A H&M está encolhendo para ficar mais lucrativa. No Brasil, a história é outra

O grupo sueco de moda H&M reportou o seu resultado do primeiro semestre fiscal de 2026, referente ao período de dezembro de 2025 a maio de 2026. As vendas líquidas totalizaram 104,4 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 11,3 bilhões), queda de 7% ante o mesmo período do ano anterior. A rede fechou 128 lojas na comparação anual, redução de aproximadamente 3% no portfólio global.
A contração, porém, veio acompanhada de melhora expressiva de rentabilidade. O lucro operacional excluindo custos extraordinários cresceu 14% no semestre, para 8,1 bilhões de coroas suecas (US$ 874 milhões), com margem operacional de 7,8%, ante 6,4% no mesmo período de 2025. No segundo trimestre isolado, a margem operacional ajustada chegou a 12%, ante 10,4% um ano antes, o maior nível recente da companhia. A margem bruta também avançou, de 52,3% para 53,8% no semestre.
Estoque enxuto, caixa mais forte
O CEO Daniel Ervér atribuiu o resultado à melhora na cadeia de suprimentos, ao controle de custos e à gestão mais eficiente de estoques. O estoque de mercadorias recuou 10%, para 34,9 bilhões de coroas suecas e passou a representar 15,8% das vendas dos últimos 12 meses, ante 16,6% no período anterior. O fluxo de caixa operacional no trimestre cresceu 24%, para 10,6 bilhões de coroas suecas (US$ 1,1 bilhão).
A companhia também registrou custos extraordinários de 679 milhões no trimestre, referentes a mudanças organizacionais em mercados de venda e estruturas centrais. Sem esses itens, as despesas operacionais recuaram 2% em moedas locais.
No Brasil, a história é outra
Enquanto o grupo enxuga sua rede globalmente, o Brasil segue em expansão. Sete lojas estão contratadas para abrir no país em 2026. Entre as já inauguradas estão unidades em Sorocaba, duas em Porto Alegre e a primeira loja no Rio de Janeiro, aberta em abril no RioSul Shopping Center, em Botafogo. A loja masculina do Morumbi também integra o plano deste ano.
O peso do Brasil nos resultados globais ainda é marginal. A região de Américas do Norte e do Sul respondeu por 22,7 bilhões de coroas em vendas no semestre — cerca de 22% do total do grupo —, e inclui mercados consolidados como Estados Unidos e Canadá. Ainda assim, a aposta na América Latina sinaliza onde a companhia enxerga potencial de crescimento enquanto racionaliza o portfólio em mercados maduros. O próprio CEO global Daniel Ervér já havia declarado à EXAME ver bom potencial para crescer no Brasil e na América Latina.
Para junho de 2026, a H&M projeta vendas em moedas locais em linha com o mesmo mês do ano anterior. No segundo semestre, Paraguai, Malta e Azerbaijão se tornam novos mercados da rede. A Argentina receberá lojas via franquia em 2027.
