A Apple chegou 7 anos depois da Samsung ao celular dobrável. Chegar atrasado nem sempre é perder
Aposta bilionária da SpaceX em telefonia móvel mostra por que a sensação de estar atrasado pode enganar

A Samsung lançou seu primeiro celular dobrável em 2019. Motorola, Oppo, Google e Huawei vieram logo atrás. A Apple só entrou nesse mercado em setembro de 2026, com o iPhone Duo, sete anos depois da concorrente sul-coreana. Se a empresa mais valiosa do setor não se intimidou com a fila, a pergunta é por que tanta gente desiste de um plano só porque alguém chegou antes.
A provocação é do consultor americano Kimanzi Constable, fundador da Ubora Assessoria, em artigo publicado na Inc. Ele usa a Apple e a SpaceX, de Elon Musk, para sustentar uma ideia: acreditar que o espaço já está ocupado é, quase sempre, uma crença limitante ou uma leitura equivocada do mercado.
Um mercado lotado e uma aposta de US$ 17 bilhões
O caso mais recente é o da SpaceX. A empresa fechou um acordo de US$ 17 bilhões para comprar licenças de espectro sem fio da EchoStar. Com elas, a Starlink pode ir além da internet por satélite e oferecer serviço de telefonia móvel.
O setor de telecomunicações está longe de ser um território vazio. Grandes operadoras dominam o mercado há décadas. Mesmo assim, no prospecto de sua oferta pública inicial de ações, a SpaceX estimou em US$ 740 bilhões o mercado potencial da Starlink Mobile.
Constable reconhece que é difícil prever se a aposta vai render bilhões em receita nova. Para ele, o ponto é outro: a confiança da empresa revela um princípio básico de negócios. Mesmo em mercados saturados, sempre há espaço para conquistar clientes e crescer, desde que se identifique por onde entrar.
Quem compra por falta de opção não é fiel
O consultor chama atenção para um tipo de cliente que existe em qualquer setor: aquele que compra de uma empresa só porque há poucas alternativas. Ele não tem lealdade à marca. Está ali porque não encontrou nada melhor.
É nesse grupo, segundo Constable, que mora a oportunidade de quem chega depois. Quem consegue se diferenciar tem chance de atrair justamente as pessoas que estavam insatisfeitas, mas sem para onde ir.
O atraso que existe só na cabeça
A lógica que Constable aplica a empresas e fundadores se encaixa na vida profissional de quem está começando. O colega que conseguiu o estágio antes, a pessoa da turma que já foi promovida, o perfil no LinkedIn que parece ter resolvido tudo aos 25 anos. A comparação constante cria a sensação de que as vagas, as áreas e as oportunidades já foram ocupadas.
Reconhecer quando esse pensamento deixa de ser leitura da realidade e vira um freio é uma habilidade emocional. Ela ajuda a separar o que é um obstáculo concreto do que é só medo de ter perdido o momento. E a manter a motivação em processos longos, como a busca pelo primeiro emprego ou uma mudança de área.
Chegar depois também tem vantagens. Quem entra mais tarde observa os erros de quem veio antes e encontra os espaços que ninguém preencheu.
Confiança também se treina
Lidar com a comparação, controlar a ansiedade de quem sente que está ficando para trás e seguir em frente diante de adversidades são competências de inteligência emocional, e podem ser desenvolvidas.
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A Apple não foi a primeira a dobrar um celular. Ninguém lembra disso quando o produto chega à prateleira.
