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EmpresasACSCMDT
18/07/2026
5 min

3tentos (TTEN3): CEO vê preocupação excessiva com o biodiesel; ‘A Indonésia já está indo para B50 e nós estamos discutindo B16’

3tentos (TTEN3): CEO vê preocupação excessiva com o biodiesel; ‘A Indonésia já está indo para B50 e nós estamos discutindo B16’

O atraso na elevação da mistura obrigatória de biodiesel segue no radar da 3tentos (TTEN3). Para o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, o Brasil já superou as dúvidas técnicas sobre a qualidade do combustível renovável e precisa avançar na implementação da lei que prevê o aumento gradual da mistura.

Em entrevista ao Money Times, o executivo afirmou que a principal demanda do setor é por previsibilidade regulatória. Pela Lei do Combustível do Futuro, o país já deveria operar com a mistura B16 desde março deste ano.

“Já tínhamos que estar no B16 desde março deste ano. Estamos atrasados nesse ponto e agora talvez possamos ir direto para um B17 ou fazer os dois aumentos muito próximos, o que é positivo”, disse.

Na avaliação de Dumoncel, mais importante do que discutir se o próximo passo será o B16 ou o B17 é garantir segurança jurídica para que empresas possam investir com confiança.

“O que a gente quer é segurança jurídica. A lei existe e tem que ser cumprida. É isso que estamos buscando.”

‘Preocupação excessiva’ com o biodiesel

Embora reconheça que os órgãos responsáveis avançaram nas validações técnicas, o CEO acredita que parte da demora decorreu de uma cautela além do necessário em relação à qualidade do biodiesel.

“Infelizmente, a gente ainda tem, nos biocombustíveis, uma certa preocupação que eu julgo excessiva no sentido de qualidade. Hoje os biocombustíveis são mais do que testados.”

Para ilustrar esse ponto, Dumoncel compara o estágio brasileiro ao de outros mercados que já adotam misturas significativamente superiores.



“A Indonésia já está indo para B50 e nós estamos discutindo B16. Se nós tivéssemos qualquer mínimo problema, alguém estaria com B50? A Malásia está com B30, a Argentina e a Tailândia já estão acima de B10, além da Europa e dos Estados Unidos.”

Segundo ele, a discussão sobre o aumento da mistura obrigatória muitas vezes deixa de ser técnica.

“Às vezes, a discussão fica meio ideológica, no sentido de quem gosta e quem não gosta dessa pauta dos biocombustíveis.”

Biodiesel vai além da transição energética

Na visão do executivo, o avanço do biodiesel e do etanol não representa apenas uma agenda ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico e de segurança energética para o Brasil.

“Acho que biodiesel e etanol são duas grandes ferramentas que o Brasil tem de industrialização, de geração de renda, de interiorização do desenvolvimento e de segurança nacional do ponto de vista energético.”

Dumoncel lembra que a dependência global do petróleo continua sujeita a tensões geopolíticas e afirma que o Brasil possui uma vantagem competitiva ao contar com uma matriz energética mais diversificada.

“As cadeias ligadas ao petróleo são superinstáveis em termos de geopolítica. Não é de hoje, isso acontece desde as décadas de 60 e 70. O Brasil precisa fazer essa matriz diversificada prevalecer.”

O CEO também avalia que o debate sobre os biocombustíveis costuma deixar em segundo plano sua contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

“O biocombustível talvez seja o melhor guerreiro que nós temos na luta contra as emissões. Às vezes parece que as pessoas esquecem disso e focam muito no curto prazo.”

TTEN3: depois da queda com o B15, vem a alta com o B16?

No ano passado, as ações da 3tentos sentiram rapidamente a decisão do governo de adiar a implementação do B15. À época, os papéis chegaram a acumular queda de cerca de 13% em dois pregões, refletindo a frustração dos investidores com a interrupção do cronograma de aumento da mistura obrigatória de biodiesel.

Questionado se um eventual avanço para o B16 — ou até mesmo para o B17, diante do atraso no cronograma — poderia provocar um movimento semelhante, mas no sentido contrário, João Marcelo Dumoncel evitou fazer projeções sobre o comportamento da ação.

“Não dá para analisar nesse sentido, numa análise ampla.”

Ainda assim, o executivo reconheceu que qualquer aumento da mistura obrigatória representa um fator positivo para a companhia e para todo o setor de biodiesel.

“O óbvio é que qualquer incremento de mistura é positivo para a 3tentos e para todas as empresas do setor.”

SAF ainda não faz parte dos planos

Ao comentar o futuro dos combustíveis renováveis, Dumoncel afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar uma grande plataforma global de exportação de biocombustíveis, impulsionado por iniciativas como o avanço do etanol e o desenvolvimento do SAF (combustível sustentável de aviação).

Questionado se a 3tentos pretende produzir SAF no futuro, o executivo disse que esse ainda não é um projeto da companhia.

“Hoje não está no radar. Mas a 3tentos já está na cadeia dos biocombustíveis, historicamente com o biodiesel e agora também com o etanol. Talvez o SAF ou outros biocombustíveis avançados estejam no nosso radar no futuro, talvez não diretamente, mas de forma indireta.”

Para Dumoncel, a tendência é que o papel dos biocombustíveis ganhe ainda mais relevância nos próximos anos, tanto no mercado doméstico quanto internacional.

“Hoje essa pauta já não é apenas brasileira. É uma pauta mundial.”

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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