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CarreiraBDR
08/10/2026
7 min

186 candidaturas e 1 oferta: a jovem que usou IA para estudar as próprias rejeições e foi contratada

Aos 24 anos, Margareth Gono tratou a busca por emprego como um funil de dados até chegar a uma vaga na DoorDash

186 candidaturas e 1 oferta: a jovem que usou IA para estudar as próprias rejeições e foi contratada

RESUMO | Margareth Felicia Gono, indonésia de 24 anos que concluiu um mestrado nos Estados Unidos, transformou a busca por emprego em um projeto de análise de dados. Com a ajuda do Claude, assistente de IA da Anthropic, ela registrou cada candidatura, comparou o currículo com as descrições de vaga, analisou o tom das próprias entrevistas e pesquisou os entrevistadores. Foram 186 candidaturas, 19 entrevistas e uma oferta, como associada sênior na DoorDash. O método mostra que a IA ajuda a enxergar padrões, mas a decisão sobre o que fazer com eles continua sendo do candidato.


Margareth Felicia Gono enviou 186 candidaturas antes de receber uma proposta de emprego. Em vez de contar cada silêncio como um fracasso pessoal, a indonésia de 24 anos passou a registrar os resultados e a usarinteligência artificial para descobrir onde o processo travava.

A estratégia terminou em uma vaga de associada sênior na DoorDash, empresa americana de entregas por aplicativo, contratada poucos meses depois de concluir um mestrado em análise aplicada, em maio.

A história foi contada por ela ao jornalista Tim Paradis, do Business Insider. Formada em uma universidade particular e com mestrado em uma instituição da Ivy League, Gono buscava a primeira experiência corporativa nos Estados Unidos e tinha uma barreira a mais: como estudante internacional, precisava de visto para ser contratada.

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A ansiedade virou planilha

No começo, a busca foi dispersa. Pressionada pelo visto, Gono se candidatava a qualquer vaga com alguma relação com sua experiência, mesmo que não fosse a ideal.

A virada veio quando ela decidiu medir o que acontecia. Quais cargos davam retorno, quais não davam, que padrões se repetiam. Para ela, a ansiedade funcionava como um conjunto de dados ainda não processado, e cansada de se sentir mal com a busca, resolveu aprender alguma coisa com ela.

A dúvida ficou mais concreta na segunda ou terceira rodada de entrevistas, quando percebeu certa hesitação dos recrutadores. O problema era ela, a experiência, o currículo ou a necessidade de visto?

O Claude como consultor de carreira

Para responder, Gono montou um rastreador de candidaturas com o Claude. A cada vaga, colava a descrição e pedia à ferramenta que apontasse as principais habilidades, palavras-chave e temas. Depois, criou uma automação que comparava a vaga com o currículo e indicava quais termos importantes estavam faltando, uma versão caseira da pontuação usada pelos sistemas de triagem de candidatos, os ATS.

O objetivo não era inventar experiência nem soar igual a todos os outros candidatos. Ela queria ver onde sua trajetória não estava sendo comunicada com clareza. Às vezes, bastava mudar um tópico do currículo. Em outras, a análise mostrava que se candidatar seria perda de tempo.

Usando a IA como uma espécie de coach, Gono identificou três coisas de que gostava: conversar com pessoas, deixar as coisas bonitas e encontrar padrões. O resultado foram três currículos diferentes, um para análise de dados, outro para vendas e marketing e um terceiro para consultoria.

O funil por trás de uma oferta

Os registros viraram um painel simples, também montado com ajuda da IA. Os números de toda a busca ficaram assim:

  • 186 candidaturas
  • 44 abordagens diretas a profissionais, sem indicação prévia
  • 19 entrevistas
  • 6 testes para fazer em casa
  • 3 rodadas finais
  • 1 oferta

Na prática, cerca de uma em cada dez candidaturas virou entrevista. Ver os dados dessa forma, segundo ela, fez o processo parecer menos uma sequência de 185 fracassos pessoais e mais um funil que podia ser melhorado a cada etapa.

Entrevista como conversa, não como teste

Gono também mudou a postura diante dos recrutadores. Passou a tratar cada entrevista como uma conversa de verdade, e não como uma audição, e a procurar alguém que fosse, mais do que um bom chefe, um bom mentor.

Quando o recrutador avisava que usaria uma IA para anotar a conversa, ela pedia para gravar também. A maioria recusou. Nas vezes em que pôde gravar, rodou uma análise de sentimento nas transcrições para ver onde hesitou ou usou palavras de preenchimento, em que momentos o entrevistador pediu mais detalhes e quando ele pareceu interessado, concordou ou riu. Sem gravação, anotava logo depois o que lembrava: as perguntas, os trechos em que se alongou demais e o que despertou interesse.

A IA ajudou ainda a pesquisar quem estava do outro lado da mesa. Gono copiava o conteúdo do perfil do entrevistador no LinkedIn e pedia ao Claude, que já conhecia sua trajetória pelo uso frequente, para encontrar pontos em comum. Em um dos casos, a conexão com um recrutador veio de um clube de queijos do qual os dois tinham participado, em épocas diferentes. Segundo ela, isso a levou mais longe do que qualquer carta de apresentação.

As perguntas do fim da entrevista também entraram na estratégia. Ela costumava perguntar como o entrevistador chegou ao cargo atual e que conselho daria a alguém recém-formado. Na avaliação dela, quem deixa de ser conduzido e passa a participar da conversa avança mais.

Onde a IA para

Gono reconhece que a síndrome do impostor aparece com facilidade. Para lidar com ela, se apoiava na preparação: conhecia a própria experiência, tinha pesquisado a empresa e sabia por que queria a vaga. Se uma empresa não visse valor nisso, outra veria.

Para ela, como todos têm acesso à IA hoje, usar a ferramenta deixou de ser diferencial. O que conta é saber o que perguntar, interpretar o que a IA entrega e reconhecer onde o julgamento humano ainda decide. A tecnologia aponta padrões e pode abrir portas, mas não faz ninguém querer uma vaga nem faz o recrutador se lembrar de você.

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Cada etapa da seleção pode ser treinada

O caso de Gono mostra que um processo seletivo tem fases distintas, da leitura da vaga à última pergunta da entrevista, e que cada uma pode ser analisada e melhorada.

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Como usar IA para adaptar o currículo a uma vaga?

Uma forma é colar a descrição da vaga e o currículo em uma ferramenta de IA e pedir que ela aponte as habilidades e palavras-chave importantes que não aparecem no seu texto. Margareth Gono usou esse método para ajustar tópicos do currículo e descartar vagas pouco aderentes, sem inventar experiências.

Vale ter mais de um currículo?

No caso de Gono, sim. Ela criou três versões, para análise de dados, vendas e marketing e consultoria, depois de identificar com a ajuda da IA os tipos de trabalho de que mais gostava.

Quantas candidaturas são necessárias para conseguir um emprego?

Não há número fixo. No caso relatado, foram 186 candidaturas, 19 entrevistas e uma oferta, o equivalente a cerca de uma entrevista para cada dez candidaturas.

O curso Processo Seletivo Na Prática é gratuito?

Sim. O curso é online e gratuito, com oito módulos sobre as etapas de uma seleção, incluindo currículo, LinkedIn e treino de entrevista com IA.

AutorRaphaela Seixas
FonteExame
Distribuído por