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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
06/10/2026
6 min

5 empresas concentraram quase metade do rali eleitoral do Ibovespa: veja quais

Itaú BBA aponta quem carregou o índice após o primeiro turno e quais ações de qualidade ainda têm espaço para recuperar

5 empresas concentraram quase metade do rali eleitoral do Ibovespa: veja quais
  • • Financeiras, elétricas e energia responderam por cerca de 82% dos pontos ganhos pelo Ibovespa no pregão pós-eleição, segundo o Itaú BBA
  • • Itaú, B3, Petrobras, BTG Pactual e Bradesco somaram 46% da alta do índice; Vale, Embraer, Suzano e Gerdau foram na direção oposta
  • • Rede D'Or, Localiza, Sabesp e Equatorial são as ações de qualidade que seguem atrás do Ibovespa no ano e podem recuperar terreno
  • • Volta de estrangeiros e fundos locais à média histórica poderia trazer R$ 270 bilhões à bolsa brasileira

O Ibovespa acumula alta de 11% em outubro, e o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, sobe 15,4% no mês. Quase todo esse movimento veio de uma única sessão. Na segunda-feira, 5, o índice da bolsa brasileira teve a maior alta diária em seis anos e fechou pela primeira vez acima dos 206 mil pontos, em reação ao resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%, contrariando as pesquisas.

Mas a disparada não foi uniforme. Um relatório da equipe de estratégia de ações do Itaú BBA, assinado por Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, decompõe o rali e mostra que, apesar de uma alta generalizada, poucas ações e setores concentraram a maior parte dos ganhos, enquanto as exportadoras de commodities andaram para trás.

Bancos e Petrobras puxaram a fila

Dos 14.797 pontos somados pelo Ibovespa no pregão, 7.113 vieram do setor financeiro, o equivalente a 48,1% da alta. As empresas de energia elétrica e saneamento contribuíram com 20%, e o setor de petróleo e gás, com 13,8%. Juntos, os três grupos explicam cerca de 82% do avanço do índice.

A concentração também aparece no nível das ações. As cinco maiores contribuições individuais responderam por 46% dos pontos do Ibovespa:

  • Itaú Unibanco (ITUB4), alta de 10,4% e 1.771 pontos
  • B3 (B3SA3), alta de 22,6% e 1.530 pontos
  • Petrobras (PETR4), alta de 8,2% e 1.319 pontos
  • BTG Pactual (BPAC11), do mesmo grupo controlador da EXAME, alta de 22,5% e 1.268 pontos
  • Bradesco (BBDC4), alta de 13,6% e 950 pontos

Para o BBA, os números reforçam que o movimento foi conduzido principalmente por bancos e pela Petrobras, e não por uma recuperação ampla do mercado. Logo atrás das cinco primeiras aparecem Sabesp (SBSP3), com alta de 11,6%, Axia (AXIA3, ex-Eletrobras), com 7,9%, e Itaúsa (ITSA4), com 11,5%. A Localiza (RENT3) subiu 20,7% no dia.

Commodities na contramão

O único setor com contribuição negativa foi o de materiais básicos, que tirou 294 pontos do índice. Entre os papéis que mais pesaram contra estão Vale (VALE3), com queda de 1%, Embraer (EMBJ3), com recuo de 3,3%, Suzano (SUZB3), com baixa de 5,4%, e Gerdau (GGBR4), com perda de 1,2%.

O pregão foi marcado pelo tombo de 4,5% do dólar, que chegou a a ser negociado abaixo de R$ 5. O BBA vê nesse quadro uma rotação de recursos das commodities para os setores domésticos que lideraram o rali. Entre os cestos temáticos do banco, o de exportadoras é o de pior desempenho no mês, com alta de apenas 4,3%, menos da metade do Ibovespa.

As ações de qualidade que ficaram para trás

O relatório chama atenção para um descompasso entre qualidade e preço. Mesmo com o salto do índice, algumas empresas consideradas de alta qualidade pelo BBA continuam acumulando desempenho inferior ao do Ibovespa em 2026, o que, na avaliação dos estrategistas, abre espaço para uma recuperação.

O caso mais evidente é o da Rede D'Or (RDOR3). A rede hospitalar fica 19,3 pontos percentuais atrás do índice no ano, tem retorno médio sobre o patrimônio projetado em 24,5% entre 2026 e 2028 e negocia com desconto de 20,9% em relação à sua média histórica de preço sobre lucro. A Localiza (RENT3), mesmo depois da disparada de segunda-feira, segue 9,1 pontos atrás do Ibovespa, com retorno projetado de 16,9% e desconto de 14,1%.

Completam a lista a Sabesp (SBSP3), 9,7 pontos abaixo do índice no ano, e a Equatorial (EQTL3), 4,5 pontos atrás. As quatro fazem parte da carteira recomendada do Itaú BBA.

A escolha conversa com a estratégia mais ampla do banco, que mantém recomendação acima da média para o Brasil no contexto da América Latina. Os estrategistas preferem empresas sensíveis à queda dos juros, como concessionárias de energia e saneamento, que oferecem taxas internas de retorno reais de 10% a 12%, além de shoppings, bancos de qualidade, construtoras e saúde.

O BBA, porém, pondera que parte do otimismo já está nos preços. Pelos cálculos da equipe, os 206 mil pontos de segunda-feira são compatíveis com um cenário de ajuste fiscal gradual. Num quadro mais construtivo, com convergência das contas públicas, o índice poderia chegar a 246 mil pontos. A

Quanto dinheiro ainda pode entrar na bolsa

A parte mais otimista do relatório trata do fluxo. Se investidores estrangeiros e fundos locais voltarem a alocar em ações brasileiras nas proporções de suas médias históricas, a bolsa poderia receber cerca de R$ 270,2 bilhões, segundo as simulações do Itaú BBA. Os estrangeiros responderiam por aproximadamente 45% desse valor, e os fundos locais, por 55%.

Do lado de fora, cada ponto percentual a mais no peso do Brasil no índice MSCI de mercados emergentes, referência para gestores globais, representa cerca de R$ 79,3 bilhões em compras potenciais. Hoje o país tem 4% do índice. A volta à média histórica de 5,6% significaria entradas de R$ 123 bilhões, cerca de cinco vezes o saldo líquido de compras estrangeiras acumulado no ano.

O banco faz uma ressalva. O índice de emergentes mudou, e empresas ligadas à inteligência artificial ganharam participação e entregaram crescimento de lucros mais forte. Por isso, os estrategistas consideram menos provável que o Brasil volte ao seu peso máximo histórico, de 7,6%.

Estrangeiro primeiro, investidor local depois

O potencial maior, no entanto, está dentro de casa. Os fundos de ações representam hoje apenas 7,6% do patrimônio da indústria de fundos brasileira, ou R$ 687 bilhões. Cada ponto percentual a mais nessa fatia equivale a R$ 113,2 bilhões, cerca de 1,4 vez o efeito de um ponto a mais no MSCI.

A volta à média histórica de 8,9% de participação dos fundos de ações traria R$ 147,1 bilhões para a bolsa. Se a participação retornasse ao pico de 13,1%, o fluxo chegaria a R$ 622,4 bilhões. Para o BBA, esse movimento depende de os juros nominais caírem abaixo de 12%.

Daí a sequência desenhada pelos estrategistas. O investidor estrangeiro tende a ser a primeira onda de compras, e o local deve vir em seguida, à medida que os juros recuam. No pregão pós-eleição, os juros futuros despencaram nos vencimentos mais longos. O segundo turno, marcado para 25 de outubro, dirá se o movimento tem fôlego.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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