Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
27/05/2026
4 min

A empresa que cortou 52 segundos de delay no streaming para faturar mais na Copa do Mundo

A empresa que cortou 52 segundos de delay no streaming para faturar mais na Copa do Mundo

AWatch Brasil, plataforma que conecta provedores regionais de internet a serviços de streaming, espera impulsionar o crescimento com a Copa do Mundo. A empresa investiu R$ 50 milhões em tecnologia própria e aposta na redução do atraso das transmissões ao vivo para capturar audiência durante o torneio.

A ideia é usar o evento como porta de entrada para novos assinantes e manter parte dessa base depois do torneio.

“A Copa do Mundo é uma oportunidade de descomoditização do segmento. Ela transforma o streaming em experiência e muda a percepção de valor do assinante”, afirma Maurício Almeida, fundador da Watch Brasil.

A empresa, que faturou R$ 137 milhões em 2025, espera crescer 46% em 2026. Além do foco no evento esportivo, a companhia mira a expansão internacional pela Europa e Estados Unidos.

Qual é a história da Watch Brasil

A Watch Brasil nasceu em 2018 a partir da experiência de Almeida como dono de um provedor regional de internet no interior do Paraná. Na época, o mercado crescia impulsionado pela expansão da fibra óptica.

“Ninguém mais queria só velocidade. O provedor precisava agregar valor”, afirma.

A empresa passou então a atuar como intermediária entre programadores, estúdios e pequenos provedores regionais. Hoje, são mais de 2.600 parceiros conectados à plataforma e presença em cerca de 4.500 municípios brasileiros.

Um dos pontos de virada para a empresa foi a pandemia.

Com mais pessoas trabalhando e estudando em casa, os provedores ampliaram velocidade e infraestrutura. Depois desse movimento, passaram a buscar serviços agregados para se diferenciar: o streaming foi uma das principais apostas para agregar valor.

Investimento em tecnologia

Grande parte do investimento recente foi direcionada à criação de uma infraestrutura proprietária de software. A empresa encerrou contratos externos e internalizou o desenvolvimento da plataforma.

Segundo Almeida, a mudança permitiu reduzir em até 60% a latência das transmissões esportivas. O atraso, que chegava a quase um minuto em alguns cenários, caiu para algo entre 8 e 10 segundos em transmissões de baixa latência.

A empresa também lançou uma nova suíte de aplicativos nativos para diferentes sistemas operacionais e televisores. Hoje, metade da audiência da plataforma consome conteúdo diretamente pela TV conectada.

Durante a Copa, a aposta está ainda em uma plataforma para concentrar programação, tabelas e transmissões dos jogos. O projeto inclui um agente de inteligência artificial para ajudar usuários a localizar partidas e canais.

Almeida diz que a Copa do Mundo já começou a gerar impacto comercial antes mesmo do início dos jogos. Segundo ele, a empresa percebeu aumento nas ativações de pacotes esportivos nas últimas semanas. “Muitos provedores já estão fazendo campanhas usando a Copa do Mundo para vender os pacotes”, diz.

Após o fim do evento, a Watch Brasil vai continuar transmitindo 80% dos principais campeonatos brasileiros e internacionais, para reter usuários interessados no tema.

Publicidade e expansão internacional

Além do impacto da Copa do Mundo, a Watch Brasil acelera o crescimento em novas frentes de negócio. Uma delas é o Watch Free, plano gratuito baseado em publicidade que funciona como porta de entrada para novos usuários.

A estratégia é usar o modelo para ampliar alcance e depois converter parte da base para pacotes pagos com mais conteúdo.

Outra frente está fora do Brasil. A Watch abriu escritórios em Lisboa e Miami para oferecer sua tecnologia em modelo white label,.

A meta é que 5% do faturamento venha do exterior até o fim de 2027. Segundo Almeida, um dos principais desafios é ganhar escala em mercados onde a empresa ainda é pouco conhecida e se adequar às normas de cada país.

“O licenciamento de conteúdo fora do Brasil é mais complexo porque ele está diretamente associado ao território. Licenciar conteúdo para a Europa, por exemplo, é muito caro”, afirma Almeida.

A companhia também criou uma área dedicada ao desenvolvimento de inteligência artificial. A tecnologia será usada em recomendação de conteúdo, automação de processos internos e produtividade dos desenvolvedores.

AutorBianca Camatta
FonteExame
Distribuído por