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14/08/2026
4 min

3tentos (TTEN3): 2T26 decepciona, mas Itaú BBA vê queda exagerada da ação e destaca potencial de alta

O segundo trimestre de 2026 (2T26) da 3tentos (TTEN3) foi fraco, “sem dúvida”, na avaliação do Itaú BBA. Ainda assim, o banco considera que a reação negativa das ações parece exagerada diante dos impactos esperados sobre os resultados da companhia e mantém recomendação outperform, equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 20. Considerando a cotação […]

3tentos (TTEN3): 2T26 decepciona, mas Itaú BBA vê queda exagerada da ação e destaca potencial de alta

O segundo trimestre de 2026 (2T26) da 3tentos (TTEN3) foi fraco, “sem dúvida”, na avaliação do Itaú BBA. Ainda assim, o banco considera que a reação negativa das ações parece exagerada diante dos impactos esperados sobre os resultados da companhia e mantém recomendação outperform, equivalente a compra, com preço-alvo de R$ 20.

Considerando a cotação de R$ 10,80 utilizada no relatório, o preço-alvo representa potencial de valorização de 85,2%.

A principal decepção veio do segmento Industrial. O Ebitda ajustado pós-hedge somou R$ 78 milhões, abaixo dos R$ 116 milhões projetados pelo Itaú BBA, mesmo depois de o mercado já ter reduzido suas expectativas para o trimestre.

Apesar disso, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama avaliam que parte relevante das pressões observadas no período tem caráter temporário e não deve necessariamente se estender para 2027.

Na visão do banco, isso significa que a revisão para baixo das estimativas de lucro pode ser bem mais limitada do que a queda recente das ações sugere.

“Continuamos enxergando a 3tentos como uma operadora sólida e uma das empresas mais bem posicionadas no agronegócio brasileiro no médio e longo prazo”, afirmam os analistas.

Onde o 2T26 decepcionou?

Enquanto os negócios de Varejo e Grãos apresentaram desempenho mais favorável, o Industrial concentrou as principais preocupações.

No Varejo, a receita ficou cerca de 2,5% acima da projeção do Itaú BBA, enquanto o lucro bruto, de R$ 96 milhões, ficou praticamente em linha com o esperado.

Já em Grãos, os maiores volumes de soja, favorecidos pelas safras robustas em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul e pela maior atividade de barter, levaram o lucro bruto a R$ 189 milhões, acima dos R$ 165 milhões previstos pelo banco.

A situação foi diferente no Industrial. Apesar de a receita ter ficado próxima das estimativas, a margem bruta de 12,2% chamou a atenção negativamente, com lucro bruto de R$ 245 milhões.

O Itaú BBA atribui parte da pressão à utilização abaixo do nível ideal da capacidade instalada após as expansões realizadas nos últimos trimestres, além de efeitos relacionados à comercialização de óleo de soja de terceiros e a um benefício tributário potencialmente menor.

Por isso, parte desses ventos contrários pode perder força já no terceiro e no quarto trimestres de 2026.

Os analistas observam ainda que as margens de esmagamento de soja para produtores não integrados estão extremamente comprimidas, em patamares que historicamente não se mostraram sustentáveis por períodos prolongados. Para o banco, isso pode sinalizar uma recuperação dos spreads da indústria no médio prazo.

Corte nas projeções preocupa menos

Outro ponto que pesou sobre a percepção do mercado foi a atualização das projeções da 3tentos para 2026.

A companhia reduziu em aproximadamente 30% sua previsão para o esmagamento de milho, o que também implica menores volumes de etanol, DDG e originação do cereal.

Para o Itaú BBA, porém, boa parte dessa revisão já era conhecida pelo mercado após a administração comunicar o atraso no início das operações da nova planta de etanol de milho.

O banco calcula um impacto de aproximadamente 10% nos resultados desse negócio, que deverá responder por menos de 10% do lucro bruto consolidado da 3tentos em 2026.

As novas projeções também apontam para volumes de óleo de soja e biodiesel cerca de 19% inferiores aos previstos anteriormente, mas os analistas entendem que esse efeito já apareceu, em grande medida, na decepção do 2T26.

Recompra reforça confiança

Junto aos resultados, a 3tentos anunciou um programa de recompra de até 5 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 4% do free float, com prazo de até 18 meses.

Embora o tamanho do programa seja relativamente pequeno, o Itaú BBA interpreta o movimento como um sinal positivo da confiança da administração nas perspectivas operacionais e no valor intrínseco da companhia, especialmente depois da forte queda das ações.

Para os analistas, as oportunidades de crescimento de longo prazo da 3tentos continuam oferecendo potencial relevante de criação de valor.

Queda da ação foi longe demais?

É justamente aí que está o principal argumento do Itaú BBA para manter a recomendação de compra.

As revisões negativas para 2026 pesaram sobre as ações nas últimas semanas, mas o banco vê pouca justificativa para aplicar um corte semelhante às estimativas de 2027.

Isso porque ainda existe baixa visibilidade sobre qual será a rentabilidade da indústria de esmagamento de soja no médio prazo, tornando arriscado simplesmente extrapolar para os próximos períodos a fraqueza observada no 2T26.

Além disso, o Itaú BBA identifica uma compressão dos múltiplos da 3tentos, embora não significativamente maior do que os padrões históricos de volatilidade da ação.

Nesse cenário, o banco considera que o valuation atual mais do que compensa os investidores pelos riscos da tese.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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