A empresa que transforma lixo em receita de até R$ 135 milhões em 2026

Uma fibra de palmeira que iria para o lixo pode virar um vaso para plantas. Uma garrafa PET descartada pode se transformar em um produto usado para controlar a poeira em minas.
É desse tipo de transformação que vive a Biosolvit, empresa criada em 2014 pelo empreendedor Guilhermo Queiroz, em Barra Mansa, no sul fluminense, e que hoje atua em cinco frentes de negócios voltadas à sustentabilidade.
A companhia desenvolve soluções para jardinagem, tratamento de água, resposta a acidentes ambientais, controle de poeira e sistemas de filtração para indústrias.
A empresa integra o ranking EXAME Negócios em Expansão 2025 depois de encerrar 2024 com receita operacional líquida de R$ 17,4 milhões.
No ano passado, fechou o ciclo com faturamento de R$ 70 milhões e, para este ano, projeta uma nova fase de crescimento: alcançar entre R$ 90 milhões e R$ 95 milhões.
Caso sejam concluídas negociações de fusão e aquisição que estão em andamento, a receita poderá chegar a aproximadamente R$ 135 milhões neste ano.
Existe, ainda, um planejamento de longo prazo. A Biosolvit estabeleceu um ciclo de crescimento até 2032 e pretende atingir R$ 700 milhões em receita até lá.
Para isso, aposta na ampliação das operações no Brasil e no exterior, na expansão do portfólio, em novas aquisições, no desenvolvimento de tecnologias próprias e na implantação de um sistema de franquias.
Fundação da Biosolvit
Antes de criar a Biosolvit, Guilhermo Queiroz construiu uma carreira na área de tecnologia e gestão. Natural de Volta Redonda, cidade colada a Barra Mansa, ele é formado em análise de sistemas.
O empreendedorismo surgiu cedo na vida do executivo. Em 1999, começou sua carreira como analista de sistemas na Totvs/Microsiga, uma das maiores empresas de software da América Latina.
Em 2002, virou franqueado do grupo, adquirindo 30% das cotas operacionais da Totvs Rio Interior, e passou a ser responsável pela consolidação do mercado de software em regiões do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Permaneceu na empresa por 23 anos, até deixar a operação em 2022. Durante os últimos oito anos desse período, conciliou essa atividade com a construção da Biosolvit. Segundo Guilhermo, essa experiência foi determinante para a estrutura que a empresa possui hoje.
"Trabalhar provendo softwares de gestão para médias e grandes companhias me trouxe muito conhecimento e muita experiência para conduzir a Bio, principalmente no que diz respeito à governança da companhia", afirma.
A inspiração para criar a empresa nasceu dentro da própria família. Seu pai trabalhou durante quatro décadas em uma fábrica de palmito. Quando a indústria encerrou as atividades, no fim dos anos 1990, Guilhermo passou a alimentar a ideia de dar continuidade àquela história.
Em 2008, decidiu comprar o que restava da antiga fábrica e criou o CNPJ que deu origem ao empreendimento, cujo objetivo era produzir palmito em conserva.
Pouco tempo depois, porém, percebeu que aquele modelo dificilmente permitiria crescer. "A fábrica de palmito em conserva era mais do mesmo. Era um negócio de escala muito difícil e de competição muito forte", explica.
Foi durante a produção do palmito que surgiu a oportunidade de transformar completamente a empresa. Ao observar o processo produtivo, Guilhermo percebeu que apenas cerca de 3% da palmeira era aproveitada para produzir o alimento. O restante era descartado. Em vez de enxergar esse material como lixo, ele passou a vê-lo como matéria-prima.
Transformação
A Biosolvit nasceu oficialmente em 2014 com um propósito diferente daquele imaginado inicialmente. A empresa passou a estudar formas de reaproveitar resíduos orgânicos, principalmente do agronegócio, utilizando ciência e tecnologia para desenvolver novos produtos.
O primeiro resultado dessa mudança foi a criação de um vaso ecológico produzido com fibras da palmeira, conhecido como xaxim de palmeira. O produto utiliza partes da planta que antes eram descartadas, como fibras, caule e bainhas. Na sequência vieram os substratos para jardinagem, também desenvolvidos a partir desse reaproveitamento.
Foi nesse período que Guilhermo conheceu Wagner Martins Florentino, então participante de um projeto universitário que utilizava fibras fornecidas pela empresa para testar sua capacidade de absorver petróleo em casos de derramamento. Os testes tiveram resultados positivos. Percebendo o potencial da tecnologia, Guilhermo convidou Wagner para integrar a empresa. Hoje, ele é sócio e cofundador.
Nos primeiros anos do projeto original, Guilhermo tinha outros dois sócios. Quando a ideia da fábrica de palmito deixou de fazer sentido, ambos deixaram a sociedade. Foi então que Carolina, esposa de Guilhermo, passou a atuar diretamente na empresa. "No início da Bio, éramos basicamente nós três tocando a operação", lembra.
Cinco negócios em uma única empresa
A companhia está organizada em cinco unidades de negócios. A primeira delas é a Bio Home Garden, dedicada ao segmento de jardinagem doméstica. É nessa unidade que são produzidos o xaxim de palmeira, os vasos ecológicos e os substratos desenvolvidos a partir de resíduos vegetais.
A segunda frente é a Bio Response, voltada ao atendimento de empresas que precisam responder a acidentes ambientais, principalmente envolvendo petróleo e derivados.
A unidade produz materiais absorventes, sistemas de contenção e outros equipamentos utilizados tanto na remediação quanto na prevenção de acidentes, incluindo barreiras para retenção de detritos em rios. Na área de filtração, a empresa atua por meio da Bio MPF, que fabrica mídias filtrantes e elementos de filtração destinados a diferentes aplicações industriais.
Outra operação é a Bio Water Care, responsável pelo desenvolvimento de equipamentos e softwares para tratamento de água. As soluções utilizam inteligência artificial e computação de borda para monitorar, em tempo real, parâmetros da água e realizar a dosagem de produtos químicos utilizados no tratamento.
A tecnologia atende companhias de saneamento, indústrias e condomínios que necessitam de sistemas de tratamento de água.
A quinta unidade é a Bio Dust Control, criada para atender principalmente os setores de mineração e siderurgia. A operação produz supressores de poeira utilizados para reduzir a suspensão de partículas no ar em ambientes industriais.
Expansão e novos projetos
A sede administrativa da Biosolvit está localizada em Barra Mansa, onde também funciona uma de suas fábricas. Além da operação fluminense, a companhia mantém fábricas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, no Espírito Santo e em Minas Gerais. A empresa conta atualmente com 169 funcionários.
Além do crescimento da operação, a empresa prepara uma série de lançamentos para este ano. Na área de produtos, por exemplo, a companhia trabalha no desenvolvimento de novos supressores de poeira utilizando garrafas PET descartadas.
Segundo Guilhermo, o processo utiliza reciclagem química para transformar o plástico em uma resina biodegradável. Atualmente, mais de dois milhões de garrafas PET descartadas são recuperadas por meio de cooperativas de catadores para abastecer essa produção.
A empresa também desenvolve novos sistemas de filtração para ambientes com água contaminada, como operações ligadas à exploração de petróleo. Outra frente envolve pesquisas para criar novas mídias filtrantes e desenvolver carvão ativado utilizando uma matéria-prima que hoje ainda não é explorada pelo mercado, mas que existe em grande quantidade no Brasil.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.
A lista completa das empresas selecionadas para a edição 2026 será divulgada a partir de julho e o evento de premiação das campeãs será em 26 de agosto, em São Paulo.
