A festa da bolsa ainda não acabou: BTG aponta onde a queda dos juros pode abrir espaço para mais altas
Queda dos juros longos pode abrir uma nova rodada de valorização para ações de empresas domésticas; veja as escolhas dos analistas

A Rede D’Or (RDOR3) já subiu com força depois da eleição, mas, para o BTG Pactual, a queda dos juros pode estar longe de ter sido totalmente incorporada ao preço das ações.
Esse é um dos principais exemplos da tese do banco para a bolsa brasileira: mesmo depois do rali desta semana, algumas empresas da B3 ainda podem ter espaço para avançar caso a queda dos juros longos se consolide.
A conta começa pela própria curva de juros. As taxas de longo prazo recuaram cerca de 140 pontos-base nesta semana, movimento que ajudou a impulsionar justamente os setores mais sensíveis ao cenário doméstico.
As ações de saúde, por exemplo, acumulam alta de 11% desde a eleição, enquanto as de educação avançaram 18%.
A questão, agora, não é mais se a bolsa subiu — mas quanto da queda dos juros já está no preço e quanto ainda pode ser reprecificado.
A nova conta da bolsa
Para o BTG, o próximo impulso das ações brasileiras pode vir menos de uma melhora nas projeções de lucro e mais da própria redução do custo de capital.
Em outras palavras, mesmo que os resultados não mudem tanto, a queda dos juros pode fazer o mercado aceitar pagar mais pelas mesmas empresas.
“Embora vejamos espaço para um re-rating [reprecificação] adicional em diversos nomes, acreditamos que o principal vetor é a compressão das taxas de juros de longo prazo, e não a perspectiva de revisões substanciais para cima dos lucros”, afirmam os analistas.
Ações da Rede D’Or ainda têm combustível?
É nesse ponto que entra a Rede D’Or (RDOR3). Mesmo depois da alta recente, a ação negocia a cerca de 16 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica de 19 vezes desde a aquisição da SulAmérica — um desconto de aproximadamente 15%.
Para o BTG, a combinação entre desempenho operacional e maior sensibilidade aos juros longos deixa espaço para uma nova expansão desse múltiplo.
A lógica é que a Rede D’Or pode se beneficiar dos dois lados: a operação continua entregando resultados e, ao mesmo tempo, a queda das taxas aumenta o valor atribuído aos lucros que ainda estão por vir.
“Temos consistentemente considerado a Rede D’Or como uma ação para todos os cenários, sustentada por seus fortes fundamentos operacionais, capacidade de execução e visibilidade de resultados”, afirma o BTG. Segundo o banco, o perfil da companhia, mais sensível ao longo prazo, também faz dela uma das principais beneficiárias da queda dos juros.
Por isso, RDOR3 continua como a principal escolha do BTG no setor de saúde.
A Bradesco Saúde (SAUD3) também permanece entre as preferidas. A queda dos juros de curto prazo pode reduzir a receita financeira da companhia, mas o BTG considera que o impacto deve ser limitado no curto prazo.
Além disso, a ação negocia a cerca de 8 vezes o lucro estimado para 2027, um múltiplo que ainda deixa espaço para uma eventual reprecificação.
Ações de educação: o rali pode não ter acabado
Se a saúde reúne as principais escolhas do BTG, a educação aparece como uma aposta mais sensível ao ambiente macroeconômico — e os investidores já deram uma amostra disso.
Desde a eleição, Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) subiram quase 20%. Ainda assim, o banco vê espaço para novas altas caso o cenário de juros mais baixos ganhe consistência.
O setor negocia a aproximadamente 6 vezes o lucro projetado para 2027, segundo o BTG. Para os analistas, esse nível ainda pode permitir uma expansão dos múltiplos se a curva de juros continuar cedendo.
