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30/06/2026
6 min

A história do restaurante carioca que chegou aos EUA e deve crescer até 40% com a Copa do Mundo

A história do restaurante carioca que chegou aos EUA e deve crescer até 40% com a Copa do Mundo

Tampa (EUA) - O que começou como uma homenagem familiar no subúrbio do Rio de Janeiro virou uma rede de restaurantes com operação internacional e planos de expansão. Fundado em 2003 por Marcelo Riveiro Barcia em homenagem ao pai, Manolo, o Boteco do Manolo hoje reúne 19 unidades (12 unidades próprias no Rio de Janeiro e 7 nos Estados Unidos, sendo três próprias e quatro franqueadas). A expansão vem de encontro com o ano que promete ser promissor com a Copa do Mundo que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá.

A expectativa da empresa é que as lojas brasileiras registrem aumento de cerca de 25% nas vendas durante o período da competição. Nos Estados Unidos, o desempenho deve ser ainda mais forte em algumas praças. Em Miami, onde ocorrerão partidas do Mundial, a expectativa é de crescimento de até 40%.

"Nossos restaurantes estão lotados nos dias dos jogos do Brasil. Em Miami, a expectativa é de crescer até 40%, principalmente porque a cidade recebe partidas importantes da Copa", afirma Barcia.

Além do efeito imediato do torneio, a empresa que faturou R$ 70 milhões no último ano, estima fechar 2026 com crescimento de 20% no Brasil e de até 18% nos Estados Unidos.

“Com o Mundial nos Estados Unidos, temos a oportunidade de apresentar a comida brasileira para quem mora e para quem visita o país", afirma Barcia.

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Uma homenagem ao pai que virou um negócio milionário

A relação de Marcelo Barcia com restaurantes começou cedo. Filho de um empreender do setor, passou a trabalhar aos 12 anos ajudando o pai no restaurante da família, no centro do Rio de Janeiro.

Quando o pai morreu, em 1999, decidiu seguir o caminho do empreendedorismo. Quatro anos depois inaugurou a primeira unidade do Boteco do Manolo, no Shopping Nova América, em Del Castilho, batizando o negócio com o nome do pai.

O crescimento da empresa também se mistura à história pessoal do casal. Marcelo conheceu a esposa e hoje sócia, Cíntia Rocio Marques, justamente dentro do Boteco do Manolo.

Formada em Biologia, Cíntia trabalhava como consultora SAP na Petrobras até decidir fazer uma pausa na carreira para estudar inglês nos Estados Unidos. O plano inicial era apenas passar uma temporada na Flórida, onde o casal já possuía uma casa de férias.

A mudança coincidiu com o período de reestruturação da Petrobras após a Operação Lava Jato. "Achei que era o momento de estudar inglês e aproveitar que já tínhamos uma casa na Flórida", afirma Cíntia.

O que seria uma temporada acabou se transformando em um novo negócio.

A aposta na Flórida

Depois de chegar aos Estados Unidos em 2017, o casal começou a preparar a operação americana. O primeiro restaurante foi inaugurado em fevereiro de 2019, na International Drive, uma das principais avenidas turísticas de Orlando.

Hoje, a rede opera 3 restaurantes próprios e 4 franquias no país.

A escolha pela Flórida teve um motivo simples: a concentração de brasileiros.

"A maior comunidade brasileira está na Flórida e em Massachusetts. Nosso público principal continua sendo o brasileiro que mora ou visita os Estados Unidos", afirma Barcia.

A estratégia se reflete também na operação. Dependendo da unidade, a maioria dos funcionários fala português para atender turistas e moradores brasileiros. Na International Drive, cerca de 95% da equipe é formada por brasileiros ou residentes brasileiros legalizados.

Os desafios de empreender no Brasil e nos EUA: Carne mais cara e falta de mão de obra

Se a burocracia trabalhista é apontada como uma vantagem de empreender nos Estados Unidos, a contratação de funcionários é considerada o principal desafio.

Segundo Barcia, diferentemente do Brasil, onde muitos profissionais fazem carreira como garçons, nos Estados Unidos a atividade costuma ser temporária.

"O maior desafio é encontrar mão de obra para cozinha e atendimento. Aqui ser garçom é uma forma rápida de ganhar dinheiro, não uma profissão de carreira", afirma.

Outro impacto recente veio da inflação dos alimentos. Segundo o empresário, o preço da picanha praticamente dobrou nos últimos anos.

"Quando cheguei aqui pagava US$ 3,89 pela libra da picanha. Hoje pago US$ 8,89. Nunca imaginávamos viver inflação desse tamanho em dólar", diz.

Apesar disso, a operação consegue manter praticamente todo o cardápio brasileiro graças à presença de distribuidores nacionais nos Estados Unidos.

"Hoje encontramos arroz, feijão, catupiry, farinha, manteiga e praticamente todos os produtos brasileiros aqui," afirma o empresário.

No Brasil, além da burocracia trabalhista, Barcia afirma que outro grande desafio de empreender é a segurança pública, que pesa diretamente nas decisões de expansão da rede. Hoje, todas as 12 unidades da empresa no Rio de Janeiro estão instaladas em shoppings, justamente para reduzir riscos.

"O maior desafio hoje de empreender no Brasil é a burocracia e a segurança. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas a unidade de Tampa que fica dentro de um shopping mal", afirma.

Expansão continua...

Além da nova unidade que será inaugurada no NorteShopping, no Rio de Janeiro, o Boteco do Manolo negocia novas franquias nos Estados Unidos. Entre as regiões avaliadas estão Lake Nona, na Flórida, Danbury, em Connecticut, e o Texas. A empresa também analisa oportunidades futuras em Honduras.

No Brasil, o foco está em regiões como Goiás, interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Londrina.

O plano internacional também não termina nos Estados Unidos.

"No longo prazo, avaliamos chegar em Portugal, Espanha e Inglaterra", afirma.

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"Tem que colocar a barriga no balcão"

Depois de mais de duas décadas no setor e quase sete anos operando nos Estados Unidos, Marcelo e Cíntia dizem que o maior aprendizado da internacionalização foi que não existe crescimento à distância.

Nos primeiros anos da operação americana, o casal passou praticamente cinco anos trabalhando todos os fins de semana, dividindo-se entre diferentes restaurantes e abrindo mão da vida social para consolidar o negócio.

"As pessoas só veem o bônus. O ônus ninguém vê. Passamos cinco anos praticamente sem finais de semana. Natal e Ano-Novo eram cada um em uma loja. Às vezes, o Marcelo saía correndo de uma unidade para chegar na outra poucos minutos antes da meia-noite. Esse foi o preço que pagamos para construir o negócio”, diz Cintia.

Para quem pretende empreender fora do Brasil, Marcelo resume o conselho em uma frase.

"Empreender aqui exige barriga no balcão. Tem que estar dentro da operação. Muita empresa veio para os Estados Unidos achando que bastava contratar um gerente e acompanhar de longe. Não funciona. Você precisa estar presente e disposto a aprender tudo de novo", afirma.

AutorLayane Serrano
FonteExame
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