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Mundo
09/06/2026
3 min

Roberto Sánchez vira sobre Keiko Fujimori e assume liderança na eleição do Peru

Roberto Sánchez vira sobre Keiko Fujimori e assume liderança na eleição do Peru

A disputa pela Presidência do Peru ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira, 9. Com pouco mais de 93% das urnas apuradas, o candidato de esquerda Roberto Sánchez assumiu a liderança da corrida eleitoral e passou à frente de Keiko Fujimori, candidata da direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

Segundo os dados oficiais, Sánchez aparece com 50,01% dos votos válidos, contra 49,98% de Keiko. A diferença é de apenas alguns milhares de votos, o que mantém o resultado indefinido.

A expectativa é que a vantagem do candidato de esquerda possa crescer à medida que sejam contabilizados os votos de regiões rurais, onde ele concentra sua principal base eleitoral. Além disso, cerca de 400 mil votos registrados em atas contestadas ainda precisarão ser analisados pelas autoridades eleitorais.

Apuração segue indefinida

A contagem apertada levou os dois candidatos a evitarem qualquer declaração de vitória antecipada.

Em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, Keiko Fujimori pediu paciência aos apoiadores e afirmou que o processo ainda terá "dias longos pela frente". Já Sánchez classificou a disputa como um "empate técnico" e ressaltou que o resultado permanece em aberto.

Pesquisas de boca de urna e projeções divulgadas após o fechamento das urnas também indicaram um cenário extremamente equilibrado, sem condições de apontar um vencedor com segurança.

Analistas avaliam que o resultado reflete a forte polarização do país.

"O vencedor terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil", afirmou à AFP Paulo Vilca, pesquisador do Instituto de Estudos Peruanos.

País busca estabilidade após década de turbulência

A eleição é vista como uma tentativa de encerrar um dos períodos maisinstáveis da história recente do Peru. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, entre renúncias, impeachments, destituições e governos interinos.

Mais de 27 milhões de eleitores foram convocados para escolher quem governará o país entre 2026 e 2031.

A insegurança pública também se tornou um dos principais temas da campanha. O avanço da criminalidade e das extorsões dominou o debate eleitoral, especialmente nas grandes cidades.

Keiko Fujimori defende medidas de linha dura, incluindo maior presença militar em áreas consideradas críticas e endurecimento das políticas migratórias. Já Sánchez propõe reformas nas forças de segurança e no sistema judicial, além de medidas de combate à corrupção.

Duas visões opostas para o Peru

Keiko, de 51 anos, aposta no legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Seus apoiadores destacam a estabilização econômica e o combate à insurgência durante o período, enquanto críticos apontam violações de direitos humanos e práticas autoritárias.

Sánchez, de 57 anos, é ex-ministro e congressista. Durante a campanha, buscou se associar politicamente ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022.

Embora tenha adotado um discurso mais moderado no segundo turno, o candidato mantém propostas voltadas para aumento de salários e ampliação de programas sociais. Ao mesmo tempo, procurou tranquilizar investidores ao defender a manutenção da abertura econômica e da independência do Banco Central.

Quem vencer assumirá a Presidência em 28 de julho, mas deverá enfrentar um Congresso inclinado à direita e um país dividido praticamente ao meio pelas urnas.

*Com O Globo

AutorEstela Marconi
FonteExame
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