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08/06/2026
5 min

A Amazon (AMZO34) virou vitrine do Magazine Luiza (MGLU3). Veja por que BTG Pactual e JP Morgan receberam bem a notícia

A Amazon (AMZO34) virou vitrine do Magazine Luiza (MGLU3). Veja por que BTG Pactual e JP Morgan receberam bem a notícia

Quem acessar a Amazon Brasil (AMZO34) em busca de uma geladeira, uma TV ou um computador gamer poderá acabar comprando diretamente do Magazine Luiza (MGLU3). A varejista de Luiza Trajano anunciou nesta segunda (8) uma parceria com a gigante norte-americana que leva mais de 12 mil itens de seu portfólio para o marketplace da Amazon.

A iniciativa marca uma das primeiras ações relevantes do novo ciclo estratégico do Magazine Luiza para o período entre 2026 e 2031 e reforça a aposta da companhia em ampliar suas vendas por meio de canais externos, ao mesmo tempo em que busca aumentar a rentabilidade de suas operações digitais.

A partir desta semana, consumidores da Amazon terão acesso a produtos das marcas Magalu, KaBuM!, Época Cosméticos e Netshoes em categorias como eletrodomésticos, eletrônicos, esportes, games, cosméticos e perfumaria.

A operação logística ficará sob responsabilidade da Magalog, empresa de logística do grupo Magalu, homologada pela Amazon para realizar as entregas.

“Somos líderes absolutos em bens duráveis, com uma participação de cerca de 20% do mercado brasileiro. Nossa estratégia é acelerar ainda mais as vendas das nossas categorias core, consolidando nossa posição”, afirmou o CEO do Magalu, Frederico Trajano.

“Essa nova frente com a Amazon contribui para aumentar nossa audiência digital, alcançar um número ainda maior de clientes e alavancar nossas vendas de forma rentável e imediata”, acrescentou.

Amazon vira nova vitrine para o Magazine Luiza

O acordo representa uma das primeiras iniciativas do plano estratégico do Magazine Luiza para os próximos anos e reforça uma mudança na forma como a companhia pretende crescer no comércio eletrônico.

Segundo análise do BTG Pactual, a varejista vem acelerando sua presença em plataformas de terceiros, seguindo uma tendência observada em outros grandes nomes do setor. O Magalu já possui presença em canais como AliExpress e Itaú Shop.

A administração da companhia estima que aproximadamente 75% das vendas geradas por meio da Amazon deverão vir de consumidores que atualmente não interagem com o ecossistema do Magazine Luiza.

A leitura é de que a parceria pode gerar demanda adicional, sem impacto relevante sobre as vendas já realizadas pelos canais próprios.

O movimento ocorre em um momento em que a empresa busca recuperar o ritmo de crescimento das operações digitais. De acordo com o BTG Pactual, as vendas de e-commerce do Magazine Luiza recuaram 11% no primeiro trimestre de 2026, em meio a um ambiente competitivo mais desafiador.

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A companhia também deixou claro que pretende buscar novos acordos semelhantes para ampliar sua presença em diferentes plataformas.

Magalog ganha espaço na estratégia

A parceria também reforça o papel da Magalog dentro da estratégia do grupo.

Inicialmente, todos os produtos vendidos pelo Magalu na Amazon serão entregues pela estrutura logística da própria varejista. No entanto, as empresas estudam ampliar a colaboração para que a Magalog também passe a prestar serviços para outras operações da Amazon no Brasil.

Segundo o BTG Pactual, essa possibilidade fortalece a estratégia de transformar a unidade logística em uma fonte independente de crescimento e geração de receita.

A administração informou que a receita logística proveniente de clientes externos cresceu 30% na comparação anual. A companhia também afirma que seus custos de entrega são entre 60% e 70% inferiores aos de diversas alternativas disponíveis no mercado.

O que a Amazon ganha com o negócio?

Para a Amazon, o acordo amplia a oferta de produtos em categorias consideradas estratégicas, como bens duráveis e eletrônicos.

Além do aumento do sortimento, a parceria fortalece a capacidade de entrega de produtos de grande porte, combinando a infraestrutura logística do Magazine Luiza com as tecnologias da Amazon.

“Nossos clientes sempre vão buscar por mais produtos, grandes marcas, preços competitivos e entrega rápida — e a nossa missão é diariamente entregar e elevar essa experiência”, afirmou Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.

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Segundo a executiva, a parceria amplia o portfólio da companhia e reforça a agilidade e a qualidade das entregas para consumidores de todo o país.

As empresas também avaliam novas frentes de colaboração, incluindo a elegibilidade de produtos do Magalu ao programa Prime, a ampliação da atuação da Magalog como prestadora de serviços logísticos da Amazon e o uso das mais de 1.200 lojas da varejista como pontos de retirada e entrega.

O que dizem os analistas

O JP Morgan classificou o anúncio como positivo para o Magazine Luiza.

Na avaliação do banco, a parceria amplia o acesso da companhia a uma base de consumidores que não costuma frequentar seus canais próprios e pode trazer benefícios para os resultados de curto prazo.

Os analistas também destacam o potencial de crescimento para a Magalog, especialmente caso a parceria logística seja ampliada nos próximos anos.

Embora o Magalu já tenha firmado uma parceria com o AliExpress em 2024, o banco ressalta que a escala da Amazon é significativamente maior, o que pode gerar impactos mais relevantes para o desempenho do canal online.

Para o BTG Pactual, o acordo evidencia uma estratégia dupla da companhia: ampliar sua distribuição por meio de marketplaces de terceiros enquanto busca aumentar a rentabilidade e o engajamento dentro do próprio ecossistema.

Nesse processo,o Magalu também aposta em inteligência artificial (IA) para fortalecer seus canais próprios. A administração destacou que o “WhatsApp da Lu”, lançado em parceria com a Meta no fim de 2025, já gerou mais de 9 milhões de conversas e alcançou taxas de conversão três vezes superiores às do aplicativo tradicional.

AutorLarissa Bernardes
FonteSeu Dinheiro
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