A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
As perspectivas de queda dos juros impulsionam os fundos imobiliários, mas não significa que os riscos tenham desaparecido

Se antes os investidores viam uma tempestade se aproximando no horizonte dos mercados, os resultados das urnas limparam o céu. Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT), as perspectivas são mais favoráveis para os ativos de renda variável, e a bolsa brasileira já está capturando ganhos.
Os fundos imobiliários, por outro lado, ficaram para trás e ainda registram uma recuperação mais tímida — mas isso pode ser uma boa notícia. Segundo Caio Araujo e Matheus Oliveira, analistas do BTG Pactual Research, essa diferença abre uma janela de oportunidade para investir em FIIs de tijolo, ou seja, fundos que alocam recursos diretamente em imóveis.
"Se a queda dos juros se consolidar, os fundos de tijolo poderão combinar o recebimento de dividendos com uma reprecificação das cotas", afirmaram em relatório.
Os analistas avaliam que a oportunidade está em construir exposição a esses ativos enquanto os descontos ainda são relevantes.
- LEIA TAMBÉM: Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
Entre spreads e dividendos, a virada do ciclo
O levantamento do banco mostra que o Ifix Tijolo negocia com uma relação preço/valor patrimonial (P/VP) média de 0,85x, o que equivale a um desconto de 15% sobre o valor líquido das carteiras.
O indicador mostra que as cotas ainda estão sendo negociadas em um preço bem abaixo do valor de avaliação dos portfólios.
Vale lembrar que a medida mostra quando um ativo está sendo negociado com deságio: quanto mais distante de um for o resultado, maior a defasagem entre o preço das cotas na bolsa e o valor real da carteira do fundo.
"Em fundos com imóveis de qualidade, ocupação saudável e receitas consistentes, esse distanciamento pode oferecer espaço para recuperação dos preços conforme o custo de capital diminui", afirmaram os analistas.
Araujo e Oliveira destacam ainda que o spread entre o dividend yield (taxa de retorno de dividendos) do Ifix Tijolo e a taxa real da NTN-B 2035 — também conhecida como Tesouro IPCA+ 2035 — reforça essa atratividade.
Atualmente, a diferença está próxima de 470 pontos-base, ou 4,7 pontos percentuais. Já a média histórica é de 360 pontos-base.
Embora essa distância indique um espaço para recuperação dos FIIs, não é qualquer ativo que vale a pena colocar na carteira.
"Não significa que todos os fundos estejam baratos ou que os riscos tenham desaparecido. A seleção continua fundamental", afirmaram.
Araujo e Oliveira recomendam selecionar portfólios capazes de sustentar os resultados durante o período de transição.
Os FIIs de tijolo que chamam atenção do BTG Pactual
Em relatório, os analistas também indicam quais fundos imobiliários são mais promissores para surfar a virada de ciclo. Confira as principais escolhas do banco:
VBI Prime Properties (PVBI11)
O PVBI11 é um FII de lajes corporativas gerido pelo Patria Investimentos, com 83,3 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) própria.
O portfólio é composto por sete edifícios de alto e altíssimo padrão em regiões prime de São Paulo, com forte concentração na Faria Lima.
Apesar da qualidade do portfólio e da localização premium dos ativos, a precificação das cotas está abaixo dos valores vistos nas transações imobiliárias feitas na região.
Segundo os analistas, esse contraste configura uma tese de valor de médio prazo.
Araujo e Oliveira avaliam também que a normalização gradual da vacância é um fator que pode elevar os resultados distribuídos aos cotistas, conforme as carências e os descontos de novas locações se normalizem.
JS Real Estate (JSRE11)
O FII possui um portfólio de lajes corporativas premium em São Paulo, com imóveis bem localizados e inquilinos diversificados.
A tese combina qualidade imobiliária com desconto nas cotas, com P/VP de 0,66x.
O guidance de rendimentos de curto prazo está entre R$ 0,48 e R$ 0,52 por cota, enquanto a gestão projeta crescimento gradual para aproximadamente R$ 0,63 até o fim de 2029.
Bresco Logística (BRCO11)
De acordo com os analistas, o BRCO11 é um dos fundos logísticos de maior qualidade da cobertura do banco. O ativo conta com portfólio premium, boa localização e inquilinos de elevada qualidade de crédito.
A gestão conseguiu reduzir gradualmente a vacância, favorecendo a geração de resultados nos próximos meses.
Vinci Logística (VILG11)
O VILG11 é um FII de galpões gerido pela Vinci, com portfólio diversificado geograficamente e foco em ativos de elevado padrão.
Os analistas avaliam que a tese combina qualidade operacional, gestão ativa de capital e desconto patrimonial frente aos pares. Eles destacam ainda a conclusão da reciclagem da carteira, o potencial de revisão de aluguéis e a sustentabilidade dos rendimentos no ciclo logístico.
BTG Pactual Shopping Centers (BPML11)
O BPML11 é um fundo de gestão ativa com oito shoppings, que somam cerca de 122,2 mil metros quadrados e estão distribuídos em cinco estados.
O portfólio tem perfil regional e maior exposição às classes C e D, o que exige acompanhamento operacional, mas oferece oportunidades de ganho com a maturação e reciclagem dos ativos.
"Mantemos uma visão positiva para a tese de longo prazo, apoiada no relevante desconto patrimonial e no dividend yield de dois dígitos", afirmaram.
Porém, Araujo e Oliveira alertam que a distribuição atual está sendo beneficiada por resultados não recorrentes.
HSI Malls (HSML11)
O HSML11 é um FII de shoppings gerido pela HSI, com oito empreendimentos em cinco estados, cerca de 179,9 mil metros quadrados de ABL própria e participação majoritária em praticamente toda a carteira, operada pela Alqia.
Para os analistas, a combinação entre controle dos ativos, administração integrada e desalavancagem recente reforça a previsibilidade do resultado recorrente.
As avenidas de valor, de acordo com Araujo e Oliveira, são a economia financeira recorrente pós pré-pagamentos e a aproximação do fluxo de caixa operacional (FFO) ao nível distribuído.
O desconto patrimonial em um setor com espaço de reprecificação no ciclo de juros também sustentam a tese na visão do banco.
Vinci Shopping Centers (VISC11)
O VISC11 é um FII de shoppings gerido pela Vinci Compass, com participação em dezenas de empreendimentos, cerca de 310 mil metros quadrados de ABL própria e ampla diversificação geográfica e de administradoras.
Na visão do BTG, a tese combina escala, diversificação e gestão ativa de capital em um setor ainda descontado em comparação com a média histórica. "Como avenida de valor, destacamos a captura operacional das aquisições", disseram Araujo e Oliveira.
Hotel Maxinvest (HTMX11)
Com o objetivo de aproveitar a recuperação do setor de hotéis de São Paulo, o HTMX11 combina renda de diárias com ganho de capital na venda de unidades hoteleiras. O portfólio concentra-se nas regiões da Berrini-Chucri Zaidan, Itaim Bibi e Congonhas.
Na avaliação dos analistas, o FII é a principal alternativa para investidores interessados em exposição ao setor hoteleiro, considerando principalmente a estratégia consolidada e histórico de distribuição.
