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Sacre Investimentos
InvestMercados
02/08/2026
3 min

2021 ficou para trás? Por que essas empresas de consumo adiaram o IPO

Jersey Mike's caiu quase 6% na estreia e Reformation ficou estável, refletindo cautela do setor

2021 ficou para trás? Por que essas empresas de consumo adiaram o IPO

A febre das ofertas públicas iniciais (IPOs) que marcou 2021 ficou para trás. Cinco anos depois, um número crescente de empresas de consumo prefere permanecer no mercado privado por mais tempo, aproveitando a maior oferta de capital e a expansão do mercado secundário, em vez de abrir o capital na bolsa.

A mudança acontece mesmo com algumas estreias recentes em Wall Street. As varejistas Jersey Mike's e Reformation fizeram seus IPOs na quinta-feira, 30, mas tiveram desempenho discreto no primeiro dia de negociação.

A Reformation encerrou praticamente estável, enquanto a Jersey Mike's abriu acima do preço da oferta, mas terminou o dia com queda de quase 6%. Elas se juntam a um grupo reduzido de empresas de consumo que decidiram abrir capital em 2026.

Mercado privado ganha força

Para especialistas ouvidos pela CNBC, o principal motivo da mudança é que as empresas já conseguem levantar recursos e oferecer liquidez a investidores sem recorrer à bolsa.

O CEO da gestora Powerlaw, Mike Dinsdale, pontuou ao canal que o acesso a capital privado nunca foi tão amplo, com fundos de grande porte e investidores institucionais reduzindo a necessidade de abrir capital.

"Hoje existem menos de quatro mil empresas listadas em bolsa, contra quase oito mil há 30 anos", disse. Na avaliação dele, o avanço dos megafundos e o maior interesse de family offices por empresas privadas aceleraram essa tendência nos últimos cinco anos.

A expansão do mercado secundário também mudou essa dinâmica. A responsável global pela área de assessoria em capital privado do Raymond James, Sunaina Sinha Haldea, vê que esse segmento passou a funcionar como uma alternativa para gerar liquidez sem a necessidade de um IPO.

"O mercado secundário está atuando como uma válvula de escape para essa pressão gerada pelo cronograma artificial de ter de abrir o capital. Ninguém precisa abrir o capital agora, dada a profundidade desse mercado secundário privado", detalhou à emissora americana.

Bolsa perdeu parte do apelo

A volatilidade das bolsas também reduziu o interesse por IPOs. O cofundador da gestora de venture capital Patron, Jason Yeh, avaliou que o desempenho fraco de diversas empresas listadas recentemente tornou executivos e investidores mais cautelosos.

Gestores de grandes fundos e hedge funds continuam comprando participações em empresas privadas em estágio avançado, permitindo que elas adiem a abertura de capital e, ao mesmo tempo, ofereçam liquidez aos primeiros investidores.

Mas Yeh acredita que há diversas companhias preparadas para estrear na bolsa nos próximos 12 a 18 meses, caso o ambiente de mercado melhore. Para ele, empresas com forte geração de caixa continuam tendo motivos para realizar um IPO, desde que encontrem condições macroeconômicas mais favoráveis.

O peso de ser uma empresa listada

Outro fator que pesa na decisão é o aumento das exigências para companhias abertas. Além dos custos regulatórios, empresas listadas precisam divulgar resultados trimestrais e ficam mais expostas ao escrutínio de investidores e analistas.

Além disso, o debate ganhou força após o presidente Donald Trump defender o fim da obrigatoriedade de divulgação de resultados trimestrais. A proposta recebeu apoio do presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), Paul Atkins, que argumentou que as regras atuais impõem rigidez excessiva.

Haldea ainda levantou um questionamento. "Se você é CEO de uma empresa em rápido crescimento e há muito capital disponível, e não precisa lidar com a governança, as estruturas de prestação de contas e o ritmo trimestral de uma empresa de capital aberto, por que se submeteria a isso?"

Ela enxerga que, enquanto o custo financeiro e operacional de ser uma empresa listada continuar elevado, permanecer no mercado privado seguirá sendo uma alternativa mais atraente para boa parte das companhias.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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