualquer acordo regional.
O comando das Forças Armadas iranianas afirmou que poderá retomar as ações militares caso Israel mantenha os ataques contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também afirmou que o país continuará negociando, mas sem abrir mão de responder a novas ofensivas.
Negociações enfrentam impasse
Enquanto Washington tenta construir um acordo mais amplo para reduzir as tensões na região, Israel insiste que continuará sua campanha militar contra o Hezbollah.
Já o Irã exige que qualquer entendimento inclua o fim das operações israelenses em território libanês.
Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo entre Israel e o governo do Líbano. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Hezbollah e pelo próprio Irã, que defendem a retirada completa das forças israelenses do país.
Mesmo após o anúncio da trégua, ataques esporádicos continuaram ocorrendo, alimentando dúvidas sobre a viabilidade de um acordo duradouro.
Segundo as autoridades libanesas, os bombardeios israelenses já mataram mais de 3.600 pessoas desde março e provocaram o deslocamento de mais de 1 milhão de moradores.
Do lado israelense, o Exército afirma que 29 soldados e um civil morreram desde o início dos confrontos.
*Com AFP
