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Mundo
09/06/2026
3 min

Peru tem disputa voto a voto: exterior e zonas rurais devem definir vencedor

Peru tem disputa voto a voto: exterior e zonas rurais devem definir vencedor

Com vantagem de apenas 0,1 ponto percentual, a disputa presidencial no Peru segue indefinida e deve ser decidida pelos votos do exterior e de regiões rurais ainda em apuração.

Com cerca de 96% das urnas contabilizadas, o candidato de esquerda Roberto Sánchez tem 50,07% dos votos válidos, contra 49,93% de Keiko Fujimori, uma diferença inferior a 27 mil votos.

A reta final da contagem colocou frente a frente dois grupos eleitorais que podem definir o próximo presidente peruano. Sánchez aposta nos votos pendentes das áreas rurais e andinas, onde a esquerda tradicionalmente registra melhor desempenho.

Já Keiko espera reverter a desvantagem com os votos do exterior e com atas eleitorais que ainda passarão por auditoria antes de serem incorporadas ao resultado oficial.

O candidato de esquerda assumiu a liderança apenas quando a apuração ultrapassou 93% das urnas, à medida que começaram a ser contabilizados os votos de regiões mais afastadas do país.

Atualmente, Sánchez lidera em 16 dos 24 departamentos peruanos, enquanto Keiko mantém ampla vantagem em Lima, principal colégio eleitoral do país, onde recebeu mais de 63% dos votos.

Votos do exterior podem favorecer Keiko

A principal aposta da candidata de direita está na contagem dos votos dos peruanos que vivem fora do país. A diáspora representa cerca de 4,4% do eleitorado e está concentrada principalmente nos Estados Unidos, Espanha e Argentina.

Embora o voto no exterior não seja obrigatório, cerca de 300 mil eleitores costumam participar das eleições. Historicamente, esse segmento tende a apoiar candidatos de direita.

No primeiro turno, Keiko recebeu aproximadamente 52 mil votos desse grupo, enquanto Sánchez obteve pouco mais de 7,9 mil.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru, a apuração dos votos no exterior deve ser concluída até quarta-feira.

Outro fator decisivo são cerca de 1,5 mil atas eleitorais encaminhadas aos Júris Eleitorais Especiais para revisão. Esses documentos passarão por um processo de auditoria antes de serem incorporados à contagem final.

Estimativas apontam que essas atas podem acrescentar aproximadamente 300 mil votos ao resultado definitivo. Integrantes do partido Força Popular afirmam que cerca de 900 delas são de cidades das províncias de Lima e Callao, regiões onde Keiko registrou desempenho superior ao do adversário.

A diferença atual mantém o cenário completamente aberto. Nas últimas eleições presidenciais, margens apertadas já marcaram as derrotas de Keiko Fujimori: ela perdeu por cerca de 41 mil votos em 2016 e por aproximadamente 44 mil em 2021.

Analistas avaliam que a definição do próximo presidente dependerá justamente dos segmentos que ainda não foram totalmente contabilizados. Enquanto a campanha de Sánchez aposta na força do eleitorado rural, aliados de Keiko acreditam que os votos do exterior e as atas pendentes podem ser suficientes para inverter o resultado.

*Com O Globo

AutorEstela Marconi
FonteExame
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