A empresa dele cresceu 1.592% ajudando indústrias a cortar custos e fatura R$ 179 milhões
Muv Rental cresceu ao ampliar contratos de gestão de equipamentos com indústrias; em projeto da Suzano, ajudou a reduzir de 45 para 27 o número de guindastes alugados

Quando a Suzano programou uma parada geral na fábrica de Jacareí, no interior paulista, o plano era alugar 45 guindastes para executar os serviços. Após uma revisão da operação, contratou 27.
O trabalho foi conduzido pela Muv Rental, empresa que atua na contratação e na gestão de máquinas sem ter equipamentos próprios. Segundo a companhia, a redução gerou uma economia de R$ 3 milhões no projeto. Seu negócio é ajudar obras e indústrias a definir quais equipamentos contratar, em que quantidade e como utilizá-los.
A expansão desse serviço levou a Muv à liderança da categoria de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões do ranking EXAME Negócios em Expansão 2026. A receita operacional líquida passou de R$ 10,6 milhões em 2024 para R$ 179,3 milhões em 2025, alta de 1.592%. Na edição anterior, a empresa concorria na faixa de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões.
“O nosso diferencial é essa gestão do outro lado da mesa, do lado do cliente”, afirma Matheus Ribeiro, fundador da Muv. “Otimizando o uso de máquina, aumentando a rentabilidade e a eficiência.”
Para 2026, a meta é crescer 45%. Depois de ampliar a presença nas operações de quem já contratava a empresa, Ribeiro pretende conquistar novos clientes para o serviço de gestão. A próxima etapa será repetir, em outras companhias, o movimento que ganhou espaço dentro da base atual.
Como a Muv faz a gestão de máquinas sem ter frota própria
A Muv nasceu para conectar locadoras com equipamentos disponíveis a empresas que precisam deles. De um lado, estão fornecedores de guindastes, retroescavadeiras e tratores. Do outro, canteiros de obras e operações industriais que dependem dessas máquinas para executar seus serviços.
A empresa usa geolocalização para identificar fornecedores e indicar a opção de menor custo para cada trabalho. Essa é a primeira parte da operação: encontrar, entre os equipamentos disponíveis, aqueles que atendem à demanda do contratante.
O serviço continua depois que a máquina chega ao local. A Muv instala rastreadores de tecnologia própria nos equipamentos e acompanha sua utilização em campo. A atuação inclui canteiros de obras, minas, fábricas de celulose e petroquímicas.
Os dados mostram quanto tempo cada máquina efetivamente trabalha e quanto permanece parada. Com essas informações, a empresa consegue avaliar se o volume de equipamentos contratado corresponde à necessidade da operação.
É nessa etapa que a gestão pode mudar a conta do aluguel. Comparar fornecedores ajuda a escolher uma oferta. Acompanhar o uso permite discutir também a quantidade de máquinas necessária para realizar o serviço.
No caso de Jacareí, a revisão levou à contratação de 18 guindastes a menos do que o previsto inicialmente. A economia de R$ 3 milhões informada pela Muv veio desse ajuste no projeto.
Na avaliação do fundador, a diferença está na posição ocupada pela Muv. Como não tem uma frota própria para alugar, a companhia concentra seu trabalho na escolha e no acompanhamento dos equipamentos contratados pelo cliente.
O que levou a Muv a crescer 1.592% em um ano
O serviço de gestão já fazia parte da oferta da Muv. O que mudou, segundo Ribeiro, foi a atenção dedicada a ele e o esforço para ampliar sua contratação.
“A gente não dava tanta vazão a esse serviço, e passamos a olhar um pouco mais para ele”, diz. “Expandiu demais.”
Parte do crescimento veio de empresas que já estavam na carteira. A Muv passou a atender mais unidades de um mesmo grupo, ampliando o alcance de contratos que antes ficavam restritos a uma operação.
Esse movimento abriu uma frente de expansão dentro da própria base. Cada contrato existente passou a representar também a possibilidade de levar a gestão de equipamentos a outras fábricas e operações do cliente.
Os indicadores mostram duas frentes de expansão: mais empresas atendidas e maior presença nas operações de quem já utilizava o serviço.
O salto de receita mudou a posição da Muv no ranking EXAME Negócios em Expansão. Em um ano, a empresa saiu da categoria de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões para a faixa de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões.
Os R$ 179,3 milhões registrados no levantamento correspondem à receita operacional líquida. Já o faturamento bruto de 2025 ficou na casa dos R$ 200 milhões, segundo Ribeiro.
Muv busca novos clientes para crescer 45% em 2026
Depois de ampliar a contratação do serviço de gestão dentro da base atual, a Muv pretende acelerar sua venda para outras empresas. A meta de crescer 45% em 2026 será perseguida a partir de uma receita muito maior do que a registrada antes do salto de 2025.
“A gente consolidou esse produto com os clientes que já tinha”, diz Ribeiro. “Agora a ideia é expandir mais para fora.”
A estratégia muda o foco da expansão. Nos contratos existentes, a companhia ganhou espaço ao passar de uma unidade industrial para várias. Com novos clientes, terá de abrir esse relacionamento e demonstrar como o acompanhamento das máquinas pode reduzir gastos.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
