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Sacre Investimentos
Mundo
20/08/2026
4 min

1.300 projetos, US$ 330 bi em dívidas: fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua

Tribunal de Shenzhen condenou Xu Jiayin e outros 56 envolvidos no caso, que marcou o colapso de uma das maiores incorporadoras da China

1.300 projetos, US$ 330 bi em dívidas: fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua

O fundador da gigante imobiliária chinesa Evergrande, Xu Jiayin, conhecido internacionalmente como Hui Ka Yan, foi condenado nesta quinta-feira à prisão perpétua por uma série de crimes financeiros.

O empresário, que já foi um dos homens mais ricos da China,também terá todos os seus bens confiscados.

A decisão foi tomada por um tribunal de Shenzhen, no sul da China, que considerou Xu culpado de falsificação de informações financeiras, emissão fraudulenta de valores mobiliários, captação ilegal de recursos, divulgação irregular de informações, suborno e apropriação indevida de ativos da empresa.

O tribunal também determinou que os ganhos obtidos ilegalmente sejam recuperados. Caso os valores não sejam suficientes para cobrir os prejuízos provocados pelos crimes, os condenados deverão ressarcir a diferença.

A Evergrande Group foi multada em 8,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 1,3 bilhão, enquanto a Hengda Real Estate, principal unidade imobiliária do grupo na China, recebeu uma multa de 7 bilhões de yuans.

Outras 56 pessoas envolvidas no caso também foram condenadas, com penas que variam de um ano e dez meses a 18 anos de prisão.

De bilionário a símbolo da crise imobiliária

Xu, hoje com 67 anos, nasceu em 1958 na província de Henan e cresceu em uma família pobre. Em 1992, deixou um emprego em uma siderúrgica e começou a atuar no mercado imobiliário em Guangzhou. Quatro anos depois, fundou a Evergrande.

A companhia cresceu durante o boom imobiliário chinês e chegou a ser a maior incorporadora do país em vendas. No auge, mantinha mais de 1.300 projetos em 280 cidades e expandiu seus negócios para áreas como água engarrafada, futebol e veículos elétricos.

O crescimento foi financiado por um elevado volume de dívida. A Evergrande se tornou a maior devedora em dólares entre as incorporadoras chinesas e, posteriormente, a empresa mais endividada do setor imobiliário no mundo.

A expansão começou a ruir quando Pequim endureceu, a partir de 2020, as regras para o financiamento de incorporadoras altamente alavancadas. Sem o mesmo acesso ao crédito, a Evergrande enfrentou uma crise de liquidez e entrou em moratória em 2021.

O colapso da empresa transformou Xu no principal rosto da crise imobiliária chinesa, que se prolonga desde o início da década.

Fraude financeira

Segundo a Justiça chinesa, entre 2016 e 2021, Xu e empresas do grupo realizaram operações financeiras fraudulentas em larga escala para inflar artificialmente ativos e esconder passivos.

As autoridades chinesas já haviam acusado a Hengda Real Estate de inflar sua receita em mais de 560 bilhões de yuans ao reconhecer vendas antecipadamente. O caso também envolveu cerca de US$ 12,7 bilhões em lucros considerados fraudulentos.

O tribunal afirmou ainda que Xu utilizou sua posição como presidente da Hengda para organizar as fraudes e se apropriar de recursos da companhia por meio de mecanismos de distribuição de dividendos.

Em abril, o empresário havia se declarado culpado das acusações e expressado arrependimento. Ele estava sob uma forma de vigilância residencial pelas autoridades chinesas desde 2023.

Fim da Evergrande ainda está longe

A condenação de Xu encerra uma das trajetórias mais emblemáticas de ascensão e queda empresarial da China, mas não resolve os problemas financeiros deixados pelo colapso da Evergrande.

A empresa acumula passivos de cerca de US$ 330 bilhões e está em processo de liquidação. Em janeiro de 2024, um tribunal de Hong Kong determinou o encerramento da companhia depois que a incorporadora não conseguiu apresentar um plano de reestruturação considerado viável.

A liquidação abriu uma longa disputa entre credores dentro e fora da China, que tentam recuperar parte dos recursos perdidos. O processo é particularmente complexo porque a maior parte dos ativos da Evergrande está no território continental chinês, enquanto a decisão de liquidação foi tomada em Hong Kong.

A condenação de Xu também se soma a uma série de medidas tomadas pelas autoridades chinesas contra executivos de grandes conglomerados nos últimos anos, em uma tentativa de responsabilizar empresários por fraudes e práticas financeiras consideradas ilegais.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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