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Mundo
24/07/2026
4 min

A guerra no Irã está entrando em uma fase mais perigosa?

A guerra no Irã está entrando em uma fase mais perigosa?

A intensificação do conflito entre os Estados Unidos e o Irã abriu uma nova e perigosa fase de tensões no Oriente Médio, diz Mona Yacoubian, membra sênior e conselheira do programa de Oriente Médio do think tank Centre for International and Strategic Studies (CSIS), em um novo estudo da entidade.

O confronto, iniciado no fim de fevereiro, expandiu-se rapidamente e passou a ter como cerne o Estreito de Ormuz, principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo, o que aumentou o risco de uma guerra de proporções maiores.

Nos últimos dias, os dois países intensificaram a troca de ataques militares. A ofensiva resultou nas primeiras mortes de militares americanos em meses, enquanto Washington restabeleceu o bloqueio naval contra o Irã em resposta aos ataques iranianos contra embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz.

O CSIS aponta que as operações agora também passaram a atingir um número maior de alvos. Bombardeios americanos atingiram infraestruturas em diferentes regiões do território iraniano, enquanto Teerã respondeu com ataques contra instalações civis em países do Golfo, incluindo uma usina de dessalinização e uma central elétrica no Kuwait.

Ademais, o conflito também ganhou uma nova dimensão geográfica. Pela primeira vez em três meses, o Irã lançou ataques contra a Arábia Saudita e atingiu também a cidade jordaniana de Ácaba, às margens do Mar Vermelho, o que ampliou a preocupação de que outros países da região sejam arrastados para a guerra.

Uma nova escalada?

Sinais preocupantes de uma nova escalada surgiram após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, realizada em 16 de julho, na qual diferentes opções militares teriam sido avaliadas, aponta o CSIS. Paralelamente, Washington reforçou sua presença militar na região com o envio de novos caças, alimentando especulações sobre operações contra instalações nucleares iranianas ou contra a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país.

Do lado iraniano, as autoridades também estudam ampliar a pressão militar. Segundo o estudo, Teerã solicitou aos rebeldes houthis, no Iêmen, que se preparassem para bloquear totalmente o estreito de Bab el-Mandeb, outro corredor estratégico para o comércio marítimo global. Além disso, há receio de novos ataques contra instalações energéticas no Golfo e no litoral do Mar Vermelho.

Uma ampliação dos bombardeios contra infraestruturas poderá alterar a posição dos países árabes da região. Embora governos como os da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos tenham buscado evitar um confronto direto com o Irã, uma ofensiva de maior intensidade poderá levá-los a participar ativamente do conflito.

Falhas e esperanças diplomáticas

Donald Trump, presidente dos EUA: apesar da supremacia bélica, os EUA foram incapazes de terminar a guerra e reabir o Estreito de Ormuz (Chip Somodevilla/Getty Images/Getty Images)

Ao mesmo tempo, a via diplomática sofreu novos reveses. Durante a cúpula da Otan, realizada em 8 de julho, o presidente Donald Trump declarou encerrado o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã, após um ataque iraniano com drones contra embarcações no Estreito de Ormuz.

Dias depois, o Irã anunciou a suspensão de seus compromissos previstos no acordo. O líder supremo, Mojtaba Khamenei, afirmou que a assinatura de Trump era "inválida", enquanto o governo iraniano intensificou o discurso contra os Estados Unidos, aprofundando o clima de desconfiança entre as duas partes.

Apesar do agravamento da crise, os esforços de mediação continuam em andamento. Paquistão e Catar atuam nos bastidores para chegar a uma saída negociada e já apresentaram propostas ao governo iraniano. Os dois países defendem a retomada do memorando, embora reconheçam que a redação vaga do documento contribuiu para sua fragilidade.

Sinais discretos também indicam que Washington e Teerã ainda não descartaram completamente uma solução diplomática, aponta o CSIS. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos permanecem abertos ao diálogo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã voltou a defender a diplomacia como caminho para reduzir as tensões.

Gestos recentes reforçam essa possibilidade, avalia a especialista. O Irã autorizou a saída de uma cidadã americana que estava impedida de deixar o país desde dezembro de 2024 e, apesar da morte de soldados americanos nos ataques iranianos, a resposta militar dos Estados Unidos foi mais contida do que ameaças anteriores feitas por Trump sugeriam.

O CSIS estima que ambos os governos continuam apostando na pressão militar para forçar o adversário a fazer concessões. No entanto, o elevado custo econômico, político e estratégico do conflito pode criar condições para que as iniciativas de mediação ganhem força e abram espaço para uma eventual redução das hostilidades.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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