A conta da IA chegou? Big techs perdem US$ 2,3 trilhões em um mês

As sete maiores empresas de tecnologia viveram um junho turbulento na bolsa. As chamadas "7 Magníficas", Microsoft, Nvidia, Alphabet, Apple, Meta, Tesla e Amazon, perderam cerca de US$ 2,3 trilhões em valor de mercado neste mês, enquanto o setor de semicondutores subiu 6%.
O índice CNBC Magnificent 7 acumula queda de 10% no período e, por trás da correção está um receio crescente entre investidores de que os gastos bilionários dessas companhias com inteligência artificial (IA) ainda não estão se traduzindo em retorno concreto.
O mercado agora aguarda a temporada de balanços do segundo trimestre, que começa em julho, como termômetro para saber sobre esse ciclo de investimento. O endividamento para investir em ações bateu US$ 1,4 trilhão em maio, com grande parte disso vindo de investidores que buscaram ações de IA.
O diretor-administrativo da Wedbush Securities, Dan Ives, descreveu o momento como mais um "teste de realidade" para o setor de tecnologia, à espera dos resultados de julho que devem "validar a revolução da IA".
"A apreensão deve persistir, impulsionada pelas preocupações com os custos dessa expansão tecnológica — um fenômeno que ocorre apenas uma vez em uma geração — à medida que ela entra em uma nova fase de crescimento acelerado", afirmou à CNBC.
Queda desigual entre as sete gigantes
Mas nem todas as empresas do grupo sofreram da mesma forma. A Microsoft lidera as perdas, com tombo de 20% somente em junho, seguida pela Nvidia, que recuou cerca de 13%. Apple e Amazon caem na casa dos 8% cada uma.
Para o chefe de pesquisa da Fundstrat Global Advisors, Tom Lee, parte da pressão vem de uma mudança estrutural. Ele busca entender a nova narrativa em torno das 7 Magníficas, já que elas deixaram de ser "empresas leves em ativos" e migraram para um modelo "mais intensivo em balanço".
Lee defende, porém, que essa leitura deve mudar com o tempo. "Acho que os investidores vão começar a ver esse balanço como uma força de trabalho", disse à CNBC, explicando que o motivo de tanto gasto é substituir esforço humano por IA.
Semicondutores seguem na contramão
Enquanto as gigantes de tecnologia perdem valor, o setor de semicondutores segue em trajetória oposta. O Philadelphia Semiconductor Index, que reúne nomes como Taiwan Semiconductor (TSMC), Micron e ASML, avança cerca de 6% somente em junho.
No acumulado do ano, a alta já passa de 90%, contra uma queda de 3,4% das 7 Magníficas em igual período. Ao mesmo tempo que as big techs são as maiores compradoras de chips do mundo, a demanda concentrada tem deixado o mercado de semicondutores apertado, com efeito positivo para fornecedores e fabricantes.
O segmento de memória ilustra bem esse movimento. A escassez de componentes elevou os preços de forma expressiva, e o ETF Roundhill Memory, que acompanha empresas como SK Hynix e Samsung, acumula valorização de 166% neste ano.
Números mostram setor 'vivo e saudável'
Já estrategista multiativos do HSBC, Duncan Toms, afirmou que os números da fabricante de memória Micron "jogam um balde de água fria" sobre o ceticismo em torno da IA, ao mostrarem evidência concreta de um cenário "vivo e saudável" para o setor.
Analistas do UBS chegaram a conclusão semelhante, apontando que os gargalos na cadeia de suprimentos de IA não dão sinais de arrefecer, e que a receita em nuvem das principais plataformas deve acelerar no ano. Esses fatores "reforçam os fundamentos sólidos da história de crescimento da IA."
"Para os investidores, acreditamos que a exposição a ações ligadas à IA permanecerá como um diferencial importante para o desempenho no mercado de ações a longo prazo; no entanto, também consideramos essencial a diversificação, tanto dentro quanto além do setor de IA", disse à CNBC.
