A marca de sorvetes que vende 13 milhões de picolés por ano e quer superar R$ 80 milhões com a Cimed
Los Los reformula receitas, acelera lançamentos e amplia distribuição; nova aposta é um sorvete proteico desenvolvido em parceria com a Cimed

RESUMO +
A marca paulista de sorvetes Los Los, que faturou R$ 69 milhões em 2025, quer superar R$ 80 milhões com a ampliação da distribuição e oito lançamentos em 2026. Entre as novidades está um sorvete com 15 gramas de proteína criado com a farmacêutica Cimed, cuja projeção de vendas é de cerca de 150 mil unidades.
Vender sorvete ainda depende de uma variável que nenhuma fabricante controla: o clima. Depois de dois anos de invernos mais rigorosos e períodos de chuva, a indústria tenta encontrar novas ocasiões de consumo para depender menos dos dias de calor.
É nesse mercado que a Los Los, marca de sorvetes criada em São Paulo em 2014, tenta ganhar escala. A companhia produz cerca de 13 milhões de picolés por ano, chega a mais de 6.200 pontos de venda e faturou R$ 69 milhões em 2025. Agora, trabalha para levar a receita para a casa dos R$ 80 milhões.
Para chegar lá, a empresa está mexendo em praticamente tudo ao mesmo tempo. Reformulou receitas, começou a trocar embalagens, acelerou os lançamentos e prepara a entrada em novas regiões. O movimento mais recente foi bater na porta daCimed para desenvolver um sorvete proteico da Urso, marca de suplementos da farmacêutica. A expectativa é vender cerca de 150 mil unidades do novo produto.
“Nós procuramos dessa vez. Foi a gente que bateu na porta deles”, afirma Juliana Iten, executiva da Los Los. A primeira conversa aconteceu em abril e terminou com um desafio: desenvolver um produto com 15 gramas de proteína que pudesse entrar no portfólio da fabricante de sorvetes.
A parceria é apenas uma parte da tentativa de reposicionar a Los Los. A companhia, que normalmente lançava de dois a quatro produtos por ano, terá oito novidades em 2026. Ao mesmo tempo, quer aumentar a distribuição, hoje presente em 11 estados, principalmente no litoral.
Por que uma empresa de sorvetes foi atrás da Cimed

A aproximação com a Cimed começou durante o planejamento estratégico da Los Los para 2026.
A fabricante acompanhava o crescimento de produtos ligados a wellness, conceito associado a saúde e bem-estar, e via proteína aparecer em praticamente todas as categorias de alimentos. Entrar nesse mercado, porém, exigia encontrar uma marca que ajudasse a Los Los a fazer esse movimento sem lançar apenas mais um sabor.
A escolhida foi a Urso. E a iniciativa partiu da própria fabricante de sorvetes.
O primeiro encontro aconteceu em abril. Segundo Juliana, João Adibe, CEO da Cimed, comprou a ideia e as equipes começaram a discutir o produto ainda na reunião.
O desenvolvimento ficou com a Los Los. A empresa chegou a uma receita de chocolate com recheio de pasta de amendoim e 15 gramas de proteína.
A companhia diz ter evitado algumas soluções já utilizadas em outros produtos proteicos. Não colocou colágeno ou proteína de soja como fontes de proteína e decidiu não usar cobertura de chocolate, que elevaria a quantidade de gordura saturada.
“Tem muita gente fazendo picolé proteico. A gente não vai ser o primeiro”, afirma Juliana. O desafio, segundo ela, era encontrar uma formulação que fizesse sentido dentro da nova proposta da marca.
A primeira projeção era vender 115 mil unidades. Depois, a companhia elevou a expectativa para aproximadamente 150 mil. O produto entra na rede de distribuição da própria Los Los, que também atende farmácias, delivery e pontos de venda físicos.
De quatro para oito lançamentos em um ano
O sorvete da Cimed chega no momento em que a Los Los acelera uma mudança maior no portfólio.
Nos últimos anos, a companhia costumava colocar de dois a quatro novos produtos no mercado anualmente. Em 2026, serão oito. A empresa buscou categorias como produtos infantis e ligados a wellness.
Hoje, o catálogo soma 55 produtos entre picolés, cups, copos individuais de sorvete, e itens para food service, mercado de alimentação fora do lar. São 32 tipos de picolé.
A estratégia começou a ganhar força em 2018. Na época, a Los Los ainda era uma operação menor e levou à Arcor a ideia de transformar a bala 7Belo em picolé. Para apresentar o produto, o fundador José Vicente Mazzarella levou um carrinho até a empresa e distribuiu os picolés aos funcionários durante o almoço. A parceria saiu do papel. Depois vieram produtos com Ovomaltine, Doce de Leite Aviação, Nanica e Nutty Bavarian.
Agora, porém, as collabs, parcerias comerciais entre marcas, acontecem ao mesmo tempo em que a empresa revê os próprios produtos.
O que está mudando nos picolés da Los Los
A reformulação começou no ano passado e passa por receitas, ingredientes, embalagens e posicionamento.
Uma das metas é retirar corantes artificiais derivados de petróleo do portfólio. A companhia também tenta reduzir aromas e aumentar a presença dos ingredientes que dão nome aos produtos.
Na prática, isso pode significar colocar mais fruta e menos água em um picolé e assumir um custo maior de produção.
“Se você melhora, coloca mais fruta e menos água, você aumenta o custo”, afirma Juliana.
A decisão também tem uma razão comercial. Segundo a empresa, há escolas que restringem a entrada de determinados produtos por causa da composição ou da rotulagem frontal. Sem rever as receitas, a Los Los poderia perder espaço nesses canais.
Em alguns casos, a fabricante decidiu produzir ingredientes internamente. Para um dos próximos lançamentos, por exemplo, a geleia de frutas vermelhas será feita dentro da própria fábrica, no mesmo dia da produção do picolé. A estratégia permite dispensar conservantes nessa etapa.
O próximo desafio está fora de São Paulo
Mudar o produto resolve apenas uma parte da equação. A outra é fazer o sorvete chegar a mais freezers.
A Los Los tem fábrica e centro de distribuição na zona sul de São Paulo e combina cinco distribuidoras próprias com parceiros independentes. A rede chega hoje a mais de 6.200 pontos de venda espalhados por 11 estados.
A intenção é ampliar essa presença ainda em 2026, com atenção especial ao litoral. A escolha do surfista Gabriel Medina como embaixador também passa por essa estratégia: para a empresa, a praia funciona como vitrine para os produtos.
Há, porém, um problema que nenhuma reformulação resolve. O sorvete continua sendo uma categoria bastante sensível à temperatura.
A própria Los Los afirma que os dois últimos anos foram mais difíceis por causa do frio e da chuva. Depois de faturar 69 milhões de reais em 2025, chegar à casa dos 80 milhões dependerá de transformar novos produtos em vendas — e também de um verão mais favorável.
