A lição de Bill Gates que inspira a Engie antes de uma disputa de R$ 20 bilhões
Infraestrutura que leva energia das usinas aos consumidores se tornou peça central da transição energética — e um dos maiores desafios para o setor elétrico

A francesa Engie, uma das maiores geradoras privadas de energia do país, vai aumentar a presença em atividades reguladas no setor de infraestrutura, como transmissão de energia, saneamento e concessões, de olho na agenda de transição energética.
A inspiração veio do bilionário americano Bill Gates. Em um artigo publicado no Gates Notes, seu site oficial, o fundador da Microsoft defendeu que a transmissão de energia é a "surpreendente chave para um futuro com energia limpa".
"Se você se preocupa com as mudanças climáticas, deveria se preocupar com a transmissão de energia", escreveu.
A frase também está na boca de Gustavo Labanca, diretor de Transmissão de Energia da Engie Brasil, que falou com exclusividade ao EXAME Insight.
"Para Gates, ampliar e modernizar as redes de transmissão é condição essencial para acelerar a expansão das fontes renováveis e viabilizar a transição energética", diz.
Gustavo Labanca - Diretor de Transmissão da ENGIE Brasil (Divulgação/Divulgação)
No Brasil, a chave para a América Latina
No Brasil, a Engie opera um dos maiores portfólios privados de geração de energia elétrica do país, com ativos predominantemente renováveis, além de uma crescente presença no segmento de transmissão.
A companhia encerrou o primeiro trimestre com receita operacional líquida de R$ 3,4 bilhões e Ebitda de R$ 2,2 bilhões.
Até o fim do ano passado, a companhia já havia investido R$ 8 bilhões em ativos de transmissão no Brasil. A expectativa é aumentar esse número. A companhia francesa já definiu a próxima investida.
Em outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai conceder novas linhas. A expectativa é que o leilão, que vai incluir 9 lotes espalhados pelo país, exija um investimento total de R$ 11 bilhões. A Engie ainda não sabe se vai disputar todos eles.
O que move mesmo os ponteiros da companhia francesa é o próximo leilão de HVDC (Corrente Contínua em Alta Tensão) da Aneel. Previsto para 2027, o projeto promete ser o maior da história do país, com mais de 2500 km de linhas e investimento previsto superior a R$ 20 bilhões.
Briga em alta tensão
Para fazer frente à Siemens, Itachi e GE, que também devem participar, a Engie avalia parcerias em equity ou com fornecedores. A companhia também estuda alternativas em linhas de financiamento via debêntures incentivadas com bancos privados e públicos.
"Estamos definindo os melhores projetos para colocar o bloco na rua", diz Labanca.
Em 2023, a chinesa State Grid venceu o principal lote do maior leilão de transmissão da história da Aneel até então, com 1468 km de linhas nas regiões norte e nordeste do país. O investimento total estimado era de R$ 18 bilhões.
O setor de transmissão é mesmo uma briga de gigantes. Desde 2002, o mercado brasileiro recebeu mais de R$ 400 bilhões em investimentos em infraestrutura.
"Expectativa é ganhar novos projetos e aumentar ainda mais esse valor", diz Labanca.
