‘A culpa não é das blusinhas’: Estudo mostra como ‘Pix invisível’ eleva endividamento das mulheres
Lanche da escola, remédio dos pais, material extra da escola. Apesar de receberem 21% menos que os homens, as mulheres seguem arcando com uma série de despesas invisíveis ligadas ao cuidado da família, dos filhos e da casa. O estudo “Elas Pagam a Conta”, elaborado pela Think Olga Eva e divulgado nesta quinta-feira (24), […]

Lanche da escola, remédio dos pais, material extra da escola. Apesar de receberem 21% menos que os homens, as mulheres seguem arcando com uma série de despesas invisíveis ligadas ao cuidado da família, dos filhos e da casa.
O estudo “Elas Pagam a Conta”, elaborado pela Think Olga & Eva e divulgado nesta quinta-feira (24), aponta que o endividamento feminino está mais ligado à sobrevivência e à manutenção do lar do que ao consumo.
“Não é a blusinha, não é a maquiagem que está endividando as mulheres brasileiras”, afirmou Nana Lima, diretora-executiva da Think Olga & Eva em evento promovido pela Fin4She e Galapagos Capital.
Na realidade, o endividamento feminino está mais relacionado aos “gastos invisíveis”.
O ‘Pix invisível’ pago pelas mulheres
O estudo mostra que, apesar da divisão de contas maiores entre casais, como aluguel e escola, as mulheres acabam tendo que bancar gastos que “não entram na planilha”.
Os valores podem parecer irrelevantes, mas, acumulados ao longo dos meses, reduzem a capacidade de poupança, dificultam a formação de patrimônio e pressionam o orçamento feminino.
Para as autoras da pesquisa, esse fenômeno ajuda a explicar por que muitas mulheres chegam ao fim do mês com menos recursos disponíveis, mesmo participando ativamente da renda familiar.
“Isso é tão invisível que as mulheres não enxergam e os homens também não. E aí, fica a mensagem: ‘mas as contas grandes ele que paga’. Só que os [gastos] vários pequenininhos, quando você soma, também impactam no orçamento”, disse Lima.
Endividamento e inadimplência feminina
O estudo cita o Mapa da Inadimplência do Serasa de abril de 2026, que mostrou que a diferença entre homens e mulheres com dívidas é baixa, de 49,4% e 50,6% respectivamente.
Essa ligeira desigualdade acontece mesmo com mulheres tendo renda menor e enfrentando mais barreiras econômicas.
Além disso, as dívidas femininas estão concentradas principalmente em gastos essenciais: 86% das mulheres endividadas possuem débitos no cartão de crédito, enquanto despesas com supermercado (59%) e remédios ou tratamentos médicos (42%) aparecem entre os principais motivos do endividamento.
Apesar disso, o público feminino fecha 25% mais acordos de renegociação e quita dívidas 11,6% mais do que os homens.
O estudo aponta que os números ajudam a desmontar a ideia de que a inadimplência feminina está ligada ao consumo supérfluo. Na realidade, na maioria dos casos, ela é uma consequência da necessidade de sustentar despesas essenciais da casa e da família.
“Um homem gastando meio salário-mínimo em uma camisa de futebol é paixão. A gente comprando alguma coisa que gostamos é fútil”, disse a diretora.
*Sob supervisão de Renan Sousa
