4 de julho: inflação atinge cachorros-quentes e fogos de artifício nos EUA

Quatro de julho é a maior festa nacional dos Estados Unidos. Milhões de americanos se reúnem no feriado para celebrar o aniversário da independência do país, com festas tradicionais repletas de fogos de artifício, grandes shows e as famosas competições de comer cachorro-quente. Esse ano, os EUA completam 250 anos de democracia ininterrupta, em um feriado com peso simbólico ainda maior.
Todavia, dos fogos às salsichas, o preço de todos os produtos que trazem as festividades à vida está elevado. Entre as tarifas de Trump e a guerra no Irã, a comemoração figura entre as mais caras da história com base no preço médio dos produtos, aponta o jornal Financial Times, que cobre assuntos econômicos.
Segundo o FT, os preços da carne moída, do ketchup e da alface — essenciais para os famosos hambúrgueres americanos — aumentaram 20% entre janeiro de 2025 e abril deste ano, enquanto a cerveja beirou 10% de aumento no mesmo período. O bife, um dos itens mais afetados pelos aumentos, encareceu 40% desde o fim da pandemia, à medida que produtores de carne são afetados por preços elevados devido às tarifas de Trump e à guerra do Irã, que encareceram matérias-primas fundamentais para fazendeiros, como fertilizantes.A inflação nos Estados Unidos voltou a ganhar força nos últimos meses, ampliando as preocupações dos consumidores e aumentando a pressão sobre o governo de Donald Trump. Dados referentes a 12 meses encerrados em maio mostram que o índice de preços ao consumidor avançou 4,2%, enquanto os preços ao produtor dispararam 6,5%, o maior patamar registrado desde novembro de 2022.
O movimento sugere uma intensificação das pressões inflacionárias ao longo da cadeia produtiva, o que pode resultar em novos aumentos de preços para os consumidores nos próximos meses.
Em Coney Island, o coração do 4 de julho em Nova York, clientes e trabalhadores do lendário restaurante de cachorro-quente Nathan's Famous, em operação contínua há 110 anos, sentem o aumento dos preços na pele.
"Este é Coney Island, normalmente a comida é mais cara aqui, mas os preços estão subindo mais, em um ritmo mais surpreendente", afirmou ao Financial Times Alex, funcionário de uma barraca no parque de diversões. Segundo ele, "posso ver mais clientes reclamando que os preços estão mais altos. Eles chegam, perguntam o preço e depois vão embora".
Em meio à perda de poder de compra das famílias, o cachorro-quente ainda é visto como uma opção mais barata para as celebrações de 4 de julho, em comparação com hambúrgueres, bifes e sanduíches de lagosta, outros pratos tradicionais do feriado. A rede Costco, por exemplo, mantém seu combo de cachorro-quente e refrigerante a US$ 1,50, apesar da forte alta nos preços da carne bovina.
"Eu só vim aqui porque queria conhecer o Nathan's mais famoso de todos. Caso contrário, estaria no Costco comendo o cachorro-quente deles", disse o cliente Andrew Flory, que pagou quase US$ 5 por um cachorro-quente simples.
A rede Nathan's Famous atribui os aumentos ao encarecimento da carne bovina e afirma que seus cachorros-quentes custam hoje 19% mais para serem produzidos do que há um ano.Peso político
Vista do Capitólio, sede do Congresso americano: custos de vida elevados podem prejudicar desempenho político da administração de Trump nas eleições de meio mandato em novembro (Mark Wilson/AFP)
O encarecimento do custo de vida também começa a produzir efeitos políticos. Uma pesquisa do Financial Times realizada em junho mostrou que 68% dos eleitores desaprovam a condução da inflação e do custo de vida pelo presidente americano, um aumento de dez pontos percentuais em relação ao levantamento realizado em abril.
O resultado reflete a crescente insatisfação dos americanos com a persistência da alta dos preços e reforça o peso da inflação como um dos principais desafios enfrentados pela Casa Branca; 40% descreveram sua situação financeira como "sobrevivendo" ou "relativamente ou muito difícil" — dois terços culpam as políticas do presidente Donald Trump pelos aumentos nos preços de mercadorias básicas.
Somando-se às pressões sobre o custo de vida estão os preços da gasolina, que permanecem bem acima dos níveis registrados antes de Trump bombardear o Irã, o que desencadeou uma crise energética global. O galão custa agora US$ 3,85, segundo a AAA Gas Prices, em comparação com pouco menos de US$ 3 no final de fevereiro.
Isso pesa para o republicano, que enfrenta eleições de meio mandato em novembro, que decidirão a maioria dos assentos do Congresso,e pintarão um quadro do apoio que a administração de Trump tem dentro e fora da política.
