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Sacre Investimentos
Exame INACSCMDT
10/09/2026
3 min

A aposta de R$ 100 milhões da Nexus para levar manganês brasileiro ao exterior

Maior produtora brasileira quer ampliar exportações usando a menor pegada de carbono como vantagem competitiva, sobretudo na Europa

A aposta de R$ 100 milhões da Nexus para levar manganês brasileiro ao exterior

Quando o grupo mineiro VDL comprou da Vale a operação de ligas de manganês, em 2021, levou um negócio que vinha perdendo espaço no mercado. Cinco anos depois, a empresa, rebatizada de Nexus Ligas, dobrou de tamanho e encontrou fora do Brasil a principal avenida para continuar crescendo.

A maior produtora brasileira de ligas de manganês fatura mais de R$ 600 milhões e trabalha para avançar em direção a R$ 1 bilhão. O caminho passa sobretudo pelas exportações: 30% da produção já segue para mais de 15 países, principalmente na América do Sul e na Europa, e as vendas internacionais representam cerca de 25% da receita.

O volume exportado cresceu 50% entre 2024 e 2025. Agora, a estratégia é fugir da competição apenas por preço e vender no exterior produtos de maior valor agregado — usando a menor pegada de carbono da produção brasileira como vantagem.

A Nexus criou neste ano o Nexcarbon, selo que identifica ligas com emissões inferiores a 1,5 tonelada de CO₂ por tonelada produzida, podendo chegar a 1,3 tonelada. A média global é estimada em 3,9 toneladas, segundo a CRU.

“Qualidade e preço continuam fundamentais, mas hoje entram nessa equação a origem do produto, a capacidade de fornecimento, a intensidade de carbono e a comprovação desses dados”, diz Marcelo Marino, CEO da Nexus Ligas.

A Europa está no centro dessa estratégia. Com regras ambientais e exigências de rastreabilidade ganhando peso nas decisões de compra das siderúrgicas, a companhia vê espaço para avançar sobre produtores com maior intensidade de carbono.

A expansão internacional acontece enquanto a operação doméstica também cresce. Entre 2025 e 2026, a receita da Nexus avançou 15%. No Brasil, a companhia responde por cerca de um terço de um mercado de aproximadamente 260 mil toneladas por ano e tem capacidade para produzir 140 mil toneladas anuais com as minas atuais.

Passaporte para a Europa

Há mais capacidade a caminho. Em Conselheiro Lafaiete, uma nova operação mineral está na fase final de aprovação e pode começar a ser explorada no último trimestre deste ano ou no início de 2027. Outros 25 direitos minerários estão em estudo.

Nos últimos três anos, a Nexus investiu cerca de R$ 80 milhões e prevê desembolsar outros R$ 100 milhões até 2029. Cerca de 20% do capex atual é destinado a iniciativas de descarbonização.

O crescimento tem sido financiado principalmente pela própria operação. Cerca de 80% dos investimentos vêm da geração de caixa e, segundo Marino, não houve novos aportes dos acionistas desde a aquisição. A dívida equivale a 1,5 vez o EBITDA, enquanto a margem EBITDA está entre 15% e 20%, mais próxima do piso da faixa.

Depois de avaliar aquisições na América do Sul, a Nexus decidiu concentrar a expansão no Brasil. A combinação de disponibilidade de minério e energia tornou outros países da região menos atraentes. O destino do produto, porém, será cada vez mais internacional.

AutorPedro Gil
FonteExame
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