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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
09/07/2026
6 min

A marca de barrinhas proteicas com poucos ingredientes que desafia gigantes e mira R$ 250 milhões

A marca de barrinhas proteicas com poucos ingredientes que desafia gigantes e mira R$ 250 milhões

As barrinhas proteicas deixaram de ser um produto restrito às academias. Hoje ocupam gôndolas de supermercados, farmácias, lojas de conveniência e até cafeterias.

O público também mudou. Se antes a categoria era voltada principalmente para quem praticava musculação, agora faz parte da rotina de consumidores que buscam praticidade, alimentação saudável e, mais recentemente, de usuários das canetas emagrecedoras.

Foi essa mudança de comportamento que levou um casal gaúcho a apostar, anos antes do boom do setor, em uma barra feita apenas com ingredientes naturais.

Inspirados por uma visita à rede americana Whole Foods, Eduardo e Juliana Rech fundaram a PINC — sigla para "Poucos Ingredientes, Nada Complicado".

A empresa faturou R$ 21 milhões em 2025, projeta alcançar R$ 40 milhões neste ano e acaba de receber seu primeiro aporte da Shift Capital, gestora de private equity com participações em empresas como The Coffee, Creamy e Bluefit. O objetivo é atingir R$ 250 milhões em receita nos próximos cinco anos.

"Mais importante do que o dinheiro foi trazer conhecimento para dentro da empresa", afirma Eduardo Rech, CEO e cofundador da PINC. "Hoje conseguimos trocar experiências com outras empresas do portfólio e acelerar decisões que levaríamos muito mais tempo para tomar sozinhos."

Por que o mercado de barras proteicas não para de crescer

Quando Eduardo e Juliana começaram a desenvolver a PINC, em 2020, o mercado brasileiro de barrinhas proteicas ainda era muito menor e concentrado no público fitness. O casal passou quase dois anos testando receitas durante a pandemia antes de lançar oficialmente a marca, em 2022, na Naturaltech, principal feira brasileira de alimentação saudável.

A percepção era de que os produtos proteicos costumavam depender de aditivos químicos para entregar textura e sabor. Eles acreditavam que havia espaço para uma alternativa mais natural.

"Olhávamos para o conceito de clean label quando praticamente ninguém falava disso no Brasil", afirma Rech.

Hoje, a categoria vive um momento diferente. Além da busca crescente por alimentação saudável, supermercados ampliam espaço para produtos de maior valor agregado e o avanço dos medicamentos para emagrecimento criou novas demandas de consumo.

A concorrente nacional Bold chamou a atenção da Ferrero e foi adquirida pela dona de marcas Nutella e Kinder neste ano.

Segundo o executivo, isso abriu espaço para que marcas especializadas disputassem espaço com grandes fabricantes de alimentos.

Como surgiu a PINC

A ideia da empresa nasceu anos antes. Em 2016, Juliana Rech, então executiva da área comercial, viajava com frequência a trabalho.

Durante uma viagem aos Estados Unidos, entrou em uma unidade da Whole Foods e se impressionou com a variedade de alimentos naturais disponíveis.

Ela voltou ao Brasil com uma inquietação.

"Ela dizia que lá fora existiam muitas opções de produtos saudáveis e aqui praticamente nada parecido", lembra Rech.

Na época, ele trabalhava como engenheiro de produção e também havia passado pelo mercado financeiro. Os dois decidiram empreender juntos.

O início foi artesanal. Produziam as barras aos fins de semana enquanto mantinham outras atividades profissionais. O primeiro grande teste veio em 2022, quando participaram da Naturaltech.

"A feira mostrou que existia uma demanda muito maior do que imaginávamos”, diz.

Desde então, a empresa afirma ter dobrado de tamanho ano após ano.

Desde o início, os fundadores decidiram verticalizar a produção.

Enquanto muitas marcas terceirizam a fabricação, a PINC optou por construir sua própria fábrica em São Sebastião do Caí, no Rio Grande do Sul.

A decisão, segundo Rech, permite desenvolver processos que dispensam conservantes e aditivos normalmente utilizados pela indústria.

"Parece simples não usar aditivos químicos. Mas é super complexo”, diz o CEO.

A empresa também faz questão de destacar os ingredientes na parte frontal da embalagem e busca matérias-primas em diferentes países. As uvas utilizadas em alguns produtos vêm da África do Sul. As tâmaras são importadas do Oriente Médio. A proteína do ovo é produzida no Brasil.

Hoje, a fábrica produz aproximadamente 350 mil barras por mês, mas já opera perto do limite de capacidade.

Como o aporte vai acelerar a expansão da PINC

A PINC encerrou 2025 com faturamento de R$ 21 milhões e espera alcançar R$ 40 milhões neste ano.

Hoje, cerca de 40% das vendas vêm do varejo alimentar, com presença em redes como St. Marche, GPA, Santa Luzia e Mambo.

Outros 40% são provenientes de lojas especializadas em produtos naturais e suplementos. O e-commerce, incluindo o site próprio e marketplaces, responde pelos 20% restantes. O ticket médio dos pedidos online é de aproximadamente R$ 240.

Embora a empresa já tenha atingido o breakeven e opere no azul, o ritmo de crescimento passou a exigir mais investimentos.

Até este ano, Eduardo e Juliana haviam financiado toda a expansão com recursos próprios.

A entrada da Shift Capital marca a primeira rodada de investimentos da empresa.

Os recursos serão destinados à construção de uma nova fábrica, ampliação da equipe, fortalecimento da marca e expansão comercial.

O valor da operação não foi divulgado.

O principal destino do investimento será a nova unidade industrial.

A fábrica terá área três vezes superior à atual e capacidade para triplicar a produção. A previsão é que entre em operação no primeiro trimestre de 2027.

Ela será a base para o próximo ciclo de crescimento da empresa, que pretende ampliar o portfólio e chegar a R$ 250 milhões de faturamento em cinco anos.

O aumento de portfólio da PINC

Embora a PINC tenha nascido produzindo barras proteicas, o plano é se transformar em uma empresa de alimentos saudáveis.

Neste ano, lançou uma nova linha de barras menores, mais ricas em fibras e com menor teor calórico, desenvolvida para acompanhar mudanças recentes no comportamento do consumidor, especialmente entre usuários de medicamentos para emagrecimento.

A companhia também estuda entrar em novas categorias, como bebidas e snacks, mantendo a proposta de trabalhar apenas com ingredientes naturais.

"A gente não se vê apenas como uma empresa de barras. Queremos oferecer soluções práticas para alimentação saudável”, diz.

A internacionalização também está nos planos. A expectativa é iniciar testes em mercados externos a partir de 2028, depois que a nova fábrica estiver em operação e o portfólio estiver mais diversificado.

Por enquanto, o foco permanece no Brasil. Mas a ambição vai além de ganhar participação em uma categoria em crescimento. A PINC quer disputar espaço em um mercado ainda dominado por grandes indústrias de alimentos, sem abrir mão dos poucos ingredientes.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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