A febre da Copa na China: 70 bilhões de visualizações e 83 bilhões de yuans

A Copa do Mundo movimentou não apenas os torcedores chineses, mas também os mercados de apostas, de publicidade e de varejo esportivo, apesar da ausência da seleção chinesa.
Dados da emissora estatal CCTV e da Loteria Esportiva da China mostram que o torneio gerou recordes de audiência e bilhões de yuans em apostas, além de impulsionar patrocinadores e o comércio de produtos oficiais.
Segundo a CCTV, a cobertura da competição alcançou mais de 70 bilhões de visualizações acumuladas em diferentes plataformas até a véspera da final. Só a decisão entre Espanha e Argentina no último domingo registrou audiência acumulada de 282 milhões de pessoas, com pico simultâneo de 41,2 milhões de espectadores.
O interesse do público também impulsionou o mercado de apostas. A Loteria Esportiva da China disse ao South China Morning Post (SCMP), jornal de Hong Kong, que as apostas em partidas individuais somaram 83,3 bilhões de yuans (cerca de US$ 11,6 bilhões) ao longo das seis semanas do torneio. O maior volume foi registrado na primeira semana do mata-mata, quando as vendas ultrapassaram 17 bilhões de yuans.
O aquecimento do setor beneficiou milhares de casas lotéricas. Segundo a imprensa local, pequenos estabelecimentos chegaram a triplicar o faturamento diário durante a Copa, enquanto lojas de médio porte dobraram ou triplicaram o movimento mensal. Nas maiores unidades, as vendas superaram 100 mil yuans por dia e chegaram a 3 milhões de yuans no mês, apura o SCMP.
Apostas e patrocinadores
Na China, apenas duas loterias autorizadas pelo governo podem operar legalmente: a Loteria Esportiva da China e a Loteria de Bem-Estar Social. As apostas relacionadas à Copa do Mundo são exclusivas da plataforma administrada pela Loteria Esportiva, enquanto o governo intensifica o combate às apostas ilegais.
A rede social Weibo informou ter removido mais de 100 mil publicações relacionadas à venda clandestina de apostas, a aplicativos ilegais e a esquemas de jogos de azar durante o torneio. A plataforma também encerrou 120 grupos dedicados à promoção de apostas ilegais e puniu mais de 50 mil contas por violarem suas regras.
A vitória da Espanha também gerou uma disputa entre patrocinadores. A Luckin Coffee, patrocinadora oficial da seleção espanhola na China, distribuiu 100 mil cupons de café grátis após o título, enquanto a hashtag "Luckin apoiou a campeã" figurou entre os assuntos mais comentados na rede Weibo.
A coincidência chamou a atenção porque as duas finalistas eram patrocinadas pelas maiores redes de cafés chinesas. Enquanto a Luckin Coffee mantém parceria com a Espanha, sua rival, Cotti Coffee, patrocina internacionalmente a seleção argentina. A Luckin, porém, havia ampliado sua estratégia antes da Copa ao fechar acordos também com a seleção de Portugal.
Empresas chinesas tiveram participação expressiva no financiamento do torneio. Três companhias do país integraram o grupo de 16 patrocinadores globais da Copa do Mundo, respondendo por mais de US$ 500 milhões, o que representa cerca de 16% da receita internacional de patrocínio da Fifa.
O comércio de artigos esportivos também foi beneficiado. Após a conquista espanhola, a Adidas lançou a nova camisa da seleção com duas estrelas, símbolo dos títulos mundiais, e esgotou rapidamente diversos tamanhos nas plataformas oficiais na China. No mercado de revenda, os preços chegaram a praticamente dobrar, refletindo a forte demanda dos consumidores pelo uniforme da nova campeã mundial.
