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NegóciosMPOL
09/08/2026
5 min

A IA pode saber quanto gasto? Fintech cria ponte com dados bancários no Brasil; entenda

Companhia que conecta mais de 100 milhões de contas amplia aposta na combinação de Open Finance e inteligência artificial

A IA pode saber quanto gasto? Fintech cria ponte com dados bancários no Brasil; entenda

A Belvo, empresa de tecnologia especializada em Open Finance, está lançando uma ferramenta que permite conectar agentes de inteligência artificial a dados bancários. A tecnologia poderá ser usada por bancos, fintechs e outras empresas para criar serviços que consultem informações financeiras dos clientes, desde que eles autorizem o acesso.

Batizada de Belvo MCP, a ferramenta chega em um momento de expansão da companhia. No último ano, a empresa diz ter crescido mais de 100%, alcançado cerca de 200 clientes e chegado a aproximadamente 100 funcionários.

A sigla MCP vem de Model Context Protocol (Protocolo de Contexto de Modelo, em português). Na prática, trata-se de um padrão que permite que sistemas deinteligência artificial se conectem a outras ferramentas e fontes de informação.

No caso da Belvo, a tecnologia funciona como uma ponte entre esses agentes de IA e a infraestrutura financeira que a companhia já oferece no Brasil e no México.

Isso permite, por exemplo, que uma empresa desenvolva um assistente capaz de analisar as movimentações financeiras de um cliente e responder quanto ele gastou em determinada categoria, como suas despesas mudaram ao longo do tempo ou se sua renda é compatível com um financiamento.

A Belvo afirma que a conexão reúne, em uma mesma infraestrutura, etapas como acesso aos dados, identificação e consentimento do usuário e adequação às exigências regulatórias. A ideia é evitar que cada banco ou fintech precise desenvolver essas conexões do zero.

“O próximo salto da inteligência artificial não depende apenas de modelos mais inteligentes, mas da capacidade de acessar dados confiáveis de forma segura”, afirma Leandro Piano, CFO da Belvo.

“Nosso objetivo é fortalecer ainda mais a nossa infraestrutura e permitir que empresas criem agentes financeiros realmente úteis para pessoas e negócios.”

Como funciona a tecnologia da Belvo

O MCP da Belvo começa a operar com três frentes. A primeira oferece documentação e um ambiente de testes para desenvolvedores. A segunda permite consultar dados financeiros reais mediante consentimento do usuário. A terceira deverá adicionar recursos de análise financeira baseados em inteligência artificial.

A empresa também criou uma ferramenta gratuita chamada Panorama para demonstrar o funcionamento da tecnologia. Nela, o próprio consumidor pode conectar suas informações financeiras e interagir com esses dados usando assistentes de inteligência artificial compatíveis com o protocolo.

Na prática, uma pessoa poderia perguntar quanto gastou em restaurantes no último mês, como suas despesas mudaram no período de um ano ou se sua renda é suficiente para financiar um imóvel.

A diferença para uma consulta convencional a um chatbot está nos dados usados para produzir a resposta. Em vez de depender apenas das informações escritas pelo usuário durante a conversa, a IA pode consultar os dados financeiros que ele autorizou compartilhar.

“A novidade representa uma mudança importante na forma como as pessoas interagem com suas informações financeiras. Até hoje, esses dados permaneciam distribuídos entre aplicativos bancários, históricos de emprego e registros fiscais, exigindo consultas manuais, planilhas ou o apoio de especialistas para serem interpretados”, afirma Piano.

“Com a combinação entre Open Finance e IA generativa, essas informações passam a estar disponíveis por meio de uma conversa simples em linguagem natural.”

Panorama, da Belvo: portal permite conectar dados financeiros a assistentes de inteligência artificial (Belvo/Divulgação)

Fundada em 2019 por Pablo Viguera e Oriol Tintoré, a Belvo fornece tecnologia para conectar instituições financeiras a dados e pagamentos por meio do Open Finance. A empresa atua no Brasil e no México.

Na prática, sua infraestrutura permite que bancos, fintechs e outras empresas, mediante autorização dos usuários, acessem informações bancárias para atividades como análise de crédito e avaliação do comportamento financeiro, além da iniciação de pagamentos.

A companhia tem mais de 100 milhões de contas conectadas à plataforma nos dois países. Entre os clientes estão Banco Inter, Mercado Pago e Creditas no Brasil, além de Banco Azteca e Nubank.

A nova ferramenta amplia essa infraestrutura para que os dados também possam ser consultados e utilizados por agentes de inteligência artificial.

Da análise de crédito à cobrança por IA

Não é a primeira tentativa da Belvo de combinar Open Finance e inteligência artificial.

Em abril, a companhia anunciou o desenvolvimento de umaplataforma voltada à cobrança de dívidas. A ferramenta utiliza agentes de voz baseados em IA para ligar para clientes inadimplentes e conduzir a negociação sem a necessidade de um operador humano durante toda a conversa.

O sistema interpreta as respostas do cliente e pode modificar a proposta durante a ligação. A plataforma também usa informações obtidas pelo Open Finance, mediante autorização do usuário, para calcular valores de pagamento de acordo com a movimentação financeira registrada nas contas.

“Com base nesses dados, a gente consegue ser muito mais assertivo sobre o que a pessoa pode pagar”, afirma Piano. “Não adianta oferecer uma parcela que simplesmente não cabe no orçamento dela.”

Na época, a ferramenta estava em fase inicial de testes com clientes da Belvo. A companhia também planejava permitir que a negociação começasse por telefone e continuasse por outros canais, como WhatsApp, e que futuramente o pagamento pudesse ser concluído durante a própria ligação.

A aposta em inteligência artificial ocorre enquanto a Belvo amplia sua operação. Segundo a empresa, o negócio cresceu mais de 100% no último ano e chegou a 200 clientes e 100 funcionários. 

Desde a fundação, a companhia captou US$ 71 milhões em investimentos. Entre os investidores estão Kaszek, Quona Capital, Future Positive, Kibo Ventures e Y Combinator, além de Visa e Citi.

Com o MCP, a Belvo passa a oferecer a bancos e fintechs uma forma de conectar agentes de inteligência artificial à mesma infraestrutura de dados financeiros e pagamentos que já fornece aos seus clientes. O acesso às informações financeiras depende do consentimento do usuário.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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