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Sacre Investimentos
Economia
09/06/2026
4 min

‘Trem da alegria’: Pacote de Lula para 2026 pode custar até R$ 295 bilhões e dificultar equilíbrio, diz gestora

‘Trem da alegria’: Pacote de Lula para 2026 pode custar até R$ 295 bilhões e dificultar equilíbrio, diz gestora

A combinação de medidas adotadas e estudadas pelo governo Lula para 2026 pode gerar um impacto de até R$ 295 bilhões e representar o segundo maior ciclo de estímulos pré-eleitorais da história recente do Brasil, segundo avaliação da TAG Invest.

Em carta divulgada neste mês, a gestora afirma que o conjunto de iniciativas tem caráter expansionista, aumenta os riscos para a inflaçãoe dificulta o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.

Na avaliação da TAG, o pacote reúne ações já implementadas e propostas em tramitação, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a expansão do crédito consignado privado, o programa Pé-de-Meia, mudanças no Auxílio Gás, subsídios ao crédito e a discussão sobre a redução da jornada de trabalho.

Somadas, essas medidas representam um estímulo fiscal e creditício que pode variar entre R$ 180 bilhões e R$ 295 bilhões, segundo estimativas de diferentes instituições citadas pela gestora.

“O que se anuncia como ‘estímulo à classe trabalhadora’ é, na essência, um trem da alegria mirando
4 de julho de 2026, data-limite para vigência das medidas de campanha no calendário eleitoral”, avalia TAG na carta mensal.

Para a casa de investimentos, embora cada iniciativa tenha justificativas sociais e políticas próprias, o conjunto das ações é considerado fiscalmente insustentável e foi desenhado em um contexto marcado pela proximidade das eleições de 2026.

“O conjunto é fiscalmente insustentável, macroeconomicamente expansionista e foi desenhado para vencer uma eleição, não para resolver um problema estrutural”, afirma no documento.

Segundo a gestora, o aumento de gastos, subsídios e incentivos ao crédito ocorre em um momento em que a economia já opera com mercado de trabalho aquecido, ampliando as pressões sobre os preços e exigindo uma política monetária mais restritiva.

“O resultado mecânico é mais inflação, juros estruturalmente mais altos e câmbio sob pressão”, escreveu a casa.

A carta também destaca a situação das contas públicas. Segundo a gestora, a dívida bruta do governo geral atingiu 80,1% do PIB em abril, enquanto projeções apontam para uma relação dívida/PIB próxima de 100% até 2032 caso não sejam adotadas medidas adicionais de ajuste fiscal.

Entre os pontos que mais preocupam a TAG está a possível aprovação da redução da jornada semanal de trabalho. Com base em estudo do BTG Pactual citado no documento, a gestora afirma que uma migração para 40 horas semanais poderia elevar os custos de pessoal em diversos setores e gerar impacto mensal de cerca de R$ 10 bilhões na massa salarial das empresas.

A análise também chama atenção para o avanço de mecanismos parafiscais, como fundos e programas financiados fora do orçamento tradicional da União. Na visão da casa, essas iniciativas ajudam a cumprir metas fiscais no papel, mas aumentam a pressão sobre a dívida pública.

“O arcabouço fiscal perdeu, já faz tempo, a sua credibilidade e navegamos sem a menor âncora fiscal”, afirma o relatório.

Ao comparar o momento atual com outros ciclos eleitorais, a TAG conclui que o pacote em discussão para 2026 configura o segundo maior conjunto de estímulos classificados como populistas da história recente do país, atrás apenas das medidas adotadas durante o primeiro governo Dilma Rousseff antes da recessão de 2015 e 2016.

Como investir em meio aos riscos fiscais

Diante desse cenário, a TAG recomenda uma estratégia mais defensiva para os investidores, com maior diversificação internacional e proteção contra a inflação.

Segundo a gestora, pelo menos 30% do patrimônio deveria estar alocado em moeda forte, especialmente em dólar, como forma de reduzir a exposição aos riscos políticos e fiscais domésticos.

“O Brasil representa cerca de 1% dos ativos investíveis, tem volatilidade política e macro e um quadro fiscal que aponta para mais inflação e desvalorização estrutural da moeda”, destaca a carta.

Nos investimentos locais, a recomendação é priorizar ativos capazes de preservar o poder de compra em um ambiente de inflação persistente. A TAG cita títulos públicos indexados ao IPCA, além de instrumentos isentos de Imposto de Renda, como debêntures incentivadas, CRIs, CRAs, LCIse LCAs.

“Nos ativos domésticos, nosso foco é sempre proteção inflacionária com ativos IPCA, títulos públicos e boas empresas pagando 7% ou mais de juro real isento de IR”, afirma a gestora.

Na avaliação da casa, a combinação entre expansão fiscal, aumento da dívida pública e juros elevados deve continuar sendo um dos principais fatores a influenciar os mercados brasileiros nos próximos anos, reforçando a importância da diversificação e da busca por ativos de proteção patrimonial.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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