93% das empresas usam IA de forma desestruturada, diz Totvs. Como aplicar sem cilada?
Pesquisa da empresa de tecnologia mostra que 80% das companhias já têm algum uso da inteligência artificial, mas a maioria adota sem estratégia

Praticamente impossível falar sobre negócios e futuro empresarial sem um tema ser citado: inteligência artificial (IA). Essa tecnologia tem sido discutida repetidamente e aplicada de forma desenfreada nas companhias. Porém, para gestores da Totvs, há o risco de as empresas só adotarem a IA no contexto corporativo por moda e não enxergarem resultados.
Segundo um levantamento realizado pela Totvs em parceria com a MIT Sloan Management Review Brasil e divulgado nesta quarta-feira (13), 80% das empresas já usam IA de alguma forma.
O problema é que, desse bolo, 93% adotam inteligência artificial de forma desestruturada.
De acordo com a pesquisa produzida pela empresa de tecnologia, isso significa que a maioria esmagadora das companhias mantêm a IA fragmentada em diferentes áreas, sem que a tecnologia atue de fato na organização.
Na visão do CEO da Totvs, Dennis Herszkowicz, as companhias já usam a inteligência artificial no campo da pessoa física. Ou seja, cada funcionário adota como bem entende no dia a dia, seja uma ajuda para escrever e-mails, resumir relatórios, transcrever atas de reuniões e por aí vai.
Mas a tecnologia ainda não chegou no campo da pessoa jurídica.
“Do ponto de vista do impacto, ainda é bastante pequeno, não é parte da estratégia geral da companhia”, defende.
Para o executivo, os resultados da inteligência artificial só aparecem de fato quando está dentro da estratégia da companhia, em equilíbrio com a inteligência humana e aplicada em processos mais complexos.
Por exemplo, usar agentes de IA para automatizar processos financeiros, atender clientes, ajudar na gestão de estoques ou apoiar decisões estratégicas. É nesse estágio que surgem os maiores ganhos de produtividade, segundo Herszkowicz.
Por que adotar IA sem estratégia é cilada
Um dos erros mais comuns em meio ao hype da inteligência artificial é implementar a tecnologia sem um objetivo claro.
Gustavo Bastos, vice-presidente da Totvs, afirma que muitas empresas acabam buscando ferramentas de IA porque sentem que precisam acompanhar uma tendência do mercado.
"Se você está comprando uma tecnologia porque alguém disse que ela precisa estar na sua lista, já começou mal. Você precisa ter um problema concreto para resolver e um benefício concreto para alcançar", disse.
Apesar da popularização da tecnologia, 86% das empresas não medem os custos de implementação das iniciativas de IA e 88% não acompanham os resultados gerados pelos projetos.
Sem esses indicadores, fica difícil saber se a ferramenta está gerando produtividade, aumentando receitas ou reduzindo despesas, defende o executivo.
Como se diferenciar de verdade?
Segundo Bastos, a inteligência artificial avança de forma acelerada e já não é mais um diferencial apenas ter IA na empresa, como era no ano passado, por exemplo.
“O que separa empresas de alta performance é a capacidade de incorporar a inteligência artificial na operação real. Sem métricas é deixar de gerar valor. Quem consegue transformar essa adoção em produtividade mensurável, governada e com estratégia é quem se destaca”, diz o vice-presidente.
Na visão dele, as empresas devem focar primeiro em identificar o gargalo que querem eliminar, o processo no qual precisam ganhar eficiência ou o resultado esperado, do que escolher o modelo de IA que querem contratar.
Outro cuidado citado por Bastos é criar métricas para acompanhar os resultados e definir regras claras sobre o uso da tecnologia.
É importante, segundo ele, determinar o que pode ser feito com IA e estabelecer limites para evitar problemas relacionados a segurança e uso de dados.
Segundo a pesquisa, 43% dos funcionários têm receio de cometer erros por confiar demais na IA e 37% afirmam não saber usar as ferramentas corretamente.
Apesar disso, só 7% das empresas oferecem capacitação estruturada sobre o tema para toda a equipe.
Outro dado relacionado é que só 14% das empresas têm uma política formal de governança relacionada à inteligência artificial.
Bastos também defende que adotar a tecnologia exige uma revisão dos processos corporativos. Muitas empresas tentam só encaixar a inteligência artificial em fluxos de trabalho antigos, quando o ideal seria redesenhar os processos considerando as novas ferramentas disponíveis.
O que companhias maduras em IA fazem de diferente
Segundo os executivos da Totvs, além da mensuração de custos e resultados, e o redesenho dos processos corporativos baseados na IA, empresas maduras em tecnologia possuem dois diferenciais.
Cerca de 46% fazem investimentos massivos na capacitação dos funcionários para o uso da inteligência artificial. Elas consideram a IA uma prioridade no negócio e veem que toda a equipe precisa saber dominar a tecnologia, não só os times especializados nisso.
Além disso, elas reconhecem a complexidade técnica que existe por trás da IA e evitam tentar realizar projetos que envolvem a tecnologia sem um especialista.
"As organizações que mantêm parcerias ativas elevam seu índice de maturidade, garantindo uma vantagem de 41% sobre as que tentam avançar sozinhas", diz a pesquisa.
