A família gaúcha que criou o ‘melhor azeite do Brasil’ e vai faturar R$ 12 milhões
Prosperato, de Caçapava do Sul, chegou a 98 pontos no guia internacional Flos Olei 2027 e projeta dobrar o faturamento neste ano

RESUMO +
A produtora gaúcha de azeites Prosperato recebeu 98 pontos no Flos Olei 2027, guia italiano do setor, e obteve a maior nota entre as marcas brasileiras na edição. A empresa projeta faturar R$ 12 milhões em 2026, o dobro de 2025, com azeites produzidos no Rio Grande do Sul e uma linha feita com produto importado.
Em 2013, a família Marchetti tinha um problema: precisava convencer produtores gaúchos de que valia a pena plantar oliveiras. Donos de uma empresa de mudas, eles tinham algumas de oliveiras e queriam vender.
Como quase ninguém conhecia o potencial da cultura, a família fazer uma demonstração prática. Plantou as próprias árvores e começou a produzir azeite.
A experiência virou a Prosperato, marca de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, que hoje acumula cerca de 330 prêmios.
Agora, a empresa acaba de atingir 98 pontos de 100 no Flos Olei 2027, guia italiano considerado uma das principais referências mundiais do setor. Foi a maior nota entre as marcas brasileiras na edição.
O resultado é também a maior pontuação já obtida pela Prosperato no guia e chega em um ano de expansão para a empresa.
A família projeta encerrar 2026 com faturamento de 12 milhões de reais, o dobro do registrado no ano passado, com uma estratégia que combina azeite produzido no Rio Grande do Sul e uma nova linha feita com produto importado.
“Estar no Flos Olei por 11 anos consecutivos mostra a consistência do trabalho que desenvolvemos”, diz Rafael Marchetti, mestre de lagar, profissional responsável pela produção do azeite, e diretor da Prosperato. “Chegar agora aos 98 pontos é um reconhecimento muito importante e reflete a busca constante por aperfeiçoamento na produção dos nossos azeites.”
O desafio agora é transformar reconhecimento em escala. A Prosperato quer manter crescimento entre 15% e 20% ao ano, ampliar presença no varejo, reforçar o comércio eletrônico e abrir novas lojas. Ao mesmo tempo, precisa lidar com um limite básico da olivicultura brasileira: a produção local ainda é pequena e sujeita a fortes variações de safra.
Como nasceu a Prosperato
A origem da Prosperato está no negócio de mudas da família Marchetti. O pai de Rafael, Eudes, produzia plantas havia décadas quando decidiu diversificar a operação, por volta de 2011.
Uma das apostas foi a oliveira.
Naquele momento, a produção comercial de azeite no Brasil ainda dava os primeiros passos. No Rio Grande do Sul, o cultivo estava concentrado em poucos municípios onde as temperaturas do inverno favoreciam a adaptação da planta.
A dificuldade era explicar aos compradores o que poderia sair dali.
“A gente estava querendo oferecer as mudas, mas as pessoas sequer sabiam para que produzia”, afirma Marchetti.
A saída foi plantar. A família começou a cultivar as próprias oliveiras e, em 2013, extraiu o primeiro lote de azeite. O produto que servia como demonstração para potenciais clientes passou a ganhar espaço dentro do negócio.
Desde então, o mercado brasileiro também cresceu. Hoje, há mais de 100 marcas produzindo azeite no país, com forte concentração no Rio Grande do Sul.
A Prosperato continuou vendendo mudas e mantém viveiro próprio, mas o azeite passou a ocupar o centro da operação.
O que significa a nota 98 no Flos Olei
Publicado anualmente na Itália, o Flos Olei avalia produtores de diferentes países e analisa azeites extravirgens e aspectos ligados à cadeia de produção.
A Prosperato aparece na publicação há 11 anos consecutivos.
Na edição de 2026, havia recebido 97 pontos. Agora, subiu para 98 e chegou à maior pontuação de sua história no guia.
Entre as marcas brasileiras avaliadas na edição 2027, foi a nota mais alta.
O reconhecimento internacional acompanha uma expansão da produção no campo. Na safra deste ano, a empresa colheu cerca de 400 toneladas de azeitona, volume que rendeu próximo de 54 mil litros de azeite. No ano anterior, haviam sido 25 mil litros.
Ainda assim, a produção própria não basta para o tamanho que a Prosperato quer atingir.
Por que a Prosperato começou a importar azeite
Nos últimos anos, a empresa enfrentou uma dificuldade recorrente: vender mais significava assumir o risco de ficar sem produto caso a safra seguinte viesse abaixo do esperado.
“A gente sempre andou com muita cautela. Nosso foco em alguns anos foi não deixar faltar azeite”, diz Marchetti. “Com essa última safra que foi muito boa, mais a entrada dos global, a gente já consegue ir para o mercado com menos medo de oferecer e a garantia que vamos entregar.”
Para reduzir esse risco, a Prosperato lançou neste ano uma linha global, formada por blends, misturas de azeites de diferentes origens, selecionados por Marchetti. Os primeiros produtos usam azeites do Chile e da Espanha.
A lógica é complementar a produção gaúcha com volumes maiores e preços de entrada mais baixos.
Em 2025, a empresa importou 78 mil litros de azeite. Para este ano, a projeção é chegar a 100 mil litros.
A garrafa de 250 mililitros do azeite produzido pela Prosperato no Brasil custa 55 reais no comércio eletrônico da marca. Na linha Global, uma embalagem do mesmo tamanho chega por 45 reais.
“Se queremos atingir mais pessoas, não teríamos como imaginar que seria mais caro do que o nosso”, diz Marchetti. “Precisamos equalizar, ter qualidade e preço competitivo.”
A meta de chegar a 12 milhões de reais
Com mais produto disponível, a Prosperato quer acelerar a distribuição. Hoje, uma das principais vitrines da marca é uma loja de 50 metros quadrados instalada ao lado do lagar, equipamento onde ocorre a extração do azeite, em Caçapava do Sul.
“As pessoas gostam de ir lá, provar, dizer que compraram no metro zero, no lado da indústria”, diz Marchetti.
A empresa também vende pelo e-commerce, criado em 2014, e está presente em varejistas especializados como Casa Santa Luzia, em São Paulo, e Zona Sul, no Rio de Janeiro.
Para ampliar essa estrutura, investe cerca de 2 milhões de reais em uma nova área de envase em Caçapava do Sul, com 650 metros quadrados e novos equipamentos.
A meta é terminar 2026 com faturamento de 12 milhões de reais. Nos próximos anos, a empresa pretende sustentar crescimento entre 15% e 20% ao ano.
Há espaço para avançar, mas também uma diferença grande entre a ambição e a escala atual. O Brasil consome perto de 100 milhões de litros de azeite por ano. Para Marchetti, isso dá dimensão do tamanho do mercado que ainda pode ser disputado.
“No dia que tivermos um milhão de litros, só temos 1% de mercado, é uma coisa muito gigante”, diz Marchetti.
