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29/07/2026
3 min

3tentos (TTEN3): BTG não vê deterioração estrutural após queda de 16% e reforça recomendação, apesar de 2T26 fraco

A forte queda das ações da 3tentos (TTEN3) no último pregão não altera a tese de investimento da companhia, na avaliação do BTG Pactual. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (29), o banco reiterou a recomendação de compra para os papéis e manteve o preço-alvo em R$ 26, mesmo após reduzir as projeções para o segundo […]

3tentos (TTEN3): BTG não vê deterioração estrutural após queda de 16% e reforça recomendação, apesar de 2T26 fraco

A forte queda das ações da 3tentos (TTEN3) no último pregão não altera a tese de investimento da companhia, na avaliação do BTG Pactual. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (29), o banco reiterou a recomendação de compra para os papéis e manteve o preço-alvo em R$ 26, mesmo após reduzir as projeções para o segundo trimestre de 2026.

Na visão dos analistas, o recuo de 16% das ações reflete a revisão para baixo das expectativas para o 2T26, principalmente no segmento industrial, responsável pelo esmagamento de soja. A deterioração da rentabilidade é explicada pela piora dos spreads da indústria, pressionados pela queda dos preços do biodiesel.

O BTG espera que a contração das margens da 3tentos seja ainda mais intensa do que a sugerida pelos indicadores do setor, projetando lucro bruto de R$ 372 por tonelada no segmento industrial, uma queda de 24% em relação ao trimestre anterior.



Apesar do desempenho esperado para o trimestre, o banco ressalta que não há motivos para interpretar o movimento como uma deterioração estrutural dos negócios da companhia.

“Assim como as margens retornaram à média em outros momentos, acreditamos que isso ocorrerá novamente”, afirmam os analistas.

Segundo o relatório, o segmento de esmagamento é naturalmente volátil e fatores como diferenças regionais de preços e operações de hedge dificultam que os spreads observados no mercado reflitam exatamente as margens reportadas pelas empresas.

A companhia divulga seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 no dia 13 de agosto.

Nos demais negócios, o BTG espera menos surpresas. No varejo, a receita deve crescer 23% na comparação anual, embora as margens devam ser pressionadas pelo maior peso das vendas de fertilizantes.

Já no segmento de grãos, a expectativa é de volumes recordes de comercialização de soja, impulsionados pelas boas safras no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, mas com normalização das margens após um primeiro trimestre excepcionalmente forte.

No consolidado, o banco projeta receita líquida de R$ 4 bilhões no segundo trimestre, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. O EBITDA é estimado em R$ 115 milhões, queda de 48% na base anual, com margem de 2,9%, a menor desde o segundo trimestre de 2024.

TTEN3: sem mudança na tese

Ainda assim, o BTG afirma que um trimestre fraco não compromete a visão de longo prazo para a companhia. As estimativas para 2027 permanecem praticamente inalteradas, enquanto apenas as projeções de curto prazo foram revisadas para incorporar os spreads mais fracos observados atualmente.

Os analistas argumentam que, para justificar uma queda semelhante no valor justo da empresa, seria necessário assumir uma deterioração permanente e relevante da rentabilidade, cenário que, segundo o banco, não é sustentado pelas informações disponíveis.

Além disso, o BTG destaca que ações cíclicas como a 3tentos costumam oferecer as melhores oportunidades de entrada justamente quando as margens da indústria estão abaixo da média do ciclo.

“O desempenho das ações no curto prazo continuará dependente da evolução dos spreads de esmagamento. No entanto, negociando a cerca de seis vezes o lucro estimado para 2027, vemos dificuldade em imaginar que os papéis permaneçam nos níveis atuais daqui a um ano”, conclui o banco.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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