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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
16/06/2026
6 min

A estratégia da Aegea para levar saneamento a milhões de brasileiros

A estratégia da Aegea para levar saneamento a milhões de brasileiros

O saneamento básico vive um momento decisivo no Brasil, em que empresas privadas e estatais precisam acelerar a expansão da infraestrutura necessária para que o país alcance as metas do novo Marco Legal do Saneamento. Desde a aprovação da legislação, em 2020, o setor passou a perseguir um objetivo ambicioso: universalizar o acesso à água tratada e ampliar significativamente a coleta e o tratamento de esgoto até 2033. Até agora, a Aegea está entre as mais comprometidas com esse desafio.

A relevância do tema é evidenciada pelos números. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que milhões de brasileiros ainda convivem sem acesso a serviços essenciais de água e esgoto, uma realidade que impacta diretamente indicadores de saúde pública, desenvolvimento econômico, educação e qualidade de vida.

Nesse cenário, a Aegea tem assumido papel estratégico na ampliação dos investimentos. Em 2025, ano em que completou 15 anos de atuação, a companhia investiu mais de R$ 7 bilhões na expansão dos serviços de água e esgoto, iniciou cinco novas operações e consolidou sua presença em 15 estados brasileiros, ampliando o acesso da população a serviços essenciais de saneamento.

Os recursos foram direcionados principalmente para obras de ampliação e modernização da infraestrutura. Como resultado, cerca de 2 milhões de pessoas passaram a ter acesso aos serviços por meio da conexão de 722 mil novas economias. Outras 988 mil economias foram incorporadas ao portfólio da companhia com a entrada de novas concessões, elevando a base para mais de 14 milhões de economias atendidas.

A escala da operação ajuda a dimensionar o impacto do setor. Apenas em 2025, foram realizados 131 milhões de atendimentos, leituras e serviços de campo. No mesmo período, foram coletados e tratados 730 bilhões de litros de esgoto — volume equivalente a aproximadamente 300 mil piscinas olímpicas — evitando o despejo de resíduos sem tratamento em rios e mananciais.

Outro desafio estrutural enfrentado pelo setor é a redução das perdas de água. Programas voltados à eficiência operacional permitiram economizar cerca de 29 bilhões de litros em um ano, quantidade suficiente para abastecer aproximadamente 725 mil pessoas durante doze meses.

Como Barcarena (PA) antecipou em 10 anos sua meta de saneamento

Embora a universalização do saneamento seja uma meta nacional, seus resultados se materializam localmente. Um dos exemplos mais emblemáticos está em Barcarena, município da Região Metropolitana de Belém, no Pará.

A cidade tornou-se a primeira do Pará a cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento. O resultado veio após um ciclo de investimentos que antecipou em quase dez anos o cronograma originalmente previsto para a expansão dos serviços.

O programa de obras contemplou aproximadamente R$ 150 milhões em investimentos, incluindo a implantação de mais de 100 quilômetros de redes de água e mais de 260 quilômetros de redes de esgoto. O projeto também envolveu a construção de novas estações de tratamento e a ampliação de estruturas já existentes.

Os impactos ultrapassam a infraestrutura. A expansão dos serviços foi acompanhada por iniciativas voltadas à inclusão social, como programas tarifários destinados às famílias de menor renda. Atualmente, milhares de moradores do município são beneficiados por condições especiais de acesso aos serviços de água e esgoto.

Outro exemplo de município universalizado antes do prazo estipulado pela meta é a capital do Mato Grosso do Sul. Campo Grande tem 99% de cobertura de abastecimento de água e já alcançou, ainda, 94% de cobertura de rede de esgoto. Quando a companhia iniciou a concessão, em 2000, ainda havia regiões sem abastecimento regular de água, e o esgotamento sanitário tinha cobertura tímida para as dimensões da cidade, alcançando menos de 20% da população.

O Rio que ganhou comprovante de residência, água encanada e mais de R$ 5,5 bilhões em investimentos

Os efeitos da expansão do saneamento também podem ser observados em grandes centros urbanos. No Rio de Janeiro, onde a necessidade de investimentos históricos se tornou um dos principais desafios da infraestrutura local, os avanços recentes revelam como o acesso à água e ao esgoto está diretamente ligado à inclusão social.

Desde o início da concessão da Águas do Rio, empresa da Aegea, mais de R$ 5,5 bilhões foram investidos na modernização e ampliação dos sistemas. As melhorias já beneficiam diretamente cerca de 3,5 milhões de pessoas.

Além da expansão física das redes, houve um processo de formalização de moradores que passaram a ter acesso regular aos serviços. Aproximadamente 1 milhão de pessoas residentes em comunidades foram incorporadas à base de clientes, o que amplia não apenas o acesso ao saneamento, mas também a instrumentos básicos de cidadania, como comprovante de residência e acesso ao crédito.

As obras também movimentam a economia local. Desde o início da operação, cerca de 10,8 mil empregos foram gerados, com aproximadamente metade das vagas ocupadas por moradores das próprias comunidades atendidas.

Um dos projetos mais emblemáticos em andamento está no Complexo da Maré, conjunto de 16 comunidades que abriga cerca de 200 mil moradores. A região começou a receber um dos maiores investimentos em infraestrutura sanitária de sua história, incluindo a construção de um tronco coletor de esgoto com 4,5 quilômetros de extensão, obra considerada estratégica para ampliar a coleta e o tratamento de esgoto na área.

Até 2033, a previsão é que sejam investidos R$ 19 bilhões para universalizar os serviços de coleta e tratamento de esgoto em toda a área de atuação da concessionária, incluindo R$ 2,7 bilhões destinados a intervenções no entorno da Baía de Guanabara.

Complexo da Maré (RJ): o conjunto, que abriga cerca de 200 mil moradores, começou a receber um dos maiores investimentos em infraestrutura sanitária de sua história (AEGEA /Divulgação)

Um setor cada vez mais estratégico

A expansão do saneamento exige capacidade financeira, planejamento de longo prazo e execução operacional em larga escala. Os números mais recentes mostram que o setor segue atraindo investimentos robustos para cumprir as metas estabelecidas pelo país.

No primeiro trimestre de 2026, a Aegea registrou receita líquida pro forma de R$ 4,9 bilhões e EBITDA recorrente de R$ 3 bilhões. No período, foram investidos R$ 1,6 bilhão na ampliação dos sistemas de água e esgoto e na expansão da base de atendimento.

Esses investimentos permitiram conectar aproximadamente 1,1 milhão de novas economias e beneficiar cerca de 3 milhões de pessoas. Com a entrada de novas operações, a companhia passou a atuar em 15 estados e 893 municípios, atendendo mais de 39 milhões de brasileiros.

“Casos como Barcarena e Campo Grande mostram o que a experiência operacional da Aegea é capaz de entregar quando aplicada com investimento e planejamento de longo prazo. É essa capacidade que levamos para cada nova concessão que assumimos”, afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea.

À medida que o país avança em direção às metas de 2033, o saneamento deixa de ser apenas uma agenda de infraestrutura para se consolidar como um vetor de desenvolvimento econômico e transformação social. Mais do que redes, tubulações e estações de tratamento, os investimentos realizados hoje ajudam a construir cidades mais saudáveis e resilientes para as próximas décadas.

AutorEXAME Solutions
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