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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
05/09/2026
8 min

A fabricante italiana de equipamentos de academia que mira R$ 400 milhões no Brasil

Marca Technogym nasceu numa garagem no norte da Itália e cresce no Brasil com vendas para casas, condomínios e hotéis. Aposta, agora, é em software para medir o corpo e indicar treinos

A fabricante italiana de equipamentos de academia que mira R$ 400 milhões no Brasil

O mercado de equipamentos para exercícios mudou de endereço nos últimos anos. Parte da demanda que antes estava concentrada nas academias passou para casas, condomínios, hotéis, clubes e empresas. Ao mesmo tempo, as máquinas começaram a coletar dados do corpo e a usar essas informações para sugerir cargas, ritmos e tipos de treino.

É nesse mercado que atua a italiana Technogym, fundada em 1983 por Nerio Alessandri em uma garagem na cidade de Cesena, na Itália. A companhia fabrica esteiras, bicicletas, equipamentos de musculação, pesos e estações de treino, além de softwares que acompanham o desempenho dos usuários. Presente no Brasil desde os anos 1990, a marca atende academias, hotéis, hospitais, clínicas, empresas, condomínios e pessoas físicas.

A operação brasileira passa por uma nova fase desde meados dos anos 2020, quando o negócio local passou a ser conduzido em um modelo semelhante ao de um master franqueado. A mudança veio junto com um salto nas vendas. O faturamento passou de R$ 66 milhões em 2021 para uma projeção de R$ 400 milhões em 2026. No mesmo período, casas e condomínios ganharam espaço e reduziram o peso das academias no faturamento.

“Antes da pandemia, 70% das nossas vendas eram destinadas a academias. Hoje, esse percentual representa 35% do negócio”, afirma Maneco Carrano, diretor comercial da Technogym no Brasil.

Os próximos passos incluem a abertura de uma boutique por ano no país. Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, a empresa abriu uma unidade em Belo Horizonte, com investimento de cerca de R$ 4 milhões. Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Paraná aparecem entre os mercados avaliados para novas lojas.

De uma garagem italiana para uma empresa de 1 bilhão de euros

A história da Technogym começou em 1983. Nerio Alessandri tinha 22 anos e formação em design industrial quando passou a construir equipamentos de ginástica na garagem da família, em Cesena.

Naquele momento, boa parte das academias estava ligada à musculação e ao fisiculturismo. Alessandri começou a desenvolver máquinas que combinavam peças mecânicas, desenho industrial e formas de controlar melhor os movimentos durante os exercícios.

O nome da empresa veio da junção de “techno”, de tecnologia, com “gym”, de academia.

Em 1984, a Technogym lançou a Isotonic Line, sua primeira linha de aparelhos para treinamento de força. Dois anos depois veio a Unica, uma estação de exercícios feita para residências. O aparelho ocupava cerca de 1 metro quadrado e permitia realizar mais de 25 exercícios.

Esse produto abriu uma frente que demoraria décadas para ter peso relevante nas contas da companhia: os equipamentos instalados dentro de casas.

Em 1990, a empresa criou o CPR, sigla em inglês para Constant Pulse Rate, sistema que alterava a intensidade do exercício conforme os batimentos cardíacos do usuário.

Três anos depois, Alessandri passou a usar o termo wellness para descrever uma combinação de exercício, alimentação e cuidados com o corpo e a mente. A palavra acabou virando parte da forma como a empresa passou a apresentar seus produtos.

Em 1996, a Technogym lançou o Wellness System. O sistema permitia guardar informações de treino em uma chave eletrônica que era reconhecida pelas máquinas. O usuário podia chegar a um aparelho, conectar a chave e acessar informações sobre seu programa de exercícios.

Era uma versão inicial do que hoje acontece por meio de aplicativos, contas pessoais e equipamentos conectados à internet.

O software começa a dividir espaço com as máquinas

A parte mecânica continua sendo a face mais visível do negócio. A empresa produz esteiras, bicicletas ergométricas, equipamentos para musculação, estações multifuncionais, halteres e aparelhos para exercícios funcionais.

Nos últimos anos, porém, a Technogym passou a conectar essas máquinas a softwares capazes de registrar informações do usuário e montar programas de treino.

O exemplo mais recente é o Technogym Checkup. A estação realiza uma série de testes em uma sessão de cerca de 20 minutos.

O equipamento mede força máxima, capacidade cardiorrespiratória, composição corporal, mobilidade, equilíbrio e cognição. A partir desses dados, o sistema gera o que a empresa chama de “idade wellness” e sugere um programa de exercícios.

A força máxima mostra quanto peso uma pessoa consegue movimentar em determinado exercício. O VO2, outra medida usada pelo sistema, indica quanto oxigênio o corpo consegue usar durante esforço físico. A bioimpedância estima a proporção de gordura, músculos e outros componentes do corpo.

Essas informações são integradas ao aplicativo da Technogym. Assim, o usuário pode levar os dados de um ambiente para outro, como academia, hotel ou casa.

O movimento segue uma linha que começou décadas atrás com o controle da frequência cardíaca e com a chave eletrônica usada nas academias.

Casas e condomínios mudaram a conta no Brasil

A principal mudança da operação brasileira aconteceu fora das academias.

Antes da pandemia, cerca de 70% das vendas da empresa no país vinham desse segmento. Hoje, segundo os dados enviados pela companhia, as academias representam cerca de 35% da receita quando considerado um recorte que separa residências, hotéis, condomínios e clubes.

Em outro recorte usado internamente pela Technogym, pessoas físicas e academias instaladas em condomínios já somam 65% das vendas.

O segmento de venda direta para pessoas físicas cresceu 1.200% em seis anos. No caso dos condomínios, o avanço foi de 600%.

Entre os equipamentos mais procurados para uso residencial estão Bench, MyOne, Kinesis e Connected Dumbbells.

A Bench é uma estação compacta que reúne pesos e acessórios para diferentes exercícios. A MyOne concentra exercícios de musculação em um único equipamento. A Kinesis usa cabos para permitir movimentos em várias direções. Os Connected Dumbbells são halteres conectados ao sistema digital da empresa.

A empresa também percebeu disposição dos clientes para gastar mais em equipamentos ligados a acompanhamento de saúde e treino. Segundo a Technogym, compradores aceitam pagar até 15% a mais por produtos associados a esse tipo de recurso.

“O wellness deixou de ser uma tendência restrita ao universo fitness”, afirma Carrano.

São Paulo ainda responde por mais da metade das vendas

Apesar do avanço em outras regiões, São Paulo continua sendo o centro da operação brasileira. O estado responde por cerca de 55% das vendas da Technogym no país.

Minas Gerais aparece como o terceiro maior mercado.

A empresa inaugurou em Belo Horizonte sua terceira boutique no Brasil. A loja fica no bairro Belvedere e ocupa mais de 150 metros quadrados. O investimento chegou a cerca de R$ 4 milhões, incluindo estrutura e ações de divulgação.

A meta é levar o faturamento em Minas Gerais para perto de R$ 40 milhões em 2026, um crescimento projetado de 30% sobre 2025.

“O mercado mineiro sempre teve grande relevância para a Technogym. Hoje, Minas Gerais representa nosso terceiro maior estado em faturamento no Brasil”, diz Carrano.

Além de Minas, a empresa aponta crescimento no Nordeste nos últimos três anos. Parte desse avanço veio de hotéis e de novos prédios residenciais em áreas próximas ao litoral.

Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre também aparecem entre os principais mercados da marca fora de São Paulo.

Hotéis, clínicas e empresas completam o mapa

A Technogym divide a operação brasileira em cinco grupos de clientes.

O primeiro é formado por academias. O segundo reúne hotéis e projetos residenciais. O terceiro inclui hospitais e clínicas. O quarto atende empresas. O quinto vende diretamente para pessoas físicas.

Condomínios aparecem no encontro entre dois desses mercados: são empreendimentos residenciais, mas os equipamentos são usados pelos moradores.

Esse desenho ajuda a explicar por que a fatia das academias diminuiu mesmo com o crescimento da companhia no país. A empresa passou a vender máquinas para mais tipos de endereço.

O movimento também acompanha uma mudança nos projetos de novos prédios e hotéis. Academias passaram a ocupar espaços maiores em parte desses empreendimentos, o que abriu mercado para fornecedores de equipamentos.

No caso da Technogym, a empresa tenta ligar essa venda de máquinas ao uso de aplicativos e ao armazenamento de informações de treino.

Os Jogos Olímpicos ajudaram a levar a marca para fora da Itália

A expansão internacional ganhou um marco em 2000, quando a Technogym forneceu equipamentos para os centros de treinamento dos Jogos Olímpicos de Sydney.

Mais de 10 mil atletas usaram os equipamentos da companhia naquela edição.

Depois vieram Atenas 2004, Turim 2006, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016, PyeongChang 2018, Tóquio 2020 e Paris 2024.

Nos Jogos de Inverno de Milano Cortina 2026, a companhia chegou à décima participação como fornecedora oficial.

A empresa também passou a fornecer equipamentos para clubes esportivos e equipes profissionais.

Em 2012, inaugurou em Cesena o Technogym Village, complexo que reúne sede, fábrica, centro de pesquisa e espaços para exercícios.

Quatro anos depois, abriu o capital na Bolsa de Milão.

Receita global passou de 1 bilhão de euros

A expansão dos equipamentos residenciais e dos produtos conectados veio acompanhada de crescimento nas contas da empresa.

A receita líquida global passou de 721,5 milhões de euros em 2022 para 808,1 milhões de euros em 2023 e 901,3 milhões de euros em 2024.

Em 2025, superou pela primeira vez a marca de 1 bilhão de euros, chegando a 1,019 bilhão de euros.

Nesse mesmo período, a operação brasileira cresceu em ritmo maior. A projeção de R$ 400 milhões para 2026 representa um aumento de cerca de 500% em relação aos R$ 66 milhões registrados em 2021.

Hoje, os produtos da companhia são usados por cerca de 75 milhões de pessoas em aproximadamente 100 mil centros de atividade física e 500 mil residências, segundo números da própria empresa.

AutorLeo Branco
FonteExame
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