3 mil pontos em 13 minutos: o gatilho que disparou o Ibovespa antes da eleição
Analistas acreditam que há espaço para o principal índice da bolsa brasileira avançar para os 220 mil pontos

O Ibovespa levou 13 minutos para dar um salto de 3 mil pontos na manhã desta terça-feira (20). O exterior ajuda, o petróleo também. Mas foi uma pesquisa eleitoral divulgada mais cedo que deu tração para o principal índice da bolsa brasileira.
O salto aconteceu por volta de 11h, quando o Ibovespa atingiu os 208.370,77 pontos (+1,60%) na máxima intradia. O recorde intradia foi registrado no último dia 5, logo depois do primeiro turno, quando o principal índice da bolsa brasileira chegou aos 209.605,70 pontos.
O trade eleitoral ganhou força após a primeira pesquisa Real Time Big Data para o segundo turno apontar Flávio Bolsonaro (PL) com 48% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto. O cenário é de empate técnico, se considerada a margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
"O grande direcionador das expectativas continua sendo a corrida presidencial, com agentes econômicos reagindo de forma bastante atenta às recentes pesquisas de intenção de voto e às perspectivas sobre o controle das contas públicas", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
No mercado de câmbio, o dólar à vista acompanha o movimento externo e opera em queda. Na mínima intradia, a moeda norte-americana chegou a ser cotada a R$ 5,0078 (-0,80%).
Exterior também embala o Ibovespa
Os gatilhos para alta também vêm do exterior. Um deles é a entrada de fluxo estrangeiro: o iShares MSCI Brazil (EWZ) sobe mais de 2%, ao nível de US$ 43.
- O iShares MSCI é um fundo de índice (ETF) negociado na Bolsa de Nova York que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro — e que também opera influenciado por fatores externos.
O outro gatilho é o barril do petróleo Brent acima de US$ 110 com nova escalada das tensões entre os houthis do Iêmen, aliados do Irã, e a Arábia Saudita. Em destaque, as ações da Petrobras (PETR4), que representam cerca de 13,5% do Ibovespa, sobem mais de 1% e figuram como os papéis mais negociados da B3.
"A condição de exportador líquido do petróleo oferece suporte adicional ao Brasil pela perspectiva de maiores receitas comerciais", afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
Segundo dados alfandegários divulgados nesta terça-feira (20), o Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como o segundo maior fornecedor de petróleo bruto para a China nos primeiros nove meses de 2026.
A China importou 44,29 milhões de toneladas de petróleo bruto do Brasil durante o período, em comparação com 43,12 milhões de toneladas da Arábia Saudita.
Até onde vai o Ibovespa?
O Ibovespa está em tendência de alta, segundo o Itaú BBA. O analista Lucas Piza calcula que, se o índice superar os 209.700 pontos, haverá espaço para novas valorizações até o nível dos 220 mil pontos no curto prazo. No médio prazo, o avanço poderá ser até os 245 mil pontos.
Para especialistas, o trade eleitoral deve continuar a ser determinante no desempenho do Ibovespa nos próximos dias.
"Como parte dos ganhos após o primeiro turno antecipava uma melhora fiscal, a continuidade de alta depende de propostas financiáveis e condições políticas para executá-las. Promessas de despesas sem compensação podem elevar o prêmio de risco, independentemente do candidato", diz Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
Na mesma linha, Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirma que o mercado busca sinais mais claros sobre política fiscal que poderá ser adotada a partir de 2027.
"As próximas pesquisas deverão funcionar como catalisadores para câmbio, bolsa e curva de juros, enquanto a percepção sobre o compromisso fiscal do próximo governo será determinante para a direção dos ativos após a eleição", afirma.
