60% do mercado considera que regulação do BC foi boa para stablecoins, diz pesquisa
Empresas que atuam com criptoativos também defenderam a necessidade de auditorias independentes

Uma pesquisa realizada pela empresa de auditoria KPMG junto com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) mostrou que 60% do mercado considera positiva a regulamentação do Banco Central sobre stablecoins.
A pesquisa realizada de 12 de janeiro a 8 de junho deste ano com 70% de empresas criptonativas e 30% de bancos revelou que a maioria das instituições viu com bons olhos a chegada de regras claras com a regulamentação publicada no ano passado. Apenas 20% entende que o impacto das resoluções 519, 520 e 521 foi negativo para as stablecoins, e 10% optou por não responder.

O relatório da KPMG e da ABcripto lembra que as stablecoins passaram a ser explicitamente conectadas ao mercado de câmbio brasileiro pela Resolução 521, algo que traz previsibilidade jurídica apesar de impor obrigações de reporte, compliance e potencial incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Para 45% dos entrevistados, as normas do BC aumentam a atratividade da emissão de stablecoins no Brasil, ao passo que 22% consideram que o impacto é nulo e 11% acreditam que a atratividade diminui.
Em relação ao quanto a instituição pesquisada está enquadrada nos requisitos regulatórios do BC, 50% responderam que estão na fase final, 30% optaram por não responder, 10% disseram que estão em fase intermediária e 10% admitiram estar na fase inicial.
Na opinião de 40% dos entrevistados, há oportunidades para emissores de stablecoins que se adaptarem rapidamente às novas regras, enquanto 40% não enxergam essas oportunidades e 20% optaram por não responder.
Auditoria independente
Todos os entrevistados responderam que devem existir auditorias independentes sobre ativos mantidos como lastro, sendo que 12% avaliam que a frequência dessas auditorias deve ser anual, 25% semestral, 25% trimestral, 13% mensal e 25% diária.

Além disso, 80% disseram que a instituição emissora deve ter algum selo de certificação, contra 20% que afirmaram isso não ser necessário.
Em relação ao modelo ideal para obtenção de receita a partir do negócio de stablecoins, 43% afirmaram ser o rendimento dos ativos de reserva, ou seja, os juros pagos sobre os títulos públicos ou depósitos que a empresa mantém para garantir a paridade da stablecoin com a moeda de referência.
O que são stablecoins?
Stablecoins são criptomoedas cujo preço é sempre igual ao de uma unidade de uma moeda tradicional. Uma stablecoin de dólar como o USDT, por exemplo, valerá sempre US$ 1,00.
Esta paridade de 1:1 é obtida através da manutenção de reservas em dólar no mesmo montante ou superior à quantidade de moedas digitais emitidas. Como essas reservas geralmente são aplicadas em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, elas garantem um rendimento à empresa emissora.
Já para quem compra stablecoins a vantagem é ter uma exposição ao dólar sem passar pelo controle cambial do país nem pelas taxas de casas de câmbio. Tudo isso com negociação 24/7, já que os ativos estão registrados em blockchain e não no sistema financeiro tradicional.
