Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
29/07/2026
6 min

A indústria de bebidas do interior do Paraná que enfrenta gigantes e vai faturar R$ 2 bilhões

Fundado por um ex-distribuidor, o Grupo RFK reúne cinco fábricas e disputa espaço num setor de mais de R$ 250 bilhões

A indústria de bebidas do interior do Paraná que enfrenta gigantes e vai faturar R$ 2 bilhões

A primeira coisa que o paranaense Márcio Mendes fez no mercado de bebidas foi vender o que os outros fabricavam. Comprava de um lado, revendia do outro. E assim foi, por sete anos, no interior do Paraná. Até que surgiu a oportunidade de comprar uma fábrica. E aí, a história foi outra.

Hoje o grupo que ele fundou, o RFK, é uma indústria multibebidas. Produz refrigerante, energético, cerveja, água mineral e bebidas quentes, com marcas como Refriko, Furioso, Moema, Bamboa, Bella Roma e Hidratar. São mil funcionários diretos na operação e cinco fábricas, distribuídas por Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará, além de presença na América Latina.

Refrigerante, energético e cerveja respondem por cerca de 30% do faturamento cada. O restante fica com água e as demais linhas.

E Márcio está com sede para crescer.

A empresa acaba de inaugurar em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, sua maior fábrica. Um investimento de 400 milhões de reais que, segundo Mendes, produz mais do que as outras quatro plantas do grupo somadas. Com ela, a companhia quer chegar a 2 bilhões de reais em faturamento até o fim da década.

É uma meta ambiciosa para uma indústria que disputa espaço com multinacionais num setor que movimenta mais de 250 bilhões de reais por ano no Brasil.

"O grande desafio da gente não é nem crescer, é como fazer cada vez melhor", diz Mendes, que fundou a empresa e hoje tem 48 anos.

A conta que ele faz é de espaço para ocupar. A RFK atende cerca de 30 mil pontos de venda num universo de 2 milhões, e a tese é replicar em novas praças a participação alta que já tem no norte do Paraná. "A gente acredita que consegue encher essa planta em menos de três anos", afirma.

A meta oficial de 2 bilhões está no planejamento até 2030, mas ele quer antecipá-la para 2029.

Qual é a história da empresa

Mendes começou em 2003 com uma pequena distribuidora. Comprava e revendia bebida de terceiros e, nesse processo, aprendeu a entender cliente e mercado antes de fabricar qualquer coisa. Foram sete anos só de distribuição, entre 2003 e 2010.

Em 2008, comprou uma indústria desativada de refrigerante e levou dois anos para colocá-la para rodar. Foi aí que criou a marca de refrigerante Refriko. Como o grupo já vinha da distribuição, e não da indústria, a primeira fábrica, em Cambé, encheu rápido.

Em vez de ampliar a planta original, o grupo montou uma segunda unidade em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em 2014. Depois vieram novas ampliações em Cambé, uma planta de água mineral e outra em Belém, no Pará. A de São José dos Pinhais é a quinta.

Desde o início, Mendes fez questão de não amarrar a empresa a um único produto. Hoje refrigerante, energético e cerveja dividem o faturamento quase em partes iguais, e ele resiste a deixar a cerveja crescer demais dentro do portfólio, mesmo com a nova cervejaria puxando o volume para cima. "A gente não quer que vire 70%, não é o foco", afirma.

Como é a maior fábrica do grupo

A unidade de São José dos Pinhais é o maior investimento da história da companhia. Fica num terreno de 300 mil metros quadrados que antes era plantio de soja, e foi projetada do zero em parceria com a alemã Krones, referência mundial em construção de plantas de bebida. Tem capacidade para produzir até 2 milhões de unidades por dia, entre latas e garrafas PET.

A decisão de parar de "correr" e planejar veio em 2023, quando as plantas existentes começaram a chegar no limite. Segundo Mendes, o grupo não parou de construir de 2010 em diante, e ele mesmo já vinha cansado do ritmo. Em vez de repetir o padrão de sempre — encontrar terreno, erguer fábrica às pressas —, a empresa parou para estudar o mapa logístico do país e concluiu que precisava estar na região metropolitana de Curitiba.

A nova planta mais que dobra a capacidade total da empresa. E vem com o objetivo de replicar em outras praças o que deu certo na origem. No norte do Paraná, na região de Londrina e Cambé, a RFK tem participação de mercado alta.

O plano é cobrir 100% do Paraná até o ano que vem e avançar sobre São Paulo, o segundo mercado mais importante da empresa, seguido pelo Mato Grosso do Sul.

Como é a aposta numa nova cerveja

Junto com a fábrica, o grupo lança a Roma, uma cerveja puro malte que também vai se desdobrar na versão ultra, categoria em crescimento no mercado. A RFK entrou no segmento de cerveja há sete anos e passou esse tempo aprendendo a fazer cerveja comercial. Para a nova planta, trouxe cervejeiros alemães da Krones para ajustar as fórmulas.

A empresa já tem a Moema, voltada ao consumo de massa, e a Bamboa. A Roma entra num padrão mais premium, mas Mendes diz que não pretende exagerar no preço, e liga isso a uma régua de qualidade que aplica a todas as marcas.

"Qualquer produto nosso, em teste cego, vai estar no mesmo nível de qualquer player do mercado", afirma.

A lógica, segundo ele, é cortar custo em tudo, menos no produto. A empresa mede o quanto o consumidor está disposto a pagar por cada marca e tenta entregar mais do que o preço cobrado. "Eu não faço produto para mim. Eu faço produto para o consumidor", diz.

Como é a logística

Boa parte do desafio de execução passa pela distribuição, que a RFK opera em dois modelos ao mesmo tempo. A empresa tem CDs próprios no Paraná e no Mato Grosso do Sul e, ao mesmo tempo, trabalha com distribuidores parceiros em praças como São Paulo.

São cerca de 10 centros próprios hoje, e a meta é chegar a 30 até 2028.

Na frota, o desenho é parecido. Cerca de 40% dos caminhões são próprios, por meio de uma transportadora dentro do grupo, e o restante é gerido pela própria equipe de logística, que subloca fretes para não rodar com caminhão vazio na volta.

Mendes trata a distribuição de bebida como um dos pontos mais difíceis do negócio, pela frequência das entregas. Enquanto um varejo de outros setores reabastece uma loja a cada duas semanas, a bebida exige um vendedor que tira dezenas de pedidos por dia para entregar no dia seguinte.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
Distribuído por