A IA vai roubar seu emprego? O Google diz que ainda não

Para o Google, a inteligência artificial (IA) não impacta o mercado de trabalho negativamente. Segundo uma pesquisa da empresa divulgada nesta quinta-feira, 23, até o momento, a tecnologia serviu como uma ajuda extra ao trabalhador — e não como substituto.
De acordo com o estudo, chamado de AI & Economy ATLAS v1.0, a IA não causou um deslocamento massivo de empregos por uma série de fatores. Entre eles está a penetração "rasa" nas ocupações.
Para os pesquisadores do Google, embora a IA tenha atingido profissões que representam 88% do emprego nos Estados Unidos, a intensidade de uso ainda é baixa e, na ocupação mediana que utiliza IA, ela é aplicada em apenas 21% das tarefas totais
O relatório também revela que a intenção de automação de ponta a ponta representa menos de 10% das interações em trabalhos cognitivos não rotineiros (como design, pensamento estratégico e resolução de problemas complexos) e que a grande maioria dos usuários busca "aumentar" sua produtividade e não delegar a tarefa inteira à máquina.
Isso acontece porque, segundo o estudo, as tarefas complexas ainda exigem insumos humanos de alto nível, como julgamento arquitetônico, detecção de erros e integração de resultados.
Além disso, a empresa enxerga limitações em tarefas interpessoais e físicas.
O Google afirma que profissões focadas em componentes físicos ou relações interpessoais (como cuidadores de saúde ou cozinheiros) têm baixa penetração de IA, já que essas tarefas são menos adequadas para os modelos de linguagem disponíveis atualmente.
Onde a IA pega
O relatório mostra que, em profissões técnicas e manuais (como mecânicos automotivos), o uso de IA multimodal para diagnósticos é duas vezes maior do que a média geral de trabalho.
Segundo o estudo, esses profissionais recorrem a fotos e vídeos para interpretar resultados de testes, depurar diagramas de fiação elétrica e inspecionar o desgaste de peças.
De volta ao topo: como o Google virou o jogo na corrida da IAO padrão dominante, porém, é outro. As tarefas cognitivas não rotineiras — as que exigem julgamento, estratégia e criatividade — concentram 65% das interações de trabalho, embora representem apenas 35% das ocupações na economia como um todo.
O Google divide esse uso em quatro categorias: ideação e estratégia, redação parcial, revisão e refinamento, e busca de informação.
Quem mais usa ganha mais
Segundo o estudo, há uma correlação direta entre renda e uso da ferramenta. A pesquisa afirma que um aumento de 1% na renda mediana de uma ocupação está associado a um aumento de 2,5% na intensidade de uso da IA.
O salário mediano ponderado dos usuários do Gemini nos Estados Unidos é de aproximadamente US$ 83 mil — cerca de US$ 20 mil acima da média nacional.
O mesmo padrão se repete entre países. Um aumento de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) per capita está associado a um avanço de 0,9% no uso per capita da tecnologia.
O uso que não é trabalho
A maior parte das interações não tem nada a ver com emprego. Mais de 86% ocorrem fora do trabalho, cobrindo atividades que correspondem a 98% das horas em que as pessoas estão acordadas.
Dentro desse uso pessoal, um tipo de tarefa se destaca de forma desproporcional: a burocracia.
Conversas sobre serviços governamentais e obrigações cívicas aparecem quase 20 vezes mais do que o tempo que as pessoas efetivamente dedicam a essas atividades no dia a dia. Quase metade das consultas sobre temas médicos, jurídicos, financeiros e governamentais ocorre fora do horário comercial.
O português é o quarto idioma
O inglês responde por cerca de um terço das conversas globais, com 34,8%. Em seguida vêm o espanhol, com 12,1%, o árabe, com 6,8%, e o português, com 5,8%.
O estudo aponta ainda uma inversão geográfica.
IA: Google aponta que IA ajuda os trabalhadores (Imagem gerada por IA/Exame)
Embora países de alta renda usem a tecnologia em maior volume absoluto, trabalhadores de nações em desenvolvimento — sobretudo na África e na América Latina — apresentam proporção maior de uso voltado ao trabalho, em comparação ao uso recreativo.
Como o estudo foi feito
O ATLAS analisou 15 milhões de interações desidentificadas e anônimas, capturadas entre 6 e 19 de abril de 2026, no aplicativo Gemini, no Google AI Mode e na interface de programação da empresa.
Os dados foram mapeados em mais de 800 ocupações, 4.000 tarefas de trabalho, 300 atividades domésticas, 150 países e 140 idiomas, com base em taxonomias oficiais americanas de classificação ocupacional e de uso do tempo.
