A máquina por trás do crescimento da Medical San
Fabricante gaúcha de equipamentos para saúde estética amplia atuação ao integrar desenvolvimento, produção nacional, financiamento e suporte às clínicas

Quem entra em uma clínica de saúde estética pode encontrar equipamentos desenvolvidos para diferentes aplicações, de lasers a tecnologias voltadas a procedimentos específicos.
Por trás dessas máquinas, porém, existe uma cadeia que envolve pesquisa, engenharia, fabricação, financiamento e suporte. É nesse mercado que atua o Grupo Medical San, fabricante brasileira de equipamentos para saúde estética que, há 32 anos, transforma tecnologia em soluções para clínicas e profissionais.
A empresa, que começou em uma garagem em Lajeado, no Rio Grande do Sul, hoje reúne oito negócios e mantém em Estrela sua estrutura industrial, administrativa e estratégica.
A estratégia combina desenvolvimento tecnológico e produção nacional com uma frente própria de financiamento, criada para facilitar a aquisição dos equipamentos por seus clientes.
Ranking Negócios em Expansão
Esse modelo ganha visibilidade nesta quarta-feira, 26, durante o NEXX, evento que reúne empresas e lideranças para discutir negócios, inovação e crescimento. A participação acontece no mesmo ano em que a Medical San integra, pelo terceiro ano consecutivo, o Ranking EXAME Negócios em Expansão — sua quarta participação no levantamento, depois das edições de 2022, 2024 e 2025.
O ranking considera a evolução da Receita Operacional Líquida e a análise de demonstrações contábeis, como balanço patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. Os dados apresentados pelas empresas passam por avaliação técnica da PwC Brasil.
Para a Medical San, a recorrência no levantamento acompanha uma estratégia baseada na fabricação nacional, na ampliação do portfólio e na integração entre indústria e financiamento.
“O Brasil oferece mecanismos importantes de incentivo à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação, como a Lei de Informática, a Lei do Bem e as linhas da Finep. Isso contribuiu para a decisão de manter o desenvolvimento e a produção no país”, diz Mauro dos Santos Filho, presidente e CEO do Grupo Medical San.
Da garagem à produção nacional
A história da Medical San começou há 32 anos, em uma garagem em Lajeado, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Com o crescimento da operação, a empresa se transferiu para a cidade vizinha de Estrela, onde mantém, desde 2022, sua sede industrial, administrativa e estratégica.
Foi a partir do interior gaúcho que o grupo estruturou sua atuação no mercado de equipamentos para saúde estética. Atualmente, reúne oito empresas que trabalham de maneira complementar em áreas como pesquisa e desenvolvimento, produção, locação, soluções financeiras, suporte ao mercado e educação empresarial.
A fabricação nacional permite que as equipes de engenharia, produção e comercial acompanhem diferentes etapas do desenvolvimento dos equipamentos. Segundo a empresa, as tecnologias são desenvolvidas no Brasil e seguem as exigências de registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A operação também passou a alcançar outros mercados. Além da presença no Brasil, a Medical San comercializa suas tecnologias em países como Estados Unidos, Chile, Costa Rica, Angola e Argentina.
Mauro dos Santos Filho, presidente e CEO do Grupo Medical San: grupo ajuda clientes a entender o quanto ele pode produzir com o equipamento dentro da clínica (Medical San/Divulgação)
Financiamento entra na estratégia de expansão
Desenvolver equipamentos, porém, resolve apenas uma parte da equação. Tecnologias de maior valor exigem planejamento financeiro por parte de clínicas e profissionais, que precisam avaliar o investimento, a demanda dos pacientes e a capacidade de incorporar o equipamento aos atendimentos.
Para atuar nessa etapa, o grupo criou a Monte Sião, empresa que estrutura operações de crédito voltadas ao mercado de saúde estética. A companhia opera como securitizadora e financeira e conta com um fundo de investimento em direitos creditórios, o FIDC Monte Sião.
De acordo com o Grupo Medical San, cerca de 65% de suas vendas são viabilizadas atualmente por operações estruturadas pela Monte Sião. Nos últimos três anos, a empresa analisou aproximadamente R$ 3 bilhões em propostas de financiamento. Somente em 2025, o volume chegou a cerca de R$ 950 milhões.
A análise considera informações financeiras dos clientes, mas também o modelo de negócio da clínica e o potencial de utilização do equipamento. A proximidade com as áreas de engenharia, produção e vendas ajuda a equipe a compreender as aplicações de cada tecnologia e a estruturar diferentes modalidades de financiamento.
“A análise busca entender não apenas a capacidade do cliente de pagar, mas também quanto ele pode produzir com o equipamento dentro da clínica”, afirma. Segundo o executivo, dados sobre horas de uso e quantidade de disparos também ajudam a empresa a avaliar cada operação.
Portfólio acompanha novas aplicações
A ampliação do grupo também aparece no portfólio apresentado em 2026. Entre os lançamentos está o Arameus, laser de dióxido de carbono desenvolvido e fabricado em Estrela. Registrado na Anvisa, assim como todos os outros equipamentos da marca, ele tem potência de 60 watts, sistema operacional baseado em Android e cinco modos de disparo: corte, íntimo, fracionado, coring e misto.
A linha Tessalon, por sua vez, reúne três configurações — Tessalon, Tessalon Full e Tessalon Pico — e combina tecnologias a laser voltadas a diferentes aplicações em clínicas e consultórios. A arquitetura modular permite ampliar os recursos do equipamento de acordo com as necessidades da operação.
O portfólio inclui ainda o Sonofrax, direcionado a aplicações relacionadas ao ronco e à apneia obstrutiva do sono, e o Hakon, plataforma de laser de alta potência. Com isso, o grupo procura ampliar sua atuação para além dos procedimentos estéticos tradicionais e alcançar demandas relacionadas também à saúde e ao bem-estar.
“Os projetos de expansão estão mais voltados para o Brasil, mas também temos os olhos no mercado internacional por meio de parcerias estratégicas. A produção continuará no país”, diz Santos Filho.
