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LifestyleBDR
24/09/2026
5 min

361°: a marca chinesa de tênis que quer ser a ‘BYD do esporte’ e concorrer com Nike e Adidas no Brasil

Com tênis que chegam a R$ 1.199, patrocínios no esporte e expansão internacional, a marca chinesa tenta deixar para trás a fama de produto “Made in China” e conquistar o consumidor brasileiro

361°: a marca chinesa de tênis que quer ser a ‘BYD do esporte’ e concorrer com Nike e Adidas no Brasil

A China já mostrou que consegue transformar fabricantes pouco conhecidos no Ocidente em gigantes globais. No setor automotivo, a BYD virou o exemplo mais evidente dessa mudança. Agora, outra companhia chinesa quer repetir a receita, mas, no lugar de carros elétricos, com tênis, roupas e equipamentos esportivos.

Fundada em 2003, em Xiamen, perto do Estreito de Taiwan, a marca 361° (se diz "trezentos e sessenta e um graus") quer ocupar esse espaço. A companhia, aliás, já construiu uma operação que hoje vai muito além da China. A marca possui mais de 8 mil lojas dentro e fora da China, em mais de 60 países.

A empresa está listada na Bolsa de Hong Kong desde 2009 e fechou 2025 com receita de 11,15 bilhões de yuan, cerca de US$ 1,5 bilhão pela cotação média do período, segundo o relatório anual da empresa. O faturamento cresceu 10,6% em um ano. O dado que mais chama atenção, porém, está fora da China. As vendas de varejo no exterior cresceram mais de 80% na comparação anual, enquanto o comércio eletrônico internacional avançou mais de 140%.

Loja da marca chinesa 361º na China
Loja da marca chinesa 361º na China - Imagem: Wikimedia Commons/ Public Domain

A “BYD do esporte”

A comparação com a fabricante de carros elétricos não surgiu por acaso. A marca quer usar escala industrial, velocidade de desenvolvimento e tecnologia para atacar categorias dominadas por empresas ocidentais.

Os alvos são os conhecidos Nike e Adidas, que continuam entre as marcas mais queridinhas do mundo, enquanto companhias como Asics, Puma e New Balance ocupam posições relevantes em diferentes categorias.

A marca, porém, ainda está muito distante desse grupo em reconhecimento. Mas sua estrutura já não é a de uma empresa pequena tentando entrar no mercado global. Em 2025, a divisão de calçados respondeu por mais da metade da receita total da empresa, que também vende roupas, acessórios e produtos infantis.

Um dos principais chamativos da marca está nas tecnologias de entressola de alguns de seus tênis. A empresa utiliza soluções da família CQT (Carbon Qu!ktical Tech), uma tecnologia baseada em ETPU (Poliuretano Termoplástico Expandido) com carbono reciclado. Segundo a empresa, o material oferece alta resiliência, propulsão e estabilidade.

Em relação aos modelos, porém, a 361° não se distancia muito do que outras marcas do mercado já oferecem. Os tênis de corrida, por exemplo, seguem uma construção semelhante à dos modelos tradicionais, com opções em cores neutras e vibrantes. Já a linha de basquete aposta em um design menos convencional, com modelos de perfil mais slim.

Tênis de basquete 361º
Tênis de basquete 361º
Tênis de corrida 361º
Tênis de corrida 361º - Imagem: Divulgação

Da fábrica para a própria marca

A 361° nasceu oficialmente em 2003, mas a história da família Ding no setor calçadista começou anos antes. Na década de 1980, o patriarca Ding Jiantong abriu uma fábrica de calçados em Jinjiang, na província de Fujian, na China. Anos mais tarde, ele chamou os dois filhos Ding Huihuang e Ding Huirong, e seu genro, Ding Wuhao, para ampliar os negócios da família. O movimento culminou na criação e no lançamento oficial da 361°, em 2003.

Ding Wuhao, CEO da chinesa 361º carregou a tocha olímpica no Rio em 2016
Ding Wuhao, CEO da chinesa 361º carregou a tocha olímpica no Rio em 2016 - Imagem: Xinhua/Wu Wei

Rapidamente, a marca começou a investir em pesquisa, desenvolvimento e distribuição. Em 2014, deu um passo importante para sair do mercado asiático ao fechar um acordo para apoiar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Dois anos depois, a 361° esteve entre as marcas que apoiaram a Rio 2016 e forneceu uniformes para funcionários e voluntários dos Jogos. A iniciativa ajudou a apresentar a empresa ao consumidor brasileiro antes de ela ganhar escala no país.

Mas a estratégia não ficou restrita ao Brasil, a 361° também construiu uma relação de longo prazo com os Jogos Asiáticos e atualmente mantém parcerias com eventos esportivos internacionais. A World Aquatics, por exemplo, lista a companhia como fornecedora global.

O Brasil já teve uma primeira tentativa

A relação com o país, porém, não é exatamente nova. A 361° chegou ao Brasil em 2014 e aproveitou a visibilidade da Rio 2016 para começar a vender seus produtos. A operação, porém, acabou interrompida no fim de 2019, durante uma reorganização internacional.

A empresa voltou ao mercado brasileiro em 2024, primeiro pelo comércio eletrônico e pelos marketplaces. Depois, passou a avançar sobre o varejo físico. Agora, a estratégia entra em uma nova fase.

Neste momento, a companhia quer ocupar espaço em multimarcas e redes especializadas. No Brasil, os produtos aparecem em canais como Centauro e Netshoes, além do site próprio. A empresa também montou uma equipe comercial dedicada e passou a buscar representantes em diferentes estados.

Tênis de corrida 361º
Tênis de corrida 361º - Imagem: Divulgação

Quanto custa um tênis da 361°?

A 361°, aliás, tenta se afastar da imagem de produto barato simplesmente porque é fabricado na China. Os modelos mais sofisticados de corrida da marca chegam a custar R$ 1.199 no mercado brasileiro, para o seu tênis de corrida, por exemplo. Enquanto modelos focados na prática de basquete variam entre R$ 499 e R$ 1.199.

O basquete, inclusive, é uma das principais categorias da 361° fora da China e também uma porta de entrada para consumidores mais jovens. No Brasil, a empresa concentra atualmente boa parte da operação em running e basquete, além de avançar em trilha e lifestyle, com modelos custando entre R$ 349 e R$ 849.

Tênis Lynx para trilha 361º (R$ 849)
Tênis Lynx para trilha 361º (R$ 849) - Imagem: Divulgação

Em 2023, a companhia assinou contrato com o jogador Nikola Jokić, astro do Denver Nuggets e três vezes o jogador mais valioso da NBA. O sérvio ganhou uma linha própria de calçados, incluindo a série Joker.

Hoje, a operação brasileira continua dependente de uma cadeia internacional de produção. A empresa já diversificou parte da fabricação para países como Vietnã e Indonésia, mas avalia parceiros para uma eventual produção no Brasil.

AutorSara Magalhães
FonteSeu Dinheiro
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