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17/07/2026
4 min

A Copa está acabando. Para onde vai todo o verde e amarelo da 25 de Março?

A Copa está acabando. Para onde vai todo o verde e amarelo da 25 de Março?

Desde o início de junho, a Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, está colorida em verde e amarelo. A Copa do Mundo novamente foi responsável por encher as vitrines das lojas de bandeirinhas, decorações temáticas, perucas e camisas da seleção brasileira.

Antes do início do Mundial, a União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco) projetava um crescimento de aproximadamente 12% nas vendas durante o período, impulsionado pela combinação entre a Copa do Mundo e as festas juninas.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o torneio movimentaria R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, um avanço real de 6,5% em relação à Copa de 2022, com destaque para supermercados, alimentos, bebidas, vestuário e acessórios. Na prática, porém, parte desse otimismo acabou dando lugar à cautela, com o desempenho ruim da seleção brasileira durante a competição.

Com o fim da edição de 2026 do torneio marcado para este domingo, 19, se questiona o que os varejistas farão com esse amplo estoque temático. Muitas vezes, itens sazonais são ofertados em promoção para o público, mas não é isso que as lojas da 25 de Março fazem.

O que se faz com o excedente?

"Já estamos guardando para a próxima Copa", diz Leila, vendedora na Mundo Encantado. A loja também é fabricante das mercadorias, o que favorece essa estratégia.

Por vezes, a "sobra" é tão grande que nem é necessário comprar novos produtos.

Omar Hajjar, gerente do Armarinho Santa Cecília, afirmou que neste ano ele não comprou nenhuma nova mercadoria. Visto que o excedente de 2022 foi "enorme", tudo que foi comercializado em 2026 estava no estoque há quatro anos.

"Foi uma anomalia, o meu fornecedor se animou muito com a última Copa e montou um estoque gigante. Eu sempre adquiro em consignado, por cautela. Quando o Brasil foi eliminado, a decepção dele foi tão grande que me deixou manter toda a mercadoria, sem eu precisar pagar por nada", afirma o varejista.

Algumas datas comemorativas ocorrem todos os anos. Para o proprietário de uma loja, é comum manter no estoque itens temáticos de Dia das Mães, Festa Junina, Natal, Carnaval ou Dia dos Namorados.

A Copa do Mundo ocorre a cada quatro anos, o que aumenta o custo financeiro de guardar essa mercadoria em um espaço que poderia ser usado para produtos com sazonalidade mais vantajosa.

Para Hajjar, manter por tanto tempo produtos "parados" requer um "coração duro e mente fria", "mas é o que se faz no varejo".

Apesar da venda maior durante uma Copa do Mundo, camisas da seleção brasileira continuam tendo procura mesmo após o Mundial.

"Muitos estrangeiros vêm aqui comprar a camisa brasileira independentemente da Copa. Também existem várias outras datas de maior procura, como o Sete de Setembro", afirmou uma vendedora ambulante de camisas de futebol que preferiu não se identificar.

Ela explica que, apesar da explosão na demanda durante o megaevento, camisas de seleção são um produto com demanda durante todo o ano.

Copa do Mundo feminina em 2027

Outra esperança é a Copa do Mundo feminina, que ocorrerá no Brasil em 2027. A vendedora ambulante acredita que o torneio impulsionará as vendas, mesmo sem ser "no mesmo nível de procura que a Copa masculina".

A expectativa também é compartilhada por outros comerciantes da região. Leila acredita que a competição ajudará a diminuir parte do estoque guardado neste ano.

Já Milena, que trabalha como puxadora na 25 de Março, torce para que a seleção feminina consiga repetir o entusiasmo que tradicionalmente acompanha o Mundial masculino. " Já que os meninos não conseguiram, as meninas podem conseguir."

Copa morna?

Leila é novata como vendedora da Mundo Encantado, mas trabalha na 25 de Março há décadas. Para ela, a Copa do Mundo de 2022 foi responsável por mais movimento para o comércio. "Com certeza vendeu-se menos em 2026. O pessoal estava reclamando demais da seleção. Na outra Copa houve um estouro de vendas. Esse ano foi só decepção mesmo."

Segundo a comerciante, a diferença começou antes mesmo da estreia da seleção brasileira contra Marrocos. Ela afirma que muitos consumidores chegaram às lojas inseguros para investir em artigos temáticos, reflexo da desconfiança em relação ao desempenho da equipe. "Eles estavam vendo que os jogadores não estavam jogando como o esperado. Isso desanimou muito os brasileiros. A gente esperava mais. A decepção foi muito grande", disse.

A vendedora ambulante de camisas de seleções concorda. "Eu trabalho aqui há vinte anos. Essa Copa foi bem menos movimentada que as outras", afirmou.

Já Omar, do Armarinho Santa Cecília, discorda. "A gente vê o mesmo momento de surto de consumo todos os anos, o que mostra que o brasileiro sempre tem esperança."

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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