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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
04/08/2026
4 min

A empresa de perfumes que fez a Havanna entrar em recuperação extrajudicial de R$ 127 milhões

A rede de cafeterias é a marca mais conhecida do grupo de Marcos Rothenberg, mas o negócio principal é a perfumaria

A empresa de perfumes que fez a Havanna entrar em recuperação extrajudicial de R$ 127 milhões

Por trás da recuperação extrajudicial da Havanna no Brasil há uma rede de perfumaria.

O grupo que controla as cafeterias do doce de leite argentino no Brasil tem como negócio principal o setor de perfumes e cosméticos. Há uma importadora e comercializadora, e também uma marca de lojas multimarcas chamada Fragrance.

É neste braço, de perfumes, que vem a maior parte das empresas incluídas no processo que renegocia dívidas de 127,7 milhões de reais.

São seis empresas ao todo, todas controladas pelo empresário Marcos Rothenberg.

Quatro atuam em perfumaria e cosméticos: Aeger, Casma do Brasil, Delfos e Fly Shopping, sob a marca Fragrance.

As outras duas respondem pela Havanna: a Café Del Plata, que opera as lojas, e a DGA Doces Del Plata, que administra as franquias.

Na petição inicial, o grupo lista a Fragrance entre suas marcas e reproduz o logotipo da rede. A perfumaria é o ramo mais antigo do negócio: a Delfos atua no comércio de perfumes desde 1996, dez anos antes de a Havanna chegar ao país.

As empresas entraram juntas no processo porque são avalistas umas das outras em dívidas com Banco do Brasil, Banco Pine e Banco Sofisa.

Em nota, inclusive, a Havanna afirma que a recuperação decorre de obrigações contraídas por outras companhias do grupo acionista, "sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna, que é solidária nas obrigações financeiras do grupo". A empresa diz que o processo serve para impedir que essas obrigações afetem fornecedores, franqueados e parceiros.

O caso corre na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo.

A perfumaria por trás do doce de leite

A Fragrance se define como uma rede de perfumaria seletiva, que vende marcas internacionais em lojas de shopping. É a operação que forma o corpo do grupo Rothenberg no varejo de beleza.

A concentração em shopping centers, comum às duas frentes do grupo, aparece na petição como uma das causas da crise. Mais de 90% dos pontos de venda ficam nesse formato, que perdeu movimento nos últimos anos. As dívidas foram contraídas em 2020 e 2021, quando a Selic estava abaixo de 3%, e ficaram mais caras quando a taxa passou de 12% em 2023 e 2024.

Sobre a operação de alimentos, a petição sustenta que a Café Del Plata não vive crise própria e entrou por estar "interligada" ao grupo. O documento registra, porém, que havia uma ação de falência em curso contra a empresa, movida pela indústria de chocolates Top Cau por notas fiscais em aberto que somam 4.183.987,26 reais.

Água de Cheiro, a terceira marca

A perfumaria do grupo não se resume à Fragrance.

De acordo com informações públicas, Rothenberg controla também a Água de Cheiro, rede mineira fundada em 1976, que assumiu em 2016 ao arrematar os ativos da marca em leilão, dentro do processo de recuperação judicial da antiga dona.

A Água de Cheiro não está entre as seis empresas desta recuperação extrajudicial. Mas a marca aparece no processo por outra via: franqueados da rede figuram na lista de credores do grupo, e a Associação de Ex-Franqueados e Franqueados Havanna pediu para suspender a venda de novas franquias das marcas Havanna e Água de Cheiro, sob o argumento de que a crise da franqueadora ameaça as unidades já abertas.

O que o plano propõe

O maior credor é o Explorer Fundo de Investimento, com 45,8 milhões de reais a receber. A lista inclui ainda a EDEC Comércio de Perfumes e Cosméticos, com 16 milhões, e o Multiplica Long Term, com 12,1 milhões. As adesões ao plano ficaram entre 59,4% e 65,4% dos créditos, acima do mínimo de 50% exigido em lei.

Para os credores concursais, o plano prevê deságio de 95%. Esses credores receberiam 5% do valor devido, após 12 meses de carência e em dez parcelas anuais. Credores que aportarem recursos novos, no modelo conhecido como DIP, sigla para debtor in possession, o financiamento tomado durante a recuperação, ficam de fora do corte e recebem o valor integral.

A Havanna segue em expansão

Enquanto negocia com os credores, o grupo mantém o discurso de crescimento na frente da Havanna. A rede diz ter aberto mais de 30 lojas no primeiro semestre de 2026 e soma mais de 250 unidades no país. A meta declarada é chegar a mais de 700 pontos de venda até 2030.

A operação brasileira faturou cerca de 420 milhões de reais em 2025 e projeta 500 milhões neste ano. A aposta mais recente é a Heladeria Havanna, sorveteria lançada em 2025.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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