Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EmpresasACS
18/09/2026
6 min

A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?

Com a inadimplência em alta, banco reduz as estimativas para os bancões; veja o que mudou e onde ainda há potencial, segundo os analistas

O ciclo de crédito ficou mais difícil para os bancos brasileiros — e levou o Safra a colocar o pé no freio com as ações. Em meio à piora da inadimplência, os analistas decidiram reduzir os preços-alvo de gigantes como Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3).

“O ambiente para o crescimento do crédito e dos lucros é claramente pior do que antes, com o aumento do estresse no segmento de pessoa física e a Resolução 4.966”, afirmam os analistas.

A própria leitura dos números ficou mais complicada. Segundo o Safra, a mudança trazida pela Resolução 4.966, que elevou a régua para as provisões (o colchão dos bancos contra eventuais calotes), dificulta a comparação do indicador de inadimplência com o histórico, tornando menos evidente a dimensão da deterioração.

Mas, para os analistas, há uma diferença importante entre um ciclo de crédito mais difícil e uma nova crise bancária. O Safra não vê, neste momento, um cenário de deterioração generalizada das carteiras.

Isso porque os bancos estão mais cautelosos na concessão de crédito do que no ciclo de 2023, o que reduz a exposição a uma piora ampla da qualidade dos ativos.

Contudo, o outro lado dessa cautela é um crescimento mais contido. Com menor apetite a risco, também diminui o espaço para os bancos expandirem as carteiras e recuperarem rentabilidade.

Como os bancos estão tentando driblar a inadimplência

Diante desse cenário, os grandes bancos vêm buscando clientes de maior renda e linhas consideradas menos arriscadas, como operações com garantias públicas (FGI e FGO) e o crédito consignado. Nenhuma dessas alternativas, porém, resolve a equação sozinha.

Na alta renda, a disputa é acirrada, com uma oferta abundante de produtos e serviços financeiros. Já nas linhas garantidas, os analistas destacam a necessidade de uma gestão ativa para evitar perdas acima dos limites de stop-loss e problemas de cobrança.

O resultado é um ambiente menos confortável para instituições que dependem de uma expansão mais acelerada da carteira para recuperar rentabilidade.

Itaú (ITUB4): ainda há espaço para crescer, mas com menos folga

  • Preço-alvo anterior: R$ 55
  • Preço-alvo novo: R$ 51 (potencial de alta de 20% em relação ao último fechamento)
  • Recomendação: Compra

O Itaú Unibanco (ITUB4) também sente a mudança no ciclo de crédito, mas, na avaliação do Safra, parte de uma posição mais confortável que os rivais.

Segundo os analistas, a composição da carteira e a disciplina na concessão de crédito tornam o banco menos sensível à deterioração dos ativos do que seus pares, o deve ajudar a limitar o impacto sobre os resultados.

No entanto, o Safra chama atenção para uma mudança na fonte de crescimento daqui para frente. A expectativa é de uma expansão mais lenta da receita, enquanto os lucros dependerão cada vez mais de controle de custos e ganhos de eficiência, e menos do crescimento da receita.

“Embora essas características continuem a justificar um prêmio de avaliação, elas também implicam um potencial de valorização mais limitado em relação aos níveis atuais”, avalia o Safra.

Bradesco (BBDC4): recuperação mais lenta, mas com reforços no caminho

  • Preço-alvo anterior: R$ 26
  • Preço-alvo novo: R$ 22 (+21% em relação ao último fechamento)
  • Recomendação: Compra

No Bradesco (BBDC4), a trajetória de recuperação continua, mas o Safra espera uma caminhada mais longa. O banco reduziu o risco de sua carteira desde o último ciclo de deterioração, mas ainda apresenta maior sensibilidade ao crédito do que o Itaú, segundo os analistas.

A exposição ao mercado massificado, voltado à baixa renda, pesa nessa equação. Com famílias mais endividadas, renda relativamente estagnada e um ambiente de crédito mais incerto, a melhora da rentabilidade tende a acontecer mais lentamente.

“Devido à exposição ao mercado massificado, a recuperação gradual do banco independente pode levar mais tempo, e o ROE deve apresentar uma trajetória mais lenta”, dizem os analistas.

Há, porém, alguns fatores que podem ajudar a compensar essa pressão. O aumento de capital de até R$ 10 bilhões pode ampliar a base elegível para juros sobre capital e dividendos, além de reforçar o patrimônio líquido tangível e a proteção fiscal da instituição.

O negócio de seguros também continua funcionando como uma espécie de amortecedor para os resultados. Para o Safra, as subsidiárias do Bradesco permanecem como “um motor resiliente” do desempenho do grupo.

Ainda assim, os analistas reduziram em 6% suas estimativas de lucro para 2027. A recomendação para a ação BBDC4, porém, permaneceu de compra.

QUER INVESTIR MELHOR?

Comece o dia descobrindo o que move o mercado financeiro e os seus investimentos, de forma 100% gratuita!

Banco do Brasil (BBAS3): agro e varejo apertam a conta

  • Preço-alvo anterior: R$ 27
  • Preço-alvo novo: R$ 26 (+14% em relação ao último fechamento)
  • Recomendação: Neutra

No Banco do Brasil (BBAS3), a pressão agora parte de duas frentes: agronegócio e varejo.

O portfólio rural continua entre os principais pontos de atenção para a qualidade dos ativos, dada a importância do segmento na carteira de crédito do banco. Mas, desde o último trimestre, a deterioração também ganhou força entre as pessoas físicas.

A inadimplência acima de 90 dias nessa parcela da carteira aumentou cerca de 160 pontos-base no trimestre, enquanto a formação de novos créditos inadimplentes praticamente dobrou, puxada principalmente por cartões e crédito rotativo.

Para o Safra, ainda há pouca visibilidade sobre uma melhora estrutural da qualidade dos ativos do banco.

No agronegócio, uma recuperação mais consistente dependerá, entre outros fatores, do aumento da participação de safras contratadas após a reforma das carteiras, com garantias melhores e perfil de vencimentos mais adequado. A expectativa dos analistas é que esse processo se estenda até 2027.

A MP 1.376, que entrou em operação por volta de setembro, contempla cerca de R$ 100 bilhões em dívidas elegíveis, enquanto o BB mira pelo menos R$ 30 bilhões em renegociações.

Para os analistas, a medida pode aliviar a pressão no curto prazo, mas não resolve imediatamente a qualidade dos ativos.

No varejo, a formação de novos créditos inadimplentes praticamente dobrou e deve continuar pressionando as provisões no segundo semestre.

O banco aposta no crédito consignado privado como um dos motores de crescimento, mas essa carteira ainda é pequena diante do estoque de crédito sem garantia acumulado anteriormente.

*Com informações do Money Times.

AutorSeu Dinheiro
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por